CAPÍTULO 38 EDUARDA NARRANDO Assim que ele saiu, a casa mergulhou num silêncio pesado de novo. Mas não era mais aquele silêncio estranho, sufocante. Era um silêncio que me deixava pensar. Sentir. Respirar. Fiquei ali parada por alguns segundos, no corredor, olhando pro vazio e ouvindo só o barulho distante da rua lá fora. As rodas da cadeira dele ainda ecoavam na minha mente, junto com tudo que ele falou. – Tu é boa no que faz, mas não sabe confiar. Talvez ele estivesse certo. Talvez… fosse isso mesmo. Respirei fundo e comecei a andar devagar pela casa. Como se cada passo meu fosse uma invasão silenciosa, um pedido de licença sem voz. Subi a escada do segundo andar com cuidado, passando a mão no corrimão de ferro escuro, observando cada detalhe: a pintura, os quadros tortos, o cheiro

