"Capítulo 4 - ( Capítulo Um )

1903 Palavras
( Tatiana ) Apenas em por meus pés em Nova York, sinto que acontecimentos grandiosos virão e que não serão nada fácil de lidar. Mas quando, em minha vida, algo foi fácil!? Já estou bastante acostumada a sempre ter que lutar contra empecilhos que surgem em minha vida com uma facilidade e sagacidade absurda. E sinto que nesse momento terei que usar essa minha habilidade para passar por tudo o que virá. Esses dois anos que se passaram, devo dizer que não foram os piores da minha vida. Eu tive uma vida onde eu era unicamente dependente de mim e das minhas vontades. Era completamente livre para fazer com meu tempo em Londres, o que eu bem quisesse. Admito que por um tempo, nos primeiros seis messes, fiquei na fossa. Não conseguia esquecer o que tinha vivido naquele ano e principalmente não conseguia acreditar que um dia eu poderia ser perdoada pelo o que fiz. Isso me abalou grandiosamente. Mas ai eu superei. Coloquei em minha mente que não poderia mais viver a sombra de um amor onde nunca mais eu poderia sequer cogitar ser sincera. Não porque eu não queria, mas porque era o melhor a se fazer para o bem das outras pessoas envolvidas. Depois de quase um ano afogada em lembranças, voltei a ter a vida de solteira que tinha antes do contrato de casamento indo para baladas, muito sexo casual, amizades coloridas... minha vida de antes estava de volta e me deixava bastante contente. Me fez esquecer por alguns momentos o que eu realmente gostaria de fazer. Mas ai, uma notícia chegou até mim. Em um momento de espera em uma sala de uma clínica, acabei vendo uma manchete em uma revista dizendo que o Senhor Andrews havia morrido. De início não soube o que pensar, tive medo por não saber de qual Andrews eles estavam falando. Então apenas continuei lendo e rezando para que fosse alguma brincadeira ou alguma notícia falsa. Mas então vi que a notícia não tinha nada de falsa e que o Senhor Andrews, a qual eles se referiam, era na verdade o senhor Lourenço Andrews. O pai do Christopher. O homem que um dia juntamente com o meu pai, fez a mim e ao filho assinar um contrato de um casamento "Forçado". Ele morreu em um acidente de avião a três semanas atrás e nessa revista, estavam comentando sobre quem foi ao seu velório e quem não foi. E adivinhem? O meu nome estava na lista de quem não foi. E como ainda sou "casada" com o Christopher, isso não soou muito legal. Eu gostaria de não estar mais casada no papel, eu até mandei o pedido de divórcio depois que coloquei em minha cabeça que iria me ajudar a esquecer. Mas, para minha total surpresa, o Christopher não assinou. Ele mandou um recado pelo meu advogado de que não iria assinar sem antes me ver cara a cara. Obviamente eu não voltei porque eu sabia que naquela época eu não conseguiria manter a minha palavra de não contar para ele. Mas hoje eu já estou preparada para isso. Eu precisava me divorciar e cortar qualquer vínculo que ainda pudesse existir entre mim e a Família Andrews. Assim que percebi uma brecha em minha agenda, marquei minhas "Férias" de dois messes. Eu tinha apenas dois messes para resolver toda a questão do divórcio e logo após precisava voltar para minha vida real. Sei que isso pode parecer c***l levando em conta que o Christopher provavelmente está abalado com o falecimento do pai, mas duvido muito que ele não queira isso, apenas está bastante interessado em saber o motivo. Se não fosse isso eu tenho certeza que não existiria mais o sobrenome Andrews em meu nome. Esse na verdade não é o unico motivo para me trazer de volta. Também existe o casamento onde grandes amigos irão firmar perante Deus e o mundo o amor verdadeiro que sentem um pelo outro. Eu não poderia deixar de vir ou não aceitar ser madrinha deles mesmo sabendo que o Christopher seria o padrinho e ficaria ao meu lado durante toda a cerimônia. Assim que sair do aeroporto vim direto para um flat que meu assessor alugou para mim. Preciso tomar um banho e descansar depois de uma viagem longa e cansativa. Acordo já no outro dia e o relógio ainda marca oito horas da manhã. Por isso me levanto e faço um café da manhã rápido na intenção de rever uma pessoa no dia de hoje. Por isso tomo um banho rápido e coloco uma roupa qualquer para o dia decidida a ir visitar essa pessoa importante para mim. Saio do apartamento e logo estou em frente a mansão Andrews. Eu vejo o enorme portão de ferro e apenas em falar meu nome, eles se abrem para mim. Tudo continua como eu me lembrava. Do mesmo jeitinho. Eu desço do meu carro e caminho incerta até a porta de madeira da entrada da casa. Para minha surpresa antes mesmo de tocar a campainha a porta se abre mostrando a pessoa a qual vim visitar. - Tatiana... - diz em um quase sussurro. - Oi. Eu precisava vir. Queria conversar com você. •●•●•●• ( Marta ) - Venha minha querida, sente-se, você pode ficar á vontade. - digo sentando na poltrona e oferecendo o sofá para ela. - Então você voltou?! Eu não esperava por isso. - Não, eu... só voltei para o casamento da Ana. Não irei ficar. - explica sem jeito. - Entendo. - suspiro e dou um leve estudada na mulher que está em minha frente. Ela está diferente e não apenas fisicamente, tem algo que a mudou, que a fez parecer ainda mais mulher. - Me conte, como você está? - Na verdade, eu quem deveria fazer essa pergunta. Eu fiquei sabendo do ocorrido com o Senhor Andrews, e eu sinto muito mesmo. Sei o quanto se amavam. - sorrio triste. - Obrigada querida, mas eu já estou começando a aceitar a idéia. Se Deus quis assim quem sou eu para discutir não e mesmo? Obviamente eu sinto falta do meu marido e sei que nunca irei deixar de sentir, mas ele se foi e a minha única alternativa é aceitar. - ela move a cabeça em concordância e sorri fraco. Ficamos em silêncio por um tempo até que ela se pronuncia. - Bom, eu vim porque gostaria de ver como você estava. A senhora sempre foi uma ótima pessoa e muito querida por mim. - ela sorri antes de falar. - Espero de todo meu coração que fique bem. - Você já encontrou com o Christopher? - pergunto na lata mesmo. Sem medir as palavras ou as consequências delas. A Tatiana para de falar na hora e me olha seriamente. - Não. Eu ainda não o vi. - responde quase em um sussurro. - E o que pretende fazer quando o encontrar? Você deve saber que ele será o padrinho do casamento da Ana. - ela afirma com a cabeça e eu sorriu. - Eu não quero meter o dedo na história de vocês dois Tatiana, eu sempre gostei de você e a respeitei muito. Torcia para que o casamento de vocês desse certo e que vocês pudessem ser felizes juntos. Mas meu filho sofreu com o seu abandono. Ainda sofre na verdade, mesmo que não demonstre mais... E sei que você também sofreu porque um amor como o que tiveram não acaba assim sem mais nem menos e sem nenhuma explicação. - Ela abaixa a cabeça. - Sabe Tatiana eu tive uma vida boa com meu marido, o amava muito e sempre tive certeza que o sentimento era mútuo. Mas isso não impediu de passarmos por problemas em nosso casamento por motivos sérios que já nos levaram a pensar até mesmo em divórcio. Mas como você sabe, isso não aconteceu. Não aconteceu porque nos amamos e principalmente porque estavamos juntos e lutando juntos pela solução de cada problema que surgia. Esse é um motivo muito forte para termos passado quase trinta anos casados. O Christopher ainda a ama. - ela levanta a cabeça e percebo lágrima em seus olhos. - E você também o ama... - me levanto e vou sentar ao lado dela segurando em suas mãos. - Eu não faço idéia do motivo que a levou a ir embora e também não é necessário saber. A única coisa que realmente importa é o que vocês dois sentem um pelo outro meu bem. Converse com ele. - levo minha mão ao seu coração. - Conte tudo o que está aqui dentro sem ocultar um mísero detalhe. Vocês tem tanto a falar... tanto a resolver! - Eu não posso... não posso. - ela fala em voz baixa tentando controlar as lágrimas. Então sou levada pelo meu lado materno e a abraço forte como muitas vezes fiz com meu filho quando ainda era um menino e precisava da minha proteção. - Me desculpe... me desculpe por ter ido embora e feito o Christopher sofrer. Eu juro que minha única intenção sempre foi trazer o bem para ele. - ela se afasta do meu abraço com o rosto molhado por lágrimas. - Eu sinto muito. Eu entendi sua história com o Senhor Lourenço e sempre tive certeza do amor de vocês. Mas pode acreditar em mim quando digo que no meu caso, eu não tinha outra alternativa além de ir embora. Por mais que eu quis ficar, por mais que eu quis contar tudo e resolver juntos, como a senhora disse, eu não podia. Não posso... Não posso porque há algo envolvido que vai muito além de mim ou do Christopher. - Eu não posso opinar sobre isso quando não estou completamente inteirada do assunto. - digo acariciando seu rosto e secando suas lágrimas. - Mas, com minha experiência de vida eu posso afirmar para você que tudo Tatiana, tudo tem solução. E eu espero de todo meu coração minha querida, que você encontre uma. E mesmo se isso não vier a acontecer quero que saiba que em mim você tem uma amiga, uma segunda mãe que a ama muito e quer que você seja feliz. - Ela sorri e eu a abraço mais uma vez deixado que a menina chore o quanto quiser e precisar. "Notas Finais Próximo Capítulo Até que vejo algo que me chama a atenção. Meu olhar está em uma mesa distante o suficiente de mim para até mesmo me fazer dúvida do que estou vendo. Ou melhor, quem estou vendo. Por um momento volto minha atenção para o copo com busquei em minha mão tentando me convencer de que já bebi o suficiente para me fazer ter alucinações. Mas não! O copo ainda não esta vazio e é apenas o segundo que bebo desde que cheguei. Então... isso só pode ser real. Olho de volta para a mesa e a mulher loira se mantém distraída na conversa com uma senhora de idade. Ela está como me recordo que era. Gentil, falante e receptiva. Apenas em olhar, mesmo que seja de longe, sinto meu peito de inchar e esperanças se formam em meu ser. A loira sorrir para a senhorinha então no momento em que se levanta e começa a andar sem se dar conta em minha direção, seu olhar é direcionado até mim como um imã. É ela! Ela voltou. •••
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