TRÊS - VIRADA

439 Palavras
O dia no escritório foi um completo fracasso. Além de eu me sentir totalmente miserável cada vez que minha mente tinha um tempo livre e lembrava o quanto sou azarada, todos me olham estranho e comentam ao me ver passar. Não preciso nem falar que não rendi quase nada no quesito trabalho. Estou olhando pela minha janela a cidade lá embaixo e suspiro, papéis importantes estão abandonados na mesa e eu não consigo me concentrar em nada nesse momento. Melhor eu ir para casa. Com esse pensamento, começo a organizar os papéis e coloco-os de forma organizada, do mais importante ao mais leve e saio em direção a minha casa onde é seguro e não recebo olhar de pena, muito menos cochichos ao passar. No caminho até em casa, um carro quase bateu no meu e isso bastou para me deixar no ápice. - Comprou a CNH, foi? - Grito para o cara que quase bateu no meu carro. O trânsito está horrível e eu chego em casa dez vezes mais frustrada do que sai da construtora. Chego em casa, estaciono de qualquer forma e subo para o meu quarto, batendo a porta ao passar e me jogo na cama sem cuidado algum. - Porque sou tão miserável? - Grito no travesseiro e me debato na cama. Ontem na festa de "casamento", eu prometi a mim mesma que não iria dar tanta importância para os acontecimentos recentes, mas estou dando e muito. Nao há como ser imune aos olhares e cochichos. - Gostaria de ter uma amiga para ligar e receber apoio, mas a única amiga que eu tinha roubou meu noivo. Roubou não né, ele foi de muito bom grado. - Falo para mim mesma sozinha no quarto enorme. Olho os presentes e me animo um pouco, sempre adorei presentes. Pego uma tesoura e começo a abrir todos, varia de perfumes caros a bolsas de marcas, peças únicas e ilimitadas e eu me animo mais a cada pacote que abro. Nos últimos presentes, acabo cortando o dedo na pressa de abrir um deles e percebo algo. - Ainda estou com o anel de noivado. - Comento comigo mesma. Estava tão acostumada a usá-lo que nem lembrava que estava de anel. É um lindo anel com um diamante enorme no centro, no dia que ganhei fiquei totalmente encantada. Num acesso de raiva com as lembranças repentinas, pego-o e vou em direção ao banheiro para joga-lo na privada, mas quando estou prestes a jogar penso melhor. Porque eu jogaria fora um diamante enorme e caro? Há outras maneiras de me livrar dele. Coloco o anel na pia e entro no banheiro maquinando um plano.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR