Elena O cais virou um mar de vidro. Estilhaços pendiam das luminárias como gelo falso; o vento batia neles e fazia uma música breve, c***l. O cheiro era de sal, ferrugem e pó queimado. Eu gritava senhas, não para amedrontar — para guiar. — Lucerna, Lucerna! — apontei a passarela três para uma mulher com um bebê colado ao peito. — Por aqui. Não parem. — As crianças…? — um estivador de mãos rachadas travou na minha frente. — Já saíram, carro cinza sem placa, destino Acácias. Anda. Amália surgia e desaparecia como um recurso disciplinado: braço na cintura de uma idosa, prancheta virada para esconder sangue, ordem curta nos rapazes que tremiam. As sirenes se mantinham longe; Vincenzo decidira assim. Silêncio é proteção quando a cidade ainda morde. — Direita! — um dos nossos apontou; um c

