Agora é o sistema contra o sentimento. Bruna encara a frieza da lei. R.P. entra no lugar onde o tempo passa mais devagar. Mas tem coisa que nem cela segura: o amor deles começa a incomodar até os que mandam.
08h47 – Delegacia da Polícia Civil, Centro do Rio
Bruna tá sentada, sozinha, numa sala branca.
A pele arrepiada. A alma em pedaços.
Uma mulher entra. Terno escuro, olhar direto.
— "Bruna Álvaro. Filha do comandante da PM. Estudante universitária. Envolvida com o chefe do tráfico do Vidigal. Como a gente chega até aqui?"
Bruna responde com voz firme:
— "Amando. Simples assim."
A mulher cruza os braços.
— "Você entende a gravidade disso? A quantidade de vidas que esse homem destruiu? E você se entregou pra ele."
Bruna não pisca.
— "Ninguém me obrigou. E ninguém vai me fazer esquecer."
Enquanto isso, no presídio de segurança máxima...
R.P. chega algemado, escoltado.
Todos os olhares na galeria se viram pra ele.
Sussurros. Medo. Respeito.
— "Olha lá, o patrão caiu..."
— "R.P. tá no jogo até de dentro."
Na cela, ele senta no canto.
Puxa do bolso a foto amassada dele com Bruna.
— "Ela vale mais que qualquer morro. E eu vou sair daqui por ela."
De volta à delegacia...
Bruna sai da sala de interrogatório e dá de cara com o pai, Coronel Álvaro.
— "Você me destruiu, Bruna."
— "E o senhor me colocou num pedestal que eu nunca quis. Só queria viver, pai. Ser normal. Amar como qualquer pessoa."
Ele segura a raiva. A mágoa transborda.
— "Esse cara te usou. Ele é traficante. Ele manipula."
— "Ele me protegeu. Me salvou. E nunca mentiu quando o que eu mais precisei foi da verdade."
Coronel vira o rosto. Ela encara firme.
— "Pai... eu sou a sua filha. Mas agora também sou a mulher de alguém. E isso ninguém vai arrancar de mim."
Última cena:
Bruna olha pela janela da delegacia.
No céu, um helicóptero da polícia sobrevoa.
Lá dentro, R.P. encara a luz que entra pela fresta da cela.
Distantes, mas conectados.
Porque as verdadeiras prisões... não têm grades.
traz a batida da favela, a revolta do povo e o peso da fama indesejada. Bruna agora é chamada de “A Namorada do Traficante” pela mídia, e o Vidigal sente o impacto da ausência de R.P. A guerra muda de lugar: sai da mira da polícia e entra nos bastidores do poder e da lealdade.
11h08 – Favela do Vidigal, coração do morro
O rádio toca alto na laje de Dona Néia:
“R.P. foi preso numa operação da PM. A polícia diz que ele era o comandante do tráfico local. Mas na favela, ele é visto como protetor de famílias.”
— "Protetor mesmo, minha filha. Ele botava comida onde o governo nunca chegou." — diz a senhora de 63 anos, com o olho molhado.
No campinho da laje, os soldados do tráfico se reúnem.
Nanda assume a linha de frente.
— "Ninguém desce pro asfalto hoje. Ordem é segurar. Quem mexer com a Bruna, mexe com a memória dele aqui dentro."
Paulinho Bala acende um cigarro.
— "Já tão dizendo que ela é X-9."
— "Quem espalhar isso vai cair." — diz Nanda, firme.
Enquanto isso, no Leblon...
Bruna sai da delegacia direto pra um mar de câmeras.
Jornalistas gritam, microfones se esticam:
— "Bruna, é verdade que você vivia com o traficante?"
— "Você ajudava ele a fugir da polícia?"
— "Você vai ser presa também?"
Ela abaixa a cabeça. Mas uma voz se destaca:
— "Você se apaixonou por um bandido. Agora aguenta."
Ela para. Respira fundo. E solta, olhando direto pra câmera:
— "Eu me apaixonei por um homem. Que me deu mais amor e proteção do que muita gente com farda e microfone."
Internet explode. Vídeo viraliza. Manchete:
"Filha de Coronel defende chefe do tráfico em público. País chocado."
Na cadeia...
R.P. escuta o barulho na ala.
— "Olha o vídeo da tua mulher, irmão. Ela tá comprando briga por tu."
Ele pega o celular clandestino, assiste. Os olhos brilham.
— "Essa mulher é de guerra."
Última cena:
No alto do morro, na parede do bar da esquina, alguém picha:
“R.P. Voltará. E o amor dele com Bruna vai calar até o caveirão.”
mostra que amar alguém como R.P. não custa barato. Bruna começa a sentir o peso do preconceito, da mídia, dos amigos... e até da própria família. Do outro lado da muralha, R.P. encara ameaças que vêm de dentro da cela e do coração. Porque quando se ama alguém perigoso… o perigo passa a viver com você.
13h22 – Faculdade de Direito, Zona Sul
Bruna entra na sala. Silêncio. Todos os olhares sobre ela.
A professora m*l disfarça o incômodo.
— "Acho que todos aqui já sabem o que é conivência criminal, né? Casos reais são ótimos exemplos."
Bruna finge que não ouviu. Mas senta sozinha. Nenhum amigo do lado.
No grupo da turma, mensagens:
“A namorada do traficante voltou kkkkkk”
“Ela sabe onde ele esconde o dinheiro?”
Ela fecha o celular. Engole seco.
Na cadeia – 14h07
R.P. treina no pátio. Suado. Revoltado. Pensando nela.
Chega Jorjão, um detento influente.
— "Tu virou notícia, hein. Tá famoso."
— "f**a-se a fama."
— "Cuidado, R.P. Amor deixa a gente mole. Moleza aqui é sentença de morte."
R.P. encara firme.
— "Se encostar nela, eu derrubo até grade com dente."
Na cela, ele escreve uma carta pra Bruna:
"Se tu quiser ir embora, eu vou entender. Mas se tu ficar, eu juro... vou sair daqui e construir outro mundo só pra nós dois."
Na casa de Coronel Álvaro – 18h30
Bruna sentada no sofá. Silêncio pesado entre ela e o pai.
— "Foi você que criou essa barreira entre nós. Eu só queria amor. E encontrei onde ninguém imaginava."
Coronel bebe um gole de uísque.
— "Esse cara vai te arrastar pro inferno."
Ela olha nos olhos dele.
— "Ou talvez ele me salvou de um."
Na cela, R.P. encosta a cabeça na parede.
No quarto, Bruna segura a carta que chegou escondida.
Os dois sussurram a mesma frase no silêncio da noite:
— "Eu ainda tô aqui."
O Vidigal virou barril de pólvora: sem R.P., os rivais querem subir. Bruna sente o clima ficar insustentável, e uma proposta de fuga bate à porta. Mas pra quem já amou no meio da guerra... fugir pode ser covardia ou salvação.
02h45 – Alto do Vidigal
A lua ilumina a favela, mas a paz foi embora faz tempo.
Nanda corre pelas vielas com rádio na mão.
— "Os cara da Serrinha tão tentando subir! Paulinho Bala sumiu. Arma sumiu. Tá começando guerra interna."
Ela entra no bar abandonado e encontra Cabelo, braço direito de R.P.
— "A gente precisa agir! R.P. deixou o morro na minha mão, eu não vou deixar cair!"
Cabelo coça o queixo, nervoso.
— "E a Bruna? Ela sabe que tá jurada?"
— "Por quem?"
— "Por todo mundo que acha que ela é o calcanhar de Aquiles do patrão."