VICTOR SCHMITH A sobremesa chega em silêncio, mas um silêncio bom, confortável e preenchido pelos olhares e pelas trocas suaves que Alana e eu estabelecemos. É como se cada minuto fosse regado a um cuidado invisível, uma conexão que não exige esforço. O garçom pousa os pratos com leveza, e ela agradece com aquele sorriso sereno, quase tímido, que eu já começo a reconhecer como sendo só dela. — Gosta de torta de limão? — Pergunto, pegando a minha colher. — Gosto. Mas confesso que estou mais curiosa para saber se você é daqueles que come primeiro a lateral ou vai direto no recheio. — Essa dúvida dela me pega de jeito. Nunca me perguntaram isso! Dou uma risada curta, encantado com a naturalidade dela. — Direto no recheio. Sem rodeios... — Digo e levo a primeira colherada à boca, sabore

