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4897 Palavras
Fabiano Eu parei no estacionamento da Roger's Arena, desligando o motor. Meus músculos já estavam tensos com a ansiedade. A emoção de lutar ainda me tomava depois de todos esses anos. Na gaiola, não importava se o seu pai era Consigliere ou um peão. Não importava o que as pessoas pensavam de você. Tudo o que importava era o momento, suas habilidades de luta, sua habilidade de ler o inimigo. Era um contra um. A vida raramente era tão justa quanto isso. Eu entrei na Roger's Arena. Já estava lotado. O fedor de suor velho e fumaça pairava no ar. Não era um lugar convidativo. As pessoas não vinham aqui pela atmosfera ou boa comida. Eles vinham por dinheiro e sangue. A primeira luta estava prestes a começar. Os dois oponentes já estavam de frente um para o outro no centro da gaiola. Eles não eram a atração principal. Os olhos se voltaram para mim e rapidamente se afastaram, enquanto eu passava a passos largos pelas mesas com os espectadores. Minha luta era a última. Eu lutaria contra o pobre o****o que provou ser o melhor das últimas semanas. Remo achou bom que eu batesse os lutadores mais fortes numa polpa sangrenta em uma gaiola para mostrar a todos que tipo de Executor a Camorra tinha. E eu não me importava. Isso me ajudou a lembrar do começo, me ajudou a manter os pés no chão e c***l. Quando você se permitia ser mimado, se prepararia para o ataque e para o fracasso. Meus olhos foram atraídos para o bar. Levei um momento para reconhecê-la, sem tremer e pingando como ontem. Ela tinha longos cachos cor de âmbar, características afiadas e elegantes. Ela estava servindo bebidas para os homens reunidos no bar, homens com olhos de lobos famintos. Ela estava focada na tarefa, alheia aos seus olhares. Era óbvio que ela não tinha muita experiência trabalhando em um bar. Ela demorou demais para servir uma simples cerveja. Para ser honesto, eu não esperava que ela começasse a trabalhar aqui. Que ela tinha aceitado o emprego depois de ver a gaiola me disse duas coisas: ela estava desesperada e tinha visto pior em sua vida. Ela olhou para cima, percebendo minha atenção. Eu ainda esperei pela reação inevitável. Não veio. Ela sorriu timidamente, seus olhos registrando minhas roupas. Nenhum terno hoje. Calça jeans preta e camisa preta de mangas compridas, meu estilo preferido, mas às vezes o terno era necessário. Ela hesitou, então rapidamente voltou para a tarefa de servir cerveja para um velho filho da p**a. Quem era essa garota? E por que ela não estava com medo? Virando meus olhos para longe dela, fui em direção a Roger que estava conversando com nosso agenciador de apostas Griffin. Eu apertei a mão de ambos os homens. Então eu balancei a cabeça em direção ao bar. — Garota nova? Roger encolheu os ombros. — Ela apareceu hoje no meu escritório, procurando emprego. Eu preciso de uma nova equipe. — Ele me olhou incerto. — Você quer que eu alerte Stefano? Stefano era o nosso sedutor. Ele predava mulheres, fingia estar apaixonado por elas e acabava obrigando-as a trabalhar em um dos bordéis da Camorra. Não me dava bem com ele. Eu balancei a cabeça. — Ela não se encaixa no perfil. Não sabia como Stefano escolhia as garotas que ele perseguia, e eu não dava à mínima. — Então, como está indo? — Eu balancei a cabeça em direção ao iPad de Griffin, onde ele tinha todas as apostas chegando. — Bem. Os poucos idiotas que apostaram contra você nos trarão muito dinheiro. Eu balancei a cabeça, mas meus olhos foram até o balcão do bar novamente, não tinha certeza do por que. Levei a garota para casa ontem à noite por um capricho, e foi isso. — Eu vou pegar algo para beber. Não esperei que eles respondessem, fiz meu caminho em direção ao bar. As pessoas arriscavam olhar para mim como sempre faziam antes de desviar o olhar. Era chato pra c*****o. Mas trabalhei duro para ganhar o medo deles. Eu parei em frente ao balcão e coloquei minha bolsa de ginástica ao meu lado, em seguida, sentei em um banquinho. Os homens do outro lado do bar lançaram olhares inquietos na minha direção. Reconheci um deles como alguém que visitei por causa de três mil recentemente. Seu braço ainda estava engessado. A garota se aproximou de mim. Sua pele estava levemente bronzeada, mas não tinha o tom de bronze não natural de alguém que ia para as espreguiçadeiras como a maioria das mulheres que trabalhavam em nossos lugares. — Eu não esperava vê-lo tão cedo novamente, — disse ela. Ela deu aquele sorriso tímido que me lembrou de dias passados. Dias que queria esquecer a maior parte do tempo. Ela tinha uma leve pitada de sardas no nariz e nas bochechas, e olhos azuis de centaurea com um anel mais escuro ao redor deles. Agora que o cabelo dela não estava molhado, era castanho escuro com reflexos dourados. Eu descansei meus antebraços no balcão, contente que minhas mangas compridas cobriam minha tatuagem. Haveria tempo para a revelação depois. — Eu disse a você que frequentava este lugar. — Nenhum terno, mas todo de preto. Você gosta de escuro, suponho — brincou ela. Eu sorri. — Você não tem ideia. Suas sobrancelhas se juntaram, então o sorriso retornou. — O que posso fazer por você? — Um copo de água. — Água, — ela repetiu em dúvida, os cantos de sua boca se contorcendo. — Essa é a primeira vez. — Ela soltou uma risada suave. Eu não tinha colocado minha roupa de luta ainda. Não disse a ela que tinha uma luta marcada naquela noite, que era uma das razões pelas quais eu não podia beber, e que eu tinha que quebrar algumas pernas pela manhã, que era a outra. Ela me entregou um copo de água. — Ai está, — disse ela, andando ao redor do bar e limpando uma mesa ao meu lado. Eu deixei meus olhos percorrerem seu corpo. Ontem eu não tinha prestado atenção suficiente aos detalhes. Ela era magra e pequena, como alguém que nunca soube se haveria comida na mesa, mas conseguia se portar com certo ar gracioso, apesar de suas roupas surradas que não favoreciam a forma de seu corpo. Ela estava usando o mesmo vestido de ontem, e aqueles chinelos horríveis, ainda completamente errados para o tempo. — O que a trouxe aqui? — Eu perguntei. Seu pai morava em uma parte r**m da cidade. Eu não podia acreditar que ela não tivesse outro lugar onde pudesse ficar. Em qualquer outro lugar teria sido melhor. Com suas sardas, sorriso tímido e características elegantes, ela pertencia a um subúrbio agradável, não um bairro fodido e definitivamente não em um clube de luta em território da máfia. Mas o último foi minha culpa, claro. — Tive que morar com meu pai porque minha mãe está de volta à reabilitação, — disse ela sem hesitação. Não houve reserva, sem cautela. Presa fácil neste mundo. — Eu conheço seu pai? — Perguntei. Suas sobrancelhas franzidas. — Por que você conheceria? — Conheço muitas pessoas. E ainda mais pessoas me conhecem, — eu disse com um encolher de ombros. — Se você é famoso, você deveria me dizer, então não passarei vergonha com a minha ignorância, — brincou ela facilmente. — Não sou famoso, — eu disse a ela. Notório era mais parecido com isso. Ela balançou com a mão para mim. — Hoje você não parece um advogado ou um homem de negócios. — O que eu pareço então? Um suave rubor viajou por sua garganta. Ela deu de ombros delicadamente antes de voltar para trás do bar, então hesitou novamente, olhando meus braços que eu tinha apoiado no bar. — Talvez você possa me ajudar a pegar algumas caixas de cerveja no porão. Duvido que Roger queira fazer isso e não acho que eu seja forte o suficiente. Parece que você pode carregar duas ou três sem suar a camisa. Ela se virou e caminhou até a porta vaivém, tomando à dianteira, depois lançou um olhar por cima do ombro para ver se eu a estava seguindo. Eu coloquei meu copo no balcão e me levantei, curioso. Ela parecia completamente inconsciente do que eu era. E não quis dizer minha posição na máfia. As pessoas geralmente ficavam inquietas ao meu redor, mesmo sem ver minha tatuagem. Ela não era uma boa atriz e teria sentido o medo se ela escondesse algum. Segui-a até os fundos e depois pela longa escadaria para o depósito. Eu conhecia o lugar, usei para algumas conversas mais intensas com os devedores. A porta se fechou atrás de nós. Um lampejo de suspeita passou por mim. Ninguém poderia ser tão confiante. Isso era uma armação? Mas isso teria sido igualmente e******o. Ela procurou no fundo da sala. Ela nunca olhou por cima do ombro para ver o que eu estava fazendo. Confiante demais. Muito inocente. — Ah, aqui estão elas, — disse ela, apontando para as caixas de cerveja. Ela olhou para mim, então franziu a testa. — Algo está errado? Ela parecia preocupada. p***a, p***a. Ela parecia preocupada comigo. Todas as outras garotas de Vegas, e todo homem também, teriam se cagado se estivessem em um porão à prova de som a sós comigo. Eu queria colocar algum juízo nela. Eu andei a passos largos em direção a ela e peguei três caixas. Quando me endireitei, senti um aroma doce. p***a. Ela sorriu para mim. Estava quase sem maquiagem, apenas o suficiente para destacar sua beleza natural. Ela tocou a suave camada de sardas na bochecha timidamente. — Tenho alguma coisa no meu rosto? — Ela perguntou com uma risada constrangida. Eu poderia dizer que ela era autoconsciente sobre suas sardas. Mas f**a-me, eu gostei delas. — Não, — eu disse. — Oh, tudo bem, — disse ela. Ela procurou meus olhos, as sobrancelhas se juntando. Não tente olhar por trás dessa máscara, garota. Você não vai gostar disso. — Nós provavelmente deveríamos voltar para o andar de cima. Não devo deixar o bar sozinho por tanto tempo. Ela tinha visto algo no meu olhar que finalmente colocou uma saudável dose de medo nela? Pelo jeito que ela segurou a porta aberta para mim com a mesma expressão inocente, eu receava que não. Eu balancei a cabeça em direção às escadas. — Vá em frente. — Ela hesitou, em seguida, caminhou na minha frente. Talvez ela pensasse que eu queria dar uma boa olhada em sua b***a, mas não era apenas seu vestido que tornava isso impossível, mas odiava ter pessoas atrás de mim. Passamos pelo estreito corredor quando a porta da área principal se abriu e Roger e Stefano entraram. Ambos pareciam consternados ao me verem com a garota. Seu rosto se transformou em uma expressão de desconforto ao ver Stefano, o que me deixou curioso. Ele parecia o sonho de qualquer sogra e seu charme era a melhor arma da Camorra quando se tratava de atrair mulheres para os nossos bordéis no final das coisas. — Fabiano, posso falar com você? — Roger perguntou, seus olhos examinando a garota, provavelmente procurando por um sinal de que eu a agredi no depósito. Mas Stefano também estava me dando um olhar contemplativo. — Volte para o trabalho, Leona. Leona. Então era esse o nome dela. Ela não me pareceu uma leoa. Talvez houvesse mais nela. Ela não se moveu apesar do pedido de Roger. Seus olhos estavam em mim. Eu assenti. — Vá em frente, — eu disse a ela. — Eu estarei lá em um minuto. Ela saiu e, para minha total irritação, Stefano decidiu ir atrás dela. Afaste-se, filho da p**a. Ele definitivamente colocaria sua mira nela. Por que ele estava mesmo considerando ela para um dos nossos bordéis? Ela realmente não parecia desse tipo. — Eu sei que você lida com as coisas da maneira que quiser, mas recentemente eu perdi muitas garçonetes para os bordéis da Camorra ou acidentes infelizes. Esses acidentes foram principalmente relacionados aos soldados de Remo agindo. — Estou feliz por ter essa nova garota. Os clientes parecem gostar dela e ela realmente sabe como se comportar. Eu apreciaria se ela fosse minha funcionária por mais de duas semanas. — Nós lidamos com as coisas como queremos, você disse isso, Roger, — eu disse em aviso. — Se decidirmos colocá-la em um dos nossos outros estabelecimentos, não iremos lhe pedir. Ele assentiu, mas não gostou. Isso fez dois de nós. Passei por ele e empurrei a porta com o cotovelo, depois voltei para trás do balcão. Leona estava ocupada conversando com dois clientes antigos, rindo de algo que eles haviam dito. Stefano estava sentado no outro extremo do bar, observando-a como um falcão. Seu cabelo castanho estava penteado para trás de forma imaculada. Aposto que o babaca passou horas na frente do espelho. Leona parecia determinada a ignorá-lo, no entanto. Eu abaixei as caixas. Leona me lançou um olhar agradecido. Os homens atrás do bar rapidamente se concentraram em sua cerveja. Eu caminhei ao redor do bar e peguei minha bolsa de ginástica onde eu a deixei no banco antes de parar ao lado de Stefano. Ele olhou para mim de sua posição sentada. Ele estava abaixo de mim na máfia, então o brilho desafiador em seus olhos me fez considerar colocar minha faca neles. — Você pensa em fazer um movimento sobre ela? — Estou pensando nisso, — disse ele. — Ela parece que iria responder bem ao menor sinal de bondade, faz com que seja fácil de manipular. — Esse olhar malicioso de merda, ainda estaria em seu rosto se eu cortasse sua garganta? — Ela não parece interessada em seus avanços. — Isso vai mudar, — disse ele presunçosamente. — Remo a viu? — Essa era a única coisa que importava, na verdade. — Não. Eu acabei de encontrá-la. Mas tenho certeza que ele vai aprovar. Eu tinha a sensação de que Stefano estava certo. — Não perca seu tempo. Ela já tem dono. — Quem? — Eu, — eu rosnei. Ele franziu a testa para mim, mas depois deu de ombros, esvaziou a cerveja e saiu. Eu observei suas costas enquanto ele desaparecia pela porta dos fundos. Stefano era alguém para ficar de olho. Ele e eu nunca nos demos bem. Tinha a sensação de que isso não mudaria tão cedo, mas ele sabia que não deveria mexer em alguém que eu queria. Meus olhos encontraram Leona novamente. Ela estava assistindo minha conversa com Stefano com uma expressão confusa, mas com o ruído de fundo do bar ela não poderia ter ouvido nada. Ela era tão diferente das mulheres que costumavam frequentar os lugares onde eu passava meu tempo. Havia pessoas incapazes de esconder o medo e aquelas que esperavam ganhar algo por estarem perto de mim. Mas ela não sabia quem eu era. Era estranho ser tratado como alguém... normal. Eu lutei muito para receber o respeito e medo que todos me mostravam, mas não me incomodava que ela não soubesse do meu status. Eu me perguntei quando alguém diria a ela e como ela olharia para mim então. — Eu conheço esse olhar, — disse Remo, se esgueirando ao meu lado. Eu deveria ter percebido que ele entrou na cena. As pessoas pareciam ainda mais desconfortáveis do que apenas comigo no salão. Ele acenou com a cabeça em direção a Leona. — Leve-a se quiser. Ela é sua. Ela não é ninguém. Não é como se precisássemos dela de qualquer maneira. Ela não parece um entretenimento para mim. Eu olhei para Leona. Ela estava limpando o balcão, inconsciente dos olhares indecentes que estava recebendo de alguns dos homens ao seu redor. — Eu não quero levá-la, — eu disse. Em seguida, alterado quando vi a expressão de Remo. — Eu não vou. — Por que não? — Remo perguntou curiosamente. Perigo. — Você mesmo disse, ela não parece um entretenimento. — Talvez ela seja divertida quando estiver tentando lutar com você. Pode valer a pena tentar. Algumas mulheres se transformam em gatos selvagens quando estão encurraladas. — Ele bateu no meu ombro. Eu não disse nada. Remo encolheu os ombros. — Mas se você não a quer... — Eu quero, — eu disse rapidamente. — Eu apreciaria se espalhasse a notícia que tenho meus olhos fixos nela. Apenas no caso. Não quero que Stefano mexa com ela. Remo riu. — Certo. Faça sua reivindicação sobre ela, Fabiano. Essa era a vantagem de estar do lado bom dele. Remo me permitia coisas que seus outros soldados nem sonhavam. Ele me deixou com isso e foi para uma mesa com alguns dos grandes apostadores de um dos nossos cassinos premium. Voltei para o bar. Haveria tempo para colocar meu calção de luta depois. Os outros homens se desculparam e Leona se aproximou de mim, parecendo intrigada. — Estou perdendo algo? Dei de ombros. — Eu sou a razão pela qual alguns deles perderam dinheiro. — E membros. Ela abriu a boca para dizer algo mais, mas o som de um corpo batendo contra a gaiola a silenciou, seguido por uma rodada de aplausos em êxtase. Ela bateu a mão sobre os lábios, os olhos arregalados. Eu olhei por cima do meu ombro. Um dos lutadores estava deitado no chão, inconsciente. O outro estava de pé em cima dele, braços erguidos, fazendo algum tipo de dança vitoriosa e fraca. Talvez ele fosse meu próximo adversário em algumas semanas, se ele ganhasse mais algumas vezes. Eu teria que quebrar seus joelhos para evitar futuras escapadas de dança. — É horrível, — Leona sussurrou, a voz entupida de compaixão, como se ela pudesse sentir sua dor. Eu me virei para ela. — Por que alguém quer assistir algo tão brutal? Brutal? Ela não tinha visto brutal ainda. Se ela tivesse sorte, nunca o faria. — É da nossa natureza, — eu disse. — Sobrevivência do mais forte. Lutas de poder. Sede de sangue. Isso tudo ainda está enraizado em nosso DNA. — Eu não acho que isso seja verdade, — argumentou ela. — Acho que seguimos em frente, mas às vezes caímos em velhos hábitos. — Então, por que as pessoas ainda seguem os fortes? Por que as mulheres preferem os machos alfas? Ela bufou. — Isso é um mito. Eu levantei uma sobrancelha e me inclinei mais perto. Eu peguei um vislumbre dentro do vestido dela. Algodão branco. Claro. — É? — Eu perguntei. Ela examinou meu rosto, vermelho subiu para sua garganta e bochechas. Eu sufoquei uma risada. Levantei-me antes que ela pudesse dizer qualquer coisa. Precisava me trocar. — Volto daqui a pouco, — eu disse a ela. Quando entrei no vestiário, os outros lutadores ficaram em silêncio. Alguns deles retornaram meu olhar, apenas um me desafiou abertamente com seus olhos. Eu assumi que ele seria meu oponente hoje à noite. Ele tinha em torno de 1,93 cm. Apenas três centímetros mais alto do que eu. Bom. Talvez esta seja uma luta mais longa. Eu tirei a roupa, então puxei minha boxer. Esperava que eles tivessem visto todas as cicatrizes. Eles não sabiam nada de dor. Eu enviei a meu oponente um sorriso. Talvez ele vivesse para ver o amanhã. Saí do vestiário e voltei para o bar. Leona estava congelada enquanto seus olhos se arrastavam dos meus pés descalços até meu short e meu peito nu. Ela deixou cair o copo que estava limpando de volta para a água da lavagem. Uma miríade de emoções brilhou em seu rosto. Choque. Confusão. Fascinação. Apreciação. Esse último eu pude sentir no meu p*u. Eu trabalhei duro pelo meu corpo. Eu peguei meu copo e bebi o resto da minha água. Então tirei a fita da minha bolsa e comecei a envolver minhas mãos, sentindo seu olhar curioso em mim o tempo todo. — Você é um deles? Inclinei a cabeça, sem saber ao que ela estava se referindo. Um lutador? Um m****o da Camorra? Um assassino? Sim, sim, sim. Não havia medo em seus olhos, então disse: — Um lutador de gaiola? Sim. Ela lambeu os lábios. Aqueles malditos lábios rosados deram ao meu p*u ideias que eu não precisava antes de uma briga. — Espero não ter te ofendido mais cedo. — Porque você acha que é muito brutal? Não. É o que é. Seus olhos continuavam traçando minha tatuagem e as cicatrizes e, ocasionalmente, meu abdômen. Eu me inclinei sobre o bar, aproximando nossos rostos. Eu sabia que todos estavam nos observando, mesmo que eles tentassem fazer isso secretamente. — Você ainda está certa de que as mulheres não gostam de machos alfa? — Eu murmurei. Ela engoliu em seco, mas não disse nada. Eu dei um passo para trás. Todos na sala deveriam ter entendido a mensagem. O olhar que ela me deu apertou minhas bolas. Algo sobre essa garota me atraia. Eu não podia dizer o que era, mas descobriria. — É a minha vez, — eu disse a ela quando terminei de enfaixar minhas mãos. — Não se machuque, — ela disse simplesmente. Os homens perto do bar trocaram olhares, rindo, mas Leona não sabia da reação deles. — Eu não vou, — eu disse, então me virei e atravessei as mesas em direção à gaiola de combate. Entrei na gaiola sob os uivos e aplausos estrondosos da multidão. Eu me perguntei quantos apostaram contra mim. Eles ficariam ricos se ganhassem isso. Claro, eles nunca ganhariam. Peguei Leona me observando por trás do balcão do bar, os olhos ainda arregalados de surpresa. Sim, eu era um lutador, e essa ainda era a parte menos perigosa de mim. Ela largou o que estava fazendo e deu a volta no balcão. Ela subiu em um banco do bar, sacudiu os chinelos e levantou as pernas até que se sentou de pernas cruzadas, a saia do vestido caindo cuidadosamente sobre as coxas. Essa garota. Ela não pertencia aqui. Meu adversário entrou na gaiola. Ele se chamava Snake. Ele até tinha cobras tatuadas em sua garganta; subindo sobre as orelhas e soltando as presas dos dois lados da cabeça. Snake. Que nome i****a pra se dar. Eu não sabia por que as pessoas achavam que um nome assustador as faria parecer assustadoras. Eu nunca tive que me chamar de nada além de Fabiano, e foi o suficiente. O juiz fechou a porta e explicou as regras para nós. Não havia nenhuma. Exceto que isso não era uma luta até a morte, então Snake provavelmente viveria. Snake bateu no peito com as mãos planas, deixando escapar um grito de guerra. Qualquer coisa que acenda a coragem dele… Levantei a mão e acenei para ele. Eu queria começar essa luta. Com um rugido ele me atacou como um touro. Eu me esquivei dele, agarrei seu ombro e bati meu joelho em seu lado esquerdo três vezes em rápida sucessão. O ar deixou seus pulmões, mas ele não caiu. Ele girou o punho para mim. E pegou meu queixo. Pulei para trás, mirando um chute forte em sua cabeça e apesar de sua reação rápida, meu calcanhar pegou sua orelha. Ele cambaleou dentro da gaiola, balançou a cabeça e atacou novamente. Isso seria divertido. Ele durou mais que o anterior. Mas eventualmente os pontapés na cabeça dele o pegaram. Seus olhos ficaram fora de foco mais e mais. Eu agarrei-o pela parte de trás de sua cabeça, levantei meu joelho ao mesmo tempo em que empurrei seu rosto para baixo. Seu nariz e bochecha quebraram contra o meu joelho. Ele gritou com voz rouca e tombou para trás. Eu fui atrás dele, o joguei na gaiola, e quando ele bateu no chão com um estrondo retumbante, me agachei sobre ele e bati meu cotovelo em seu estômago. Uma vez. Duas vezes. Ele bateu levemente no chão, o rosto inchado e respirando com dificuldade. Desistindo. — Rendição! — Gritou o juiz. Eu nunca entendi homens como ele, morreria antes de me render. Havia honra na morte, mas não em implorar por misericórdia. Eu me levantei. A multidão aplaudiu. Remo me deu os polegares para cima do lugar dele na mesa com os grandes apostadores. Eu poderia dizer pelo brilho animado em seus olhos que ele queria entrar na gaiola novamente em breve. Levar os altos apostadores no papo, que estava no alto da sua lista de ódio. Mas alguém tinha que fazer isso. Nino era eloquente e sofisticado, mas depois de um tempo esqueceu-se de colocar emoções em seu rosto e, assim que as pessoas percebiam que ele não tinha nenhuma, corriam o mais rápido que podiam. Savio era adolescente e caprichoso e Adamo. Adamo era um garoto. Eu me virei. Leona ainda estava sentada no banquinho em frente ao bar, me observando horrorizada. Esse era um olhar que se aproximava aos que eu estava acostumado nas pessoas. Vendo-me assim, coberto de sangue e suor, talvez ela entendesse por que deveria estar apavorada comigo. Ela desembaraçou as pernas do vestido, desceu do banquinho e desapareceu pela porta vaivém. Saí da gaiola, pingando sangue e suor no chão. Eu precisaria me costurar. — Boa luta. — Eu ouvi ocasionalmente. Apertei algumas mãos me parabenizando e depois me retirei para o vestiário. Estava vazio, vendo que a minha tinha sido a última luta e meu oponente estava a caminho do hospital. Eu abri meu armário quando uma batida soou. Eu peguei uma das minhas armas e segurei-a nas minhas costas enquanto me virava. — Entre. A porta se abriu antes que Leona enfiar a cabeça, os olhos fechados. — Você está decente? Eu coloquei minha arma de volta na minha bolsa de ginástica. — Eu sou o cara menos decente da cidade. — Exceto por Remo e seus irmãos, talvez. Ela abriu os olhos com cautela, procurando na sala até que eles se fixaram em mim. O alívio inundou seu rosto e ela entrou na sala antes de fechar a porta atrás dela. Minhas sobrancelhas se ergueram. — Você está aqui para me dar um presente de vitória? — Eu perguntei, encostado nos armários. Meu p*u tinha todo tipo de presentes em mente. Todos eles envolviam sua boca perfeita, e sua b****a sem dúvida perfeita. — Oh, eu só tenho uma garrafa de água e toalhas limpas. — Ela me mostrou o que segurava em suas mãos, sorrindo e desculpando-se. Eu balancei a cabeça, rindo. Deus, essa garota. Realização inundou seu rosto. — Oh, você quis dizer... — Ela gesticulou na direção de seu corpo. — Ah não. Não. Desculpe. Fechei meus olhos, lutando contra o desejo de rir. Fazia um tempo desde que uma mulher me fez rir. Principalmente elas apenas me fizeram querer fodê-las sem sentido. — Espero que você possa viver com uma garrafa de água gelada, — disse ela em uma voz provocante. Quando abri os olhos, ela estava na minha frente, estendendo a garrafa. Ela era mais do que uma cabeça menor do que eu e a menos de um braço de distância. Garota i****a. Ela precisava aprender a autopreservação. Peguei a garrafa e esvaziei em alguns goles. Ela examinou meu corpo. — Há muito sangue. Eu arrisquei olhar para baixo. Havia um pequeno corte nas minhas costelas, onde uma borda afiada da gaiola me tocou, e hematomas se formaram sobre o meu rim esquerdo e na minha coxa direita. A maior parte do sangue não era meu. — Não é nada. Eu tive piores. Seus olhos se demoraram na minha testa. — Você tem um corte que precisa ser tratado. Existe um médico por perto que eu deveria chamar? — Não. Eu não preciso de um médico. Ela abriu a boca como se quisesse discutir, mas depois pareceu pensar melhor. Ela fez uma pausa. — Você parecia tão... — Ela balançou a cabeça, o nariz franzindo da maneira mais adorável possível. p***a, essas malditas sardas. — … Não sei como descrever. Feroz. Eu me endireitei, surpreso. Ela parecia quase fascinada. — Você não estava enojada? Pensei que fosse muito brutal. Ela encolheu os ombros, um movimento delicado. — Estava enojada. É um esporte tão marcial. Eu nem sei se você pode chamar assim. É tudo sobre bater uns nos outros. — É também sobre ler seu oponente, sobre ver suas fraquezas e usá-las contra ele. É sobre velocidade e controle. — Eu a examinei novamente, lendo-a como fiz com meus oponentes. Não foi difícil adivinhar porque Stefano a escolheria se eu permitisse. Era óbvio que ela teve uma vida difícil, que ela tinha pouco, que não havia ninguém para cuidar dela, nunca teve. Era óbvio que ela queria mais, que queria alguém para cuidar dela, alguém que fosse gentil com ela, alguém para amar. Stefano era bom em fingir que era alguém assim. Ela acabaria aprendendo que era melhor confiar apenas em si mesma. Amor e bondade eram raros, não apenas no mundo da máfia. — Eu não entendo porque as pessoas veem os outros se machucarem de propósito. Por que as pessoas gostam de infligir dor a alguém? Eu era a última pessoa que ela deveria perguntar. Ela nunca tinha me visto machucar as pessoas. Aquela briga era uma piada em comparação aos meus trabalhos como executor da Camorra. Eu gostava de machucar as pessoas. Era bom nisso, aprendi a ser bom nisso.  
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