Sol
A festa acontece diante de nós, o salão está perfeito, os garçons servem, os convidados comem, bebem e se divertem e eu me vejo nos braços do meu marido, para ser mais exata, estamos caminhando para a pista de dança onde pretendo me acabar junto com ele e nossos convidados. Me sinto genuinamente alegre, e o sorriso não sai do meu rosto. Principalmente porque Henrique já começa o seu joguinho gostoso, coisa que me deixa ligada na velocidade da luz por me fazer imaginar o que iremos fazer quando sairmos daqui.
Eu sei, nós já transamos inúmeras vezes ao longo desses meses que estamos juntos, mas eu não consigo evitar. Basta pensar que ficarei sozinha com ele que a minha amiguinha começa a pulsar ao mesmo tempo que fica molhadinha para receber o meu grandão. Sim… o meu grandão, e agora de papel passado.
Mas como isso não é possível acontecer agora, entro no embalo dele e aproveito o momento da dança para instigá-lo com meus toques sutis, olhares e frases de duplo sentido, fazendo exatamente como nós dois gostamos, afinal de contas, quero ele cheio de t***o, a noite toda. E claro, ele entra na minha, nos proporcionando um momento magnífico e todo nosso.
Porém, logo a pista fica cheia, nos obrigando a dar atenção às pessoas que aproveitavam a oportunidade para interagir conosco. Até as crianças entraram no embalo e se juntaram a nós, é engraçado vê-los tão animados.
A música Black Eyed Peas - I Gotta Feeling toca, Henrique segura minha cintura ainda atrás de mim, e nós dançamos juntos, deixando os nossos corpos se tocarem levemente enquanto sorrimos para o primo dele que dança com a sua noiva tão animadamente quanto pode. E assim que nota a nossa presença, se aproxima e fala:
Daniel: —Uma coisa preciso admitir, vocês sabem como fazer uma festa, olha como deixaram a minha mulher, ela não pára um minuto.
Penélope: —Estou aproveitando tudo o que posso porque daqui a pouco Guerreirinho nasce e eu vou ser obrigada a ficar de molho.
Sol: —Está certíssima, Penélope. E como a letra diz: hoje será uma boa noite…
Henrique: —Oh.. na verdade ela já é uma excelente noite e só vai melhorar conforme avançar!
Henrique finge me repreender, fazendo o meu sorriso aumentar ao ouvir a sua provocação de duplo sentido. Seu primo escuta sua fala e logo fala para implicar conosco:
Daniel: —Aposto que o garanhão ai vai garantir isso, né? Afinal, o sangue dos Rodrigues é forte e dá conta a noite toda.
Penélope: —Dani…
Sua noiva o repreende, mas o meu digníssimo marido confirma, o que me deixa levemente sem graça.
Henrique: —Com certeza, vou!
Mas como não posso mentir, e conhecendo bem o homem com quem me casei, logo penso:
‘Oh se dá!’
Henrique volta a focar a sua atenção em mim e nós continuamos dançando mais três músicas até que os dois saem da pista.
—Acho que a grávida se cansou.
—Também, viu o tamanho da barriga dela? Não sei nem como ela aguentou dançar tanto.
—Eu também não, só sei que eu preciso ir ao banheiro, acho que bebi muito champanhe. Vai esperar seu marido aqui mesmo?
—Sim, senhor.
—Não demoro!
Antes de se afastar, Henrique me dá mais um selinho e eu fico dançando com um grupo de mulheres que logo me dão espaço. O ritmo muda, o DJ coloca músicas brasileiras e nós começamos a fazer as coreografias em conjunto. Isso nos deixa ainda mais alegres e risonhas enquanto fazemos os passos em sintonia.
Diná: —Eu não sabia que dançava tanto, Sol.
Sol: —Nem eu…
Diná: —E você Letícia, solta esse quadril, ainda está muito dura.
Letícia: —Estou tentando, mas acho que não tenho jeito.
Sol: —Não liga para a Diná, você está indo muito bem!
Angélica: —Sim, vem… fica do meu lado e observa.
A gente continuou se divertindo e o nosso grupo começou a aumentar, assim que nos virão dançando, o restante das minhas primas se juntaram a nós, fazendo a nossa algazarra aumentar ainda mais.
Laura: —Abre espaço porque eu cheguei…
Julia: —É claro que chegou.
Evelyn: —Chega pra lá porque eu também quero..
Sol: —Calma que tem espaço para todas…
A música troca e Macarena começa a tocar, e logo nós tínhamos feito uma fila enorme, e com todas prontas para iniciar uma nova coreografia.
Tudo estava perfeito, eu me divertia ao lado das mulheres que fazem parte da minha vida, dividindo um momento perfeito de alegria com elas quando notei uma movimentação estranha no salão ao esticar os dois abraços a frente durante a coreografia.
Algumas pessoas saem apressadamente dos seus lugares indo para o mesmo lugar, um aglomerado de pessoas se reúnem em volta de uma das mesas, o que me deixa muito curiosa pois logo percebi ser os parentes de Henrique, o que me faz pensar:
‘O que está acontecendo ali?’
As meninas continuam dançando animadamente mas eu saio da fila, abandonando o meu lugar, chamando a atenção de uma delas que logo pergunta:
Júlia: —O que houve, Sol?
—É isso que eu quero descobrir…
Segurando a saia do vestido, curiosa e a passos largos, caminho em direção ao grande grupo que só aumenta me perguntando:
‘Qual o motivo de tanta aglomeração?’