Capítulo 48. Vendida para Henrique

768 Palavras
Amélie estava no jardim lateral da mansão, recolhendo o lixo acumulado e organizando os canteiros, quando o som de passos suaves a fez erguer a cabeça. Ela parou por um instante, segurando a pá com mais força do que o necessário, o coração acelerado. Henrique se aproximava, com um sorriso calmo e olhar decidido. — Olá, senhorita Pérez — disse, a voz firme, mas gentil. — Posso falar com você um instante? Amélie deu um passo atrás, os olhos arregalados. — O… o senhor de novo…? — sua voz saiu trêmula, o medo evidente. — Eu… eu não posso… por favor, saia. — Meu nome é Henrique Cestáro — respondeu, mantendo a postura respeitosa. — Sei que minha chegada pode parecer inesperada, mas não vim para causar problemas. — Ele fez uma pausa, observando a hesitação dela. — Eu quero ajudá-la. Amélie engoliu em seco, recuando mais um passo, a respiração acelerada. — Ajudar? — repetiu, com a voz quase um sussurro. Henrique deu um passo em direção a ela, mas com cuidado, respeitando a distância que ela impunha. — Sua família deve uma quantia que não é justa, e você está pagando por isso com seu trabalho e sacrifício. Eu posso quitar essa dívida. Amélie parou, incrédula, mas o medo ainda dominava seu olhar. — Mas… por que…? — murmurou. — Senhor, por Deus... — Porque você é linda demais pra isso, jovem demais —disse Henrique, a voz firme. O coração de Amélie disparou, e uma mistura de medo e esperança tomou conta dela. — Por Deus, senhor... O que quer de mim ? — disse, hesitante, os olhos marejados. Henrique se aproximou apenas o suficiente para transmitir sinceridade. — Pense no seu pai, pense em suas irmãs… pense em você mesma. Esta é a chance de começar de novo. Eu posso ajudá-la, basta me dizer sim. — Sim para o que exatamente senhor? Eu...eu não entendo, por Deus, está me deixando com medo. Henrique notou a hesitação, mas não recuou. — Não precisa confiar em mim, só espero que saiba que minha intenção não é te maltratar.— disse, a voz suave. — Apenas saiba, quanto mais tempo você hesitar, mais difícil será. Amélie olhou para ele, o coração batendo forte, o frio misturado à tensão do momento. — Me quer como criada, é isso, senhor ?—Amelie perguntou em tom baixo, perdida. Enquanto Amélie ainda perdida com as palavras de Henrique, um som firme de passos ecoou pelo jardim. Francesca surgiu entre as árvores, o semblante frio e calculista. Seus olhos se fixaram imediatamente em Henrique e depois em Amélie, avaliando cada expressão, cada gesto. — Então é isso — disse Francesca, a voz cortante, mas com uma ponta de sarcasmo — Vejo que já conversaram. Muito bem, jovem Cestáro. — Ela fez uma pausa, cruzando os braços. — Vou fazer você feliz: venderei Amélie a você. Amélie engoliu em seco, o medo subindo rapidamente pelo corpo. — Vender… o que…? — murmurou, incrédula, recuando instintivamente para mais longe de Henrique. Henrique ergueu uma sobrancelha, surpreso com o tom c***l da mulher, mas manteve a postura firme. — Senhora Francesca, não precisava falar assim na frente da moça… — disse, com cautela. — Não a quero assustada. Francesca sorriu, estreitando os olhos, e aproximou-se mais. — Não se preocupe, Henrique, não sou c***l sem motivo. Mas você quer levá-la embora? Então faça como eu digo: levá-la ainda esta noite. Quanto mais cedo ela estiver sob seu cuidado, mais fácil será garantir que eu não me arrependerá de ceder a este acordo. — E o valor? — perguntou Henrique. — Lhe enviarei uma carta. — Ótimo, senhora Cavalcante. Amélie, vamos. Amélie sentiu um nó na garganta. A forma como Francesca falava fazia parecer que ela era apenas um objeto sendo negociado, uma mercadoria que poderia ser entregue. — Eu… eu não quero ir… — murmurou, mas sua voz falhou diante do olhar frio da mulher. Henrique colocou-se à frente de Amélie, como se sua presença pudesse protegê-la. — Cale se Amélie — disse firme. — você vem comigo querendo ou não, é minha agora. Francesca riu baixinho, um som que misturava diversão e desprezo. — Agora tens um novo lar, Amélie Pérez — disse, inclinando-se levemente em direção a ele — espero que faça um bom proveito, Henrique. Amélie sentiu o medo apertar, o que Henrique faria com ela. Ela respirou fundo, tentando absorver tudo aquelo, o frio da noite misturado ao medo. E, pela primeira vez, sentiu que a noite seria o início de uma mudança que poderia salva-la ou enterra-la de vez.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR