CAPÍTULO 148 PAULA NARRANDO Fechei a portinha da loja com aquele barulho de metal arranhando o chão e dei duas voltas na chave, suspirando fundo. Já era quase oito da noite e o movimento tinha sido fraco o dia inteiro. Mesmo assim, o cansaço pesava no corpo. Botei a bolsa no ombro e comecei a subir o morro devagar. O céu já tava escuro, as luzes dos barracos piscando aqui e ali, moto subindo, gente gritando no beco… a vida seguindo seu ritmo, mesmo quando a gente se sente parada por dentro. Foi aí que senti o celular vibrar dentro da bolsa. Peguei, destravei a tela… número desconhecido. Franzi o cenho, mas atendi. — Alô? — Paula?! É a Duda! — a voz do outro lado me fez parar no meio da ladeira. — Duda? Caramba… quanto tempo! — falei, surpresa. — Que número é esse? — Troquei de ch

