Ao sair do presídio, ainda estava pensando sobre minha decisão. As grades se fechando atrás de mim pareciam ecoar a sensação de que eu acabara de me prender a algo muito maior do que eu imaginava. Como eu poderia ter sido levada a escolher atender Átila mesmo sem ser psicóloga? Eu fui manipulada por ele a fazer isso. Sim, ele inflou meu ego profissional, me fez sentir que eu poderia, sim, atendê-lo, mesmo que isso não fizesse parte da minha formação. E o pior é que funcionou. Eu sabia que nem comentaria isso com Ricardo, porque já sabia o que ele acharia: me daria uma aula de ética do trabalho e me diria para desistir. Mas, por algum motivo, eu não queria desistir. Eu queria tentar. Tentar ser psicóloga para Átila. Era estranho pensar nisso, mas ali estava eu, balançando entre duas força

