CAPÍTULO 81 PAULA NARRANDO Acordei com a luz entrando de lado pela fresta da cortina e uma voz suave me chamando do lado de fora do quarto. — Paulinha… acorda, meu amor. Tô saindo com a Jurema, volto só à noite. Qualquer coisa, me liga, tá? A voz da madrinha sempre tinha aquele tom de mãe que a vida me tirou, mas que Deus colocou no caminho depois de tanta porrada. Pisquei devagar, ainda meio grogue, o corpo todo pedindo mais umas horas de cama. Me virei de lado, puxei o lençol até o ombro e murmurei com a voz rouca de sono: — Tá bom, madrinha… vai com Deus… — Fica com Deus, meu bem. Tem pão e café na mesa — ela respondeu, e logo depois ouvi a porta da frente se fechando com aquele rangido de costume. O silêncio voltou pra casa. E eu voltei pro sono. Fechei os olhos de novo, escond

