Capítulo 32 – Docas 27

1564 Palavras

Elena O porto range como uma criatura antiga quando a noite encosta o ouvido no metal. Guindastes estacionados parecem cruzes de aço, e o vento carrega um hálito de sal e gasolina que não perdoa pulmões. Sigo a sombra que me abordou, medindo a distância entre nossos passos e as câmeras queimadas do cais. O labirinto de containers fecha o mundo em corredores estreitos — vermelho, azul, verde descascado — números brancos pintados às pressas, poças de óleo refletindo estrelas que não nos pertencem. — Não aproxime mais — a sombra avisa sem se virar. — As paredes aqui têm ouvidos. — Ótimo — respondo, baixo. — Quero que escutem. Ele dobra à esquerda entre os containers 26 e 27, a zona onde o piso de concreto tem um remendo recente. O barulho distante de um navio descarregando vira uma espéci

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