CONTRA TODO E CONTRA TUDO

1182 Palavras
Agora é o sistema contra o sentimento. Bruna encara a frieza da lei. R.P. entra no lugar onde o tempo passa mais devagar. Mas tem coisa que nem cela segura: o amor deles começa a incomodar até os que mandam. 08h47 – Delegacia da Polícia Civil, Centro do Rio Bruna tá sentada, sozinha, numa sala branca. A pele arrepiada. A alma em pedaços. Uma mulher entra. Terno escuro, olhar direto. — "Bruna Álvaro. Filha do comandante da PM. Estudante universitária. Envolvida com o chefe do tráfico do Vidigal. Como a gente chega até aqui?" Bruna responde com voz firme: — "Amando. Simples assim." A mulher cruza os braços. — "Você entende a gravidade disso? A quantidade de vidas que esse homem destruiu? E você se entregou pra ele." Bruna não pisca. — "Ninguém me obrigou. E ninguém vai me fazer esquecer." Enquanto isso, no presídio de segurança máxima... R.P. chega algemado, escoltado. Todos os olhares na galeria se viram pra ele. Sussurros. Medo. Respeito. — "Olha lá, o patrão caiu..." — "R.P. tá no jogo até de dentro." Na cela, ele senta no canto. Puxa do bolso a foto amassada dele com Bruna. — "Ela vale mais que qualquer morro. E eu vou sair daqui por ela." De volta à delegacia... Bruna sai da sala de interrogatório e dá de cara com o pai, Coronel Álvaro. — "Você me destruiu, Bruna." — "E o senhor me colocou num pedestal que eu nunca quis. Só queria viver, pai. Ser normal. Amar como qualquer pessoa." Ele segura a raiva. A mágoa transborda. — "Esse cara te usou. Ele é traficante. Ele manipula." — "Ele me protegeu. Me salvou. E nunca mentiu quando o que eu mais precisei foi da verdade." Coronel vira o rosto. Ela encara firme. — "Pai... eu sou a sua filha. Mas agora também sou a mulher de alguém. E isso ninguém vai arrancar de mim." Última cena: Bruna olha pela janela da delegacia. No céu, um helicóptero da polícia sobrevoa. Lá dentro, R.P. encara a luz que entra pela fresta da cela. Distantes, mas conectados. Porque as verdadeiras prisões... não têm grades. traz a batida da favela, a revolta do povo e o peso da fama indesejada. Bruna agora é chamada de “A Namorada do Traficante” pela mídia, e o Vidigal sente o impacto da ausência de R.P. A guerra muda de lugar: sai da mira da polícia e entra nos bastidores do poder e da lealdade. 11h08 – Favela do Vidigal, coração do morro O rádio toca alto na laje de Dona Néia: “R.P. foi preso numa operação da PM. A polícia diz que ele era o comandante do tráfico local. Mas na favela, ele é visto como protetor de famílias.” — "Protetor mesmo, minha filha. Ele botava comida onde o governo nunca chegou." — diz a senhora de 63 anos, com o olho molhado. No campinho da laje, os soldados do tráfico se reúnem. Nanda assume a linha de frente. — "Ninguém desce pro asfalto hoje. Ordem é segurar. Quem mexer com a Bruna, mexe com a memória dele aqui dentro." Paulinho Bala acende um cigarro. — "Já tão dizendo que ela é X-9." — "Quem espalhar isso vai cair." — diz Nanda, firme. Enquanto isso, no Leblon... Bruna sai da delegacia direto pra um mar de câmeras. Jornalistas gritam, microfones se esticam: — "Bruna, é verdade que você vivia com o traficante?" — "Você ajudava ele a fugir da polícia?" — "Você vai ser presa também?" Ela abaixa a cabeça. Mas uma voz se destaca: — "Você se apaixonou por um bandido. Agora aguenta." Ela para. Respira fundo. E solta, olhando direto pra câmera: — "Eu me apaixonei por um homem. Que me deu mais amor e proteção do que muita gente com farda e microfone." Internet explode. Vídeo viraliza. Manchete: "Filha de Coronel defende chefe do tráfico em público. País chocado." Na cadeia... R.P. escuta o barulho na ala. — "Olha o vídeo da tua mulher, irmão. Ela tá comprando briga por tu." Ele pega o celular clandestino, assiste. Os olhos brilham. — "Essa mulher é de guerra." Última cena: No alto do morro, na parede do bar da esquina, alguém picha: “R.P. Voltará. E o amor dele com Bruna vai calar até o caveirão.” mostra que amar alguém como R.P. não custa barato. Bruna começa a sentir o peso do preconceito, da mídia, dos amigos... e até da própria família. Do outro lado da muralha, R.P. encara ameaças que vêm de dentro da cela e do coração. Porque quando se ama alguém perigoso… o perigo passa a viver com você. 13h22 – Faculdade de Direito, Zona Sul Bruna entra na sala. Silêncio. Todos os olhares sobre ela. A professora m*l disfarça o incômodo. — "Acho que todos aqui já sabem o que é conivência criminal, né? Casos reais são ótimos exemplos." Bruna finge que não ouviu. Mas senta sozinha. Nenhum amigo do lado. No grupo da turma, mensagens: “A namorada do traficante voltou kkkkkk” “Ela sabe onde ele esconde o dinheiro?” Ela fecha o celular. Engole seco. Na cadeia – 14h07 R.P. treina no pátio. Suado. Revoltado. Pensando nela. Chega Jorjão, um detento influente. — "Tu virou notícia, hein. Tá famoso." — "f**a-se a fama." — "Cuidado, R.P. Amor deixa a gente mole. Moleza aqui é sentença de morte." R.P. encara firme. — "Se encostar nela, eu derrubo até grade com dente." Na cela, ele escreve uma carta pra Bruna: "Se tu quiser ir embora, eu vou entender. Mas se tu ficar, eu juro... vou sair daqui e construir outro mundo só pra nós dois." Na casa de Coronel Álvaro – 18h30 Bruna sentada no sofá. Silêncio pesado entre ela e o pai. — "Foi você que criou essa barreira entre nós. Eu só queria amor. E encontrei onde ninguém imaginava." Coronel bebe um gole de uísque. — "Esse cara vai te arrastar pro inferno." Ela olha nos olhos dele. — "Ou talvez ele me salvou de um." Na cela, R.P. encosta a cabeça na parede. No quarto, Bruna segura a carta que chegou escondida. Os dois sussurram a mesma frase no silêncio da noite: — "Eu ainda tô aqui." O Vidigal virou barril de pólvora: sem R.P., os rivais querem subir. Bruna sente o clima ficar insustentável, e uma proposta de fuga bate à porta. Mas pra quem já amou no meio da guerra... fugir pode ser covardia ou salvação. 02h45 – Alto do Vidigal A lua ilumina a favela, mas a paz foi embora faz tempo. Nanda corre pelas vielas com rádio na mão. — "Os cara da Serrinha tão tentando subir! Paulinho Bala sumiu. Arma sumiu. Tá começando guerra interna." Ela entra no bar abandonado e encontra Cabelo, braço direito de R.P. — "A gente precisa agir! R.P. deixou o morro na minha mão, eu não vou deixar cair!" Cabelo coça o queixo, nervoso. — "E a Bruna? Ela sabe que tá jurada?" — "Por quem?" — "Por todo mundo que acha que ela é o calcanhar de Aquiles do patrão."
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