Capítulo 29 – Bode Expiatório

1401 Palavras

Elena A sala de mármore foi preparada como um tribunal antigo: a mesa longa ao centro, cadeiras pesadas, retratos emoldurados observando o espetáculo com olhos sem pupilas. As colunas, frias, dividiam o espaço em faixas de sombra, e o lustre pendia como um veredito. Ao entrar, senti o chão aceitar meu peso e, ao mesmo tempo, me recusar. Amália ficou a um passo atrás, mãos cruzadas na altura do ventre, o rosto de quem reza sem fechar os olhos. — Conselho extraordinário — anunciou o homem de olhos de vidro, batendo a pasta no tampo. — Pela morte do Don e do consigliere. Pela quebra de protocolo. Pelos custos da distração. A palavra “morte” percorreu a mesa como um bicho. Não houve oração; houve cálculo. Os capos se acomodaram com a desenvoltura de quem conhece o teatro. Alguns evitaram me

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