Capítulo 02

1175 Palavras
EDUARDO Eu estava inquieto naquela sala de consultório particular, um lugar onde geralmente minha ansiedade era mais sobre compromissos de negócios do que sobre minha própria saúde. Eu olhava para o meu relógio caro, minha perna balançando involuntariamente, enquanto esperava pelo meu médico particular, Dr. Mendes. Ele não havia entrado com os resultados dos meus exames ainda, e a demora estava me deixando cada vez mais agitado. Finalmente, a porta se abriu, e o médico entrou na sala, limpando a garganta. Eu me endireitei na cadeira, observando-o se sentar atrás de sua mesa e puxar o notebook. A expressão séria em seu rosto não me passou despercebida. — Então, doutor? — perguntei ansioso, coçando a cabeça com um gesto nervoso. Ele respirou fundo antes de responder. — Sinto lhe informar, Eduardo — o médico olhou para mim com um semblante carregado de más notícias — as notícias não vão te agradar. Eu engoli em seco, a ansiedade aumentando ainda mais. — É apenas uma gastrite como qualquer outra, não é? — tentei brincar nervoso, mas minhas palavras traíram meu medo. O médico não respondeu imediatamente, e sua hesitação me fez sentir um nó no estômago. — O senhor precisa estar preparado. Quer que chame alguém? — ele perguntou com compaixão. Balancei a cabeça, decidido a enfrentar o que quer que fosse. — Não preciso de ninguém. Pode me contar, doutor. Ele suspirou e então disse a palavra que eu temia. — Câncer no estômago… Meu coração parecia ter parado por um momento. Eu não conseguia acreditar no que estava ouvindo. — Tem chances de cura com tratamento? — interrompi nervosamente, desesperado por uma resposta positiva. — Sim, mas não posso garantir, dado o avanço do crescimento das células no seu organismo. Levantei-me da cadeira, encarando o médico com um olhar determinado. — Tenho dinheiro. Posso pagar por qualquer tratamento necessário. O médico balançou a cabeça lentamente. — Não é assim que as coisas funcionam. — Suas palavras foram como uma facada. Eu estava arrasado com a notícia. Eu sabia que o câncer era genético em minha família, mas nunca pensei que chegaria a mim. Meu pai, meu avô e meu tio haviam perdido a vida da mesma forma, e eu sempre fazia exames regularmente. No entanto, pular um ou dois anos havia sido tarde demais. Eu tinha governado um império com sucesso, mas agora estava pagando o preço. Meus pensamentos se voltaram para minha noiva, Rose, e como eu iria contar a ela sobre essa terrível notícia. Eu respirei fundo, passando a mão pelo rosto em um gesto de exaustão. Aquela notícia pesava como um fardo insuportável sobre os meus ombros. — Faça o que for necessário, doutor Mendes — murmurei por fim, já exausto. Fazia dias que eu sentia uma dor interminável no estômago. Eu havia tomado remédios para acalmar a queimação e adiantar os exames, mas agora estava feito. A verdade estava diante de mim, e tudo parecia ter piorado. O médico continuou explicando o plano de tratamento, mencionando quimioterapia e a necessidade de conversar com meus familiares. Eu o interrompi, minha voz soando fria. — Eu sei o que precisa ser feito. Não preciso de conselhos. A verdade era que eu sempre estive sozinho. Minha família se preocupava apenas com a minha capacidade de governar o império que meu pai havia deixado, e pouco mais. Tinha sido uma sorte encontrar Rose, minha noiva, que entendia e respeitava meu estilo de vida. m*l tinha tempo para sair e conhecer outras pessoas além do trabalho. Rose era uma esposa-troféu, e, embora ela pudesse ser exasperante às vezes, a amava por suportar minha agenda apertada. Ao sair da clínica, o mundo lá fora parecia nublado após uma chuva forte, refletindo meus pensamentos e incertezas. Entrei no carro, agarrando o volante com tanta força que desejava que pudesse liberar toda a raiva que estava sentindo, mas não era assim que funcionava. O que poderia fazer? Dava a partida no carro e seguia para casa, com a necessidade de ligar para Rose e marcar um jantar para compartilhar com ela as notícias que mudariam nossas vidas para sempre. Cheguei à mansão e estacionei o carro na garagem. O mordomo, que estava à porta, me olhou preocupado assim que abri a porta do veículo. — Boa tarde, senhor. Tudo bem? — perguntou com cuidado antes de fechar a porta após minha entrada. — Sim — respondi sem olhar para o homem, caminhando em direção à escada. — Vou tomar um banho. Providencie um café da tarde, preciso comer algo. O mordomo assentiu e se encaminhou para a cozinha, enquanto eu seguia para o quarto. Ali, afrouxei a gravata e tirei o blazer, deixando-os sobre a cama. Sentei-me na beira da cama, pegando o celular e ligando para Rose. — Querida — disse assim que ela atendeu —, poderia vir em casa para jantarmos? Sua resposta veio animada. — Pensei em marcar um jantar naquele restaurante que abriu na semana passada. O que acha? Eu hesitei por um momento, preocupado com a possibilidade de passar m*l em público. — Prefiro algo mais particular. Rose era insistente, e sua voz do outro lado da linha estava cheia de entusiasmo. — Vamos, querido. Faz tempo que não saímos. Eu podia imaginar seus olhos brilhantes e aquele sorriso encantador que só eu conhecia, como se estivesse pedindo algo. — Tudo bem — concordei por fim. Não estava com disposição para discutir. — Passo por volta das sete e meia. Esteja pronta. Ao desligar a ligação, prometi a mim mesmo que não comeria nada naquela noite, sentindo o peso das palavras do médico ainda sobre mim. A incerteza do que o futuro me reservava pairava no ar, e a ideia de compartilhar essa notícia com Rose me enchia de ansiedade e medo. Deixando o celular de lado, eu me levantei da beira da cama e me dirigi ao banheiro. Precisava de um tempo sozinho, um momento de solidão para processar as palavras do médico e a enxurrada de emoções que me assolavam. Enquanto a água quente caía sobre mim, eu me permiti relaxar por um breve instante. O vapor preenchia o ambiente, e eu fechei os olhos, tentando acalmar minha mente inquieta. Sentir a água deslizar sobre minha pele era uma sensação reconfortante, quase como se pudesse lavar as preocupações e o medo. No entanto, a verdade era inegável. Minha vida estava prestes a mudar de uma forma que eu nunca imaginara. O câncer, uma palavra que soava como um destino c***l e inescapável, agora fazia parte da minha realidade. Eu não sabia o que o futuro me reservava, mas estava determinado a lutar. Após o banho, vesti uma roupa limpa e elegante, mesmo que o peso da notícia ainda pesasse sobre mim. Não podia permitir que Rose percebesse o turbilhão de emoções que eu estava enfrentando. Desci as escadas e encontrei o café da tarde já servido na sala de estar. O mordomo me olhou com preocupação enquanto eu me aproximava, mas eu lhe dei um aceno, indicando que estava bem.
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