Capítulo 19

2432 Palavras
Vinícius dormia ao meu lado, enquanto eu lia no meu k****e. Aproveitei para distrair a cabeça dos meus próprios pensamentos. Enquanto a respiração cadenciada no meu pescoço me fazia cócegas. Vinícius grudava em mim como um carrapato enquanto dormia, ficava até difícil me mover. Contudo, eu não me importava. Seus braços ao meu redor ofereciam uma sensação tão boa de calmaria e segurança. Não tinha como reclamar. Larguei o k****e, virando de lado com cuidado para não acordá-lo e fiquei rodeando seu rosto com a ponta dos dedos. Observei seus cílios longos e escuros lançando sombras em suas bochechas. Os lábios cheios entreabertos, me convidando a beijá-lo. Sua pinta no lábio superior também era um charme. Vinícius todo era uma tentação, eu tirei a sorte grande. Não só por ele ser lindo a ponto de fazer meu coração palpitar. Mas por ser gentil, atencioso, adorável e mais um monte de qualidades que eu ficaria descrevendo sem me cansar. Ele soltou um suspiro e abriu um sorriso, ainda de olhos fechados, antes de dizer: — Seus dedos estão fazendo cócegas em mim. — Desculpe — murmurei, não queria despertá-lo. — Eu estou sonhando? — divagou, raspando a barba no meu ombro. Vinícius adorava fazer isso. — Você aqui, comigo. Às vezes, parece um sonho, e eu tenho medo de acordar. — Eu não vou a lugar algum — sussurrei em resposta. — Promete? — Prometo — confirmei, mas o meu estômago roncou, provocando uma gargalhada nele e estragando todo o clima romântico. — Acho que estou com fome. — Quer pedir algo ou confia nas minhas habilidades culinárias? — perguntou com um toque de diversão na voz. — Da última vez que cozinhou para mim, acabamos brigados — alfinetei. Vinícius fez uma careta. — Não vou cometer o mesmo erro duas vezes, agora se quiser brigar, vai fazer isso sozinha. Não vou deixar você sair por aquela porta brava comigo nunca mais — respondeu convicto. — Nunca mais é muito tempo — lembrei, só para pirraçar. — Sou um homem de palavra. — Pegou minha mão. — Vem. — Eu estou praticamente pelada! — exclamei, tentando me cobrir. — O que tem? Eu já vi tudo, aliás, se me permite dizer. Gostei bastante da visão — gracejou, deixando um beijo em minha boca. — Você tá bem saidinho — murmurei, pegando o roupão que estava pendurado próximo da cama. — Não quero ser a vizinha pelada na janela. — Vinícius riu, mas também não estava exatamente vestido. — Também não quero que seja o vizinho pelado. Ele entendeu o recado e também vestiu um roupão: — Você manda. No final, acabamos esquentando lasanha de microondas e voltamos para o quarto. Desta vez colocamos um filme para assistir juntinhos, enquanto eu refletia que tudo aquilo realmente parecia um sonho. — Então, ansiosa para conhecer sua sogra? — indagou, começando a comer. — Bastante. — Será que o Luan vai gostar? — Ele provavelmente não vai — contei, vendo a decepção no olhar do Vinícius. — Meu irmão quer viajar para Minas com a Vanda e passar o restante das férias com os amigos. — Então seu irmão não vai viajar com a gente? — perguntou surpreso. — Não, ele não gosta muito de calor, acho que já se decidiu — fiz uma careta. — Fui trocado — lamentou, fazendo um bico. Acabei rindo. — Vai ser o primeiro Natal que vamos passar separados, mas o Luan está crescendo. Ele não quer mais ficar grudado em mim, principalmente agora que tenho você — revelei, fazendo a expressão do Vinícius mudar para uma mais conformada. Vinícius balançou a cabeça em concordância. — Ficamos combinados, vou ver nossas passagens para semana que vem — objetou, pegando o notebook ao lado da cama. — Perfeito — concordei com a boca razoavelmente cheia. Nunca tive vergonha de comer na frente do Vinícius, agora que ele me viu nua, muito menos. Enfim, enquanto Vinícius mexia no computador, algo me veio à mente e resolvi dizer antes que me esquecesse. — Sabe, eu tive dificuldade em acreditar que você era o dono da livraria — iniciei, ganhando a sua atenção. — Eu meio que esperava um velho caquético e autoritário, não um gatinho de olhos verdes que fosse exatamente o tipo ideal de homem pra mim. Vinícius coçou a nuca, dando risada. — Acho que nem eu acredito ainda que sou o dono — falou com pesar na voz — Queria que tivesse conhecido meu pai também, ele não era um velho caquético, mas... Sabe, sinto falta dele — suspirou, fazendo carinho no meu rosto. Acariciei seus cabelos. — Sinto muito, queria conhecê-lo. — Tudo bem, ainda dói, só acho que ficou menos difícil — assenti, apenas. — Principalmente agora que tenho você, e ele ia ia te adorar, tenho certeza. — Fico feliz em saber disso — respondi, acariciando seu rosto com o coração explodindo de tantos sentimentos recém descobertos. Pelo que Vinícius me contou, o pai faleceu de câncer na próstata. Quando descobriu já estava muito avançado e em menos de um ano ele se foi. Não procurei saber mais, pois deveria ser doloroso falar sobre isso. Eu não queria que Vinícius sofresse. Portanto, resolvi mudar de assunto, eu já conhecia meu namorado o suficiente para saber que ele sentia muita falta do pai e isso sem ele precisar me dizer em palavras. — Aliás, você não me explicou como a Sabrina descobriu tudo sobre você — mencionei, esperando que o assunto o distraísse. — Ela me ouviu conversando com o Arthur e não tive o que fazer, além de explicar. — Deu de ombros. — Bem a cara dela fazer isso mesmo — refleti, dando risada. — Vocês não se davam muito bem, né? Fiquei surpreso quando ela falou que iria morar com você — ponderou, eu fiz que sim com a cabeça. — Pois é, resolvi que estava cansada de afastar todo mundo. No fim descobri que a Sabrina é melhor do que eu imaginava e tem muitas qualidades boas — apontei. — Algumas pessoas nos surpreendem. Ele cutucou minha testa. — Você fez a mesma coisa comigo, foi difícil ultrapassar seu escudo — afirmou, largando o computador por um instante. — Mas você conseguiu, parabéns — respondi com sarcasmo. — Que bom! — disparou, vindo com os dedos para me fazer cócegas. — Você não ouse, Vinícius — retruquei fingindo estar brava. O restante do dia passou assim, com nós dois conversando sobre amenidades. Como um casal de namorados que estavam juntos há bastante tempo e eu não conseguia deixar de pensar que estava prestes a amar Vinícius. Se já não amasse. — Tá calor! — exclamei, olhando lá fora. — Quer dar um pulo na piscina? — Deu a ideia. Não precisei pensar duas vezes. — Lógico! — confirmei, rindo. — Mas não trouxe biquíni, nem nada. — Nada pra mim está ótimo — retrucou maliciando. Dei risada. — Você aprende bem rápido, né? — provoquei, e ele me puxou para um beijo. — Sempre fui um aluno dedicado. — Lembra a parte do: não quero ser a vizinha pelada da vizinhança? — alertei divertida. — Vai ser mais fácil comprar um biquíni aqui perto, do que buscar na sua casa — argumentou, deixando beijinhos no meu ombro. — Vamos então, antes que o sol desapareça. — Vinícius concordou prontamente. Em questão de quinze minutos estávamos em uma loja de roupas há menos de um quarteirão da casa dele. Optei por um modelo de cortininha, que comportava bem meus s***s medianos e ele escolheu uma sunga branca. Colabora, Vinícius! Ao chegarmos, corri para colocar o biquíni. Seus olhos permaneceram em mim durante todo o processo, ao terminar, dei uma voltinha e ele soltou um assovio daqueles de caminhoneiro, com dois dedos na boca. — Uau, quem é essa sereia? Será que ela já tem namorado? — perguntou, arrancando um sorriso meu. Enlacei seu pescoço. — Você parece protagonista masculino de livro romântico escrito por mulher — gracejei. Vinícius riu. — Isso é bom ou r**m? — Na verdade é muito bom — confirmei. — Vamos logo! Passei protetor solar rapidamente em mim e no Vinícius. Esparramando o produto em suas costas e nas bochechas. Ele me ajudou nas partes que eu não conseguia, me apalpando mais do que o necessário. Mas tentei não dar muita moral. Estava ansiosa para pular naquela piscina, pelo menos até constatar que a água estava fria a beça. — Tá congelando — reclamei, mas fui relaxando quando o sol ficou a pino e finalmente esquentou um pouco mais a água. Vinícius parecia um peixe, nadava de lá para cá como se estivesse nas olimpíadas. Então entendi o porquê das costas largas e tudo o mais, ele gostava daquilo. Enquanto isso eu me aventurava de leve, porque não era boa nadadora e preferi ficar espiando meu namorado gostoso. Vinícius levantou abruptamente e balançou os cabelos molhados ainda mais escorridos por causa da água. Parecia cena de comercial masculino de qualquer coisa que eu compraria com certeza se Vinícius fosse o modelo. — Vem? — Ele me chamou e passamos bastante tempo aproveitando o calor na piscina. Até eu começar a ficar com fome. Vinícius foi ligar a churrasqueira, enquanto eu deitei na espreguiçadeira para me secar. E, quando dei por mim, peguei no sono. Acordei com o cheiro inconfundível de churrasco, sentindo meu estômago protestar de tanta fome. — A bela adormecida acordou? — Ouvi sua voz. Vinícius vestia uma bermuda e continuava sem camiseta. Ele tinha um corpo definido no ponto certo, era uma delícia. Eu amava todo o conjunto da obra, mas aqueles olhos verdes e a pinta no lábio superior me deixavam fraca. Vinícius preparou um prato, pegou duas long necks com uma das mãos e veio até mim. Inclusive, notei que seus olhos pareciam quase cristalinos graças ao sol refletindo em seu rosto corado. Que diacho de homem bonito da pega! Em seguida ele ligou o home theater da sala e a tarde foi embora, dando lugar a um início de noite gelado. Vinícius me levou para dentro de casa e fomos tomar um banho. Pasmem, de hidromassagem. Aliás, eu poderia me acostumar com essa vida de luxo sem maiores dificuldades. Ao final da noite, depois de conversar com Luan ao telefone, constatei que ele nem queria saber de mim. Além de dizer que era para eu namorar muito, porque assim deixaria de ser tão chata. Eu nem era tão chata assim. (...) No outro dia, marcamos de ir até a casa da Sabrina porque do contrário ela teria um surto. Apesar de eu preferir continuar com Vinícius, aceitei que não poderíamos ficar naquela bolha de amor para sempre. Sabrina parecia animada com nossa visita. — Que bom que vieram — falou, pulando no meu pescoço. — Cadê o Luan? — Ele ficou no vício, o videogame — contei, fazendo Sabrina rir. — Aquele pestinha, achei que estava com saudades de mim! — exclamou ofendida. — Bom, ele mandou um beijo. Deve significar alguma coisa. — Vinícius argumentou. — Ele está dizendo isso, porque o Luan preferiu viajar para Minas com os amigos. Ao invés de ir com a gente para o Ceará — expliquei. Sabrina assentiu. — Fomos trocados — murmurou, chateada. — Senti a mesma coisa. — Vinícius respondeu, ainda rindo. — Parem de drama, pelo amor de Deus! — resmunguei, observando curiosamente a casa. — Ficou muito bom, desculpe não ter vindo te ajudar com a mudança. — Tudo bem, meu primo e minha mãe vieram me dar uma força. Além do mais, nem terminei de comprar os móveis, falta muita coisa ainda — explicou, fazendo sinal para eu e Vinícius nos sentarmos. — E o seu pai? — perguntei, sem querer ser invasiva. Apesar de já estar sendo. — Acredita que ele passou aqui esses dias? Queria saber como eu estava, só que não ficou mais de dois minutos. Mesmo assim, foi uma evolução, mas não penso em voltar para casa. — Ela se jogou no sofá, um dos poucos móveis que havia no ambiente. — Também não sei se nossa relação voltará um dia a ser o que era antes. — Deu de ombros. — Bom, fico feliz que esteja bem — afirmei, sentando ao seu lado. — Chega de papo triste — contestou, abrindo um sorriso. — Vamos pedir pizza? Ainda não tenho muitos utensílios e como podem ver minha cozinha é bem limitada. Era um começo para a Sabrina e todos os começos nem sempre vinha cheio de luxo. — Pizza está ótimo. — Vinícius concordou, se ajeitando com todo seu tamanho no sofá menor. No final da noite, após algumas garrafas de cerveja gelada e a barriga cheia de pizza, decidimos ir embora. Sabrina veio me abraçar, pois não nos veríamos mais esse ano muito provavelmente. Vinícius e eu já estávamos com as passagens compradas e eu não via a hora de espairecer a mente longe de São Paulo. De preferência tomando uma água de coco bem geladinha. (...) — Se cuida e me liga se precisar de alguma coisa que eu venho correndo, combinado? — Ela me abraçou apertado, como se fossemos ficar longe uma da outra por uma eternidade e não por algumas semanas. Retribui o abraço. — Vou sentir saudade. — Eu também, gatinha — confirmou, acariciando meu rosto. Em seguida ela foi abraçar Vinícius. Luan também saiu do carro e veio outra vez me abraçar, apesar de já ter feito isso antes e não ser do tipo que gosta de demonstrações públicas de afeto. — Cuida da minha irmã, por mim. Fechado? Eles fizeram um toque de mãos. — Sempre, parceiro. — Vinícius concordou, abrindo um sorriso sincero. Viajaríamos na segunda de manhã, eu m*l podia esperar para estar com Vinícius. No que esperava que fosse uma bela lua de mel para namorados. Suspirando, acenei para a que, por bastante tempo, cuidou de mim e do meu irmão como se fosse nossa mãe. Eu nunca poderia agradecer o suficiente por tudo o que Vanda fez por mim. Vinícius me abraçou de lado, beijando o topo da minha cabeça. — Vamos ajeitar as malas? Já aviso que não vai precisar de quase nada além de shorts e roupas leves — brincou, vendo que eu estava emotiva por me separar do meu irmão. — Ótimo — concordei. — Esse tipo de roupa é mais fácil de tirar. Vinícius riu. — Estou ansioso por isso — entrelaçou nossos dedos. — Não mais do que eu. Entretanto, eu não fazia a mínima ideia do que aquela viagem me reservava.
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