Capítulo 11: lobo m*l.

2692 Palavras
Narrado por Julian. Hoje o dia amanheceu com vibrante, como se tudo ao meu redor estivesse em cores mais intensas. Eu me sentia diferente, como se uma sede insaciável por Romeo Montgomery tomasse conta de mim, esgotando as minhas forças, tanto longe quanto perto dele. Ouvir o seu "eu te amo" tirou os meus pés do chão e até agora, sempre que lembro desse momento, eu me sinto flutuar como uma pluma. Eu sei que tudo aconteceu muito rapidamente, mas eu sinto algo tão forte por ele que parece que eu já o conheço há muito tempo. Estranhamente, isso me faz sorrir. Ontem, quando eu cheguei em casa após o meu encontro com Romeo, senti como se ainda estivesse em um sonho. Tyler estava lá me esperando como um cão de guarda, fazendo inúmeras perguntas. Nathan suspirava a cada uma delas, enquanto eu apenas ignorava Tyler e deixava-o falar sozinho. Eu não pude evitar rir disso. Quando eu disse que ele não era meu pai e não precisava dar satisfações a ele, Tyler saiu bufando. Naquela mesma noite, quando eu deitei em minha cama com o coração derretendo de amor, tudo o que vinha à minha mente quando eu fechava os olhos era Romeo. Lembrei de quando dançamos lentamente, de quando ele me beijou, do momento em que o seu corpo pairou sobre o meu, deixando-me quente, e, claro, quando ele disse "eu te amo" de forma tão doce. Com um sorriso, eu finalmente posso afirmar que Romeo é meu, sorri para o meu próprio pensamento. Na manhã seguinte, eu fiquei distraído com pensamentos sobre Romeo e o nosso próximo passo quando eu ouvi a campainha tocar. Curioso para ver quem era, eu desci metade das escadas. - Você. - respondeu Nathan assim que ele abriu a porta. - O que você quer? - reconheci imediatamente a voz de Liam, e o meu coração gelou, me fazendo lembrar e eu estremeci. - Natezinho. - debochou Liam, demonstrando que a sua proposta de sair juntos era séria. Eu não sabia o que fazer. - Bom te ver... na verdade, não mesmo. Mas estou aqui para buscar Julian, você pode chamá-lo? - pediu ele com a sua voz pegajosa. A minha barriga gelou. Pular da janela do segundo andar não era uma opção segura, então, lá deveria ir eu, eu tinha que encará-lo. - Não acho que ele queira te ver. - disse Nathan, tentando dissuadi-lo. - Você não tem que achar nada, apenas chame ele. - insistiu Liam, em tom ríspido. Ouvi Nathan bufar, provavelmente irritado. Era hora de eu descer antes que outra briga começasse por minha culpa. Eu desci as escadas e, ao me aproximar da porta da frente, eu senti o olhar de Liam sobre mim. Ele sorriu, enquanto Nathan parecia preocupado. - Tudo bem. - disse eu a Nathan. - Estou aqui. - Viu, ele está aqui. Já pode sair, cão de guarda. - Liam provocou Nathan ao me ver, Nathan apenas suspirou e saiu para a cozinha, dando-me um olhar que indicava que eu poderia pedir a sua ajuda, se necessário. - Então, o que você quer, Liam? - eu perguntei, embora já soubesse a resposta. - Você esqueceu? - ele riu. - Nós temos um encontro. - agora quem riu foi eu. - Eu nunca disse que sairia com você. - Você nunca disse que sairia, mas também nunca disse que não sairia. - ele tentou persuadir. - Qual é, Julian, é só um encontro. - ele insistia incansavelmente. Eu olhei para ele, tentando entender as suas intenções. Talvez se eu dissesse um único sim, ele finalmente perceberia que não há nada entre nós. Além disso, se eu saísse com ele, Tyler teria certeza de que não estou mais vendo Romeo, por mais e******o que isso fosse, Liam finalmente serviria para algo. Então, eu relutantemente cedi e sorri para ele. ' - Está bem. Eu saio com você. - o seu rosto se iluminou com as minhas palavras. - Prometo que você nunca vai esquecê-lo. - ele deixou escapar, as suas palavras me arrepiaram. - Eu... vou me arrumar. - eu respondi, antes de subir as escadas para o meu quarto. Será que eu realmente estava fazendo a coisa certa? Liam não é exatamente a pessoa mais confiável e correta, especialmente depois da sua última atitude quando nos encontramos. Ele agiu de uma forma que me deixou totalmente desconfortável, parecia que ele estava se divertindo com isso. Eu estava terminando de vestir a minha camiseta quando eu ouvi uma batida na porta do meu quarto. - Você não vai mesmo fazer isso? - Nathan perguntou, se apoiado n quadro da porta, olhando-me seriamente. - Eu vou. - eu disse, enquanto eu tentava arrumar o meu cabelo bagunçado. - Talvez, depois disso, ele me deixe em paz. Além disso, você sabe, se Tyler descobrir que saí com Liam, talvez ele pare de me encher sobre Romeo - eu expliquei, mas Nathan revirou os olhos. - Não acho que você deveria fazer isso. - ele disse preocupado, e eu olhei para ele. - Ele não é confiável. - Eu sei - suspirei. - Mas estou cansado de Tyler e Liam sempre no meu pé. Se eu preciso fazer algo, então eu vou fazer. - disse, encerrando a nossa conversa. Nathan pressionou os seus lábios, demonstrando que compreendia as minhas palavras. - Apenas fique atento ao celular - disse a ele, quando eu parei ao seu lado na entrada antes de sair para encontrar o meu lobo m*l. Caminhando em direção ao seu carro, estacionado em frente à minha casa, eu notei Tyler parado à porta da sua casa. Ele sorriu para mim de forma triunfante ao me ver acompanhado de Liam, mas eu simplesmente revirei os olhos em resposta. A minha surpresa veio quando Liam contornou o carro para abrir a porta para mim. Apertei os lábios, suspirando antes de entrar no veículo. Isso prometia ser uma experiência intensa. *** Eu não tinha recebido mensagens de Romeo desde que nos despedimos apaixonadamente na noite anterior. Não podia culpá-lo - o jogo mais importante do ano estava chegando e ele precisava treinar e se preparar para vencer Tyler, depois de tudo. - Para onde estamos indo? - eu perguntei quando percebi que não reconhecia mais o lugar. A preocupação começou a me inundar. E se Nathan estivesse certo? - Um lugar especial. - respondeu Liam, sorrindo. - No meio do nada? - eu franzi as minhas sobrancelhas, desconfiado. - Exatamente. Sem interrupções, só eu e você. - provocou ele. - Relaxa. Eu ignorei a sua provocação. - Por que, Liam? - perguntei, sério. - Por que o quê? - ele se virou rapidamente para mim, como se ele tivesse sido pego de surpresa. - Por que você está tão obcecado por mim? - eu questionei, confuso. - Nunca dei a entender que queria algo com você ou chances para isso. - balancei a minha cabeça. - Não entendo. - Obcecado é uma palavra forte demais. Eu te amo, Julian. - ele disse antes de rir. Fiquei atônito com a sua declaração. - Não, você não ama. - eu neguei. De repente, ele estacionou o carro no meio da rua deserta, me pegando de surpresa. Eu olhei para ele, confuso e um pouco assustado, apertando os lábios. - Desde quando? - eu perguntei, sem entender como ele poderia me amar quando m*l nos conhecíamos. - Você não se lembra? - perguntou ele, sorrindo. - Na festa de Halloween do Tyler, você estava vestido de anjinho e realmente parecia uma visão angelical. Eu nunca tinha reparado em você antes, mas naquele momento, me apaixonei perdidamente. Eu tentei me lembrar daquela noite, mas tudo que vinha à mente era a sensação de tédio e solidão daquele dia. Me lembrei de pegar uma garrafa de vodka pela metade e subir para a varanda do quarto dos meus tios. Não tinha nenhuma lembrança de falar com Liam. Então, Nathan surgiu na minha memória, com a boca toda borrada de batom vermelho, vestido de vampiro. Ele me acordou surgindo ao meu lado na cama, me chamando para ir para casa. - Eu sabia que você era fraco e precisava de alguém forte como eu para te manter. - Liam continuava. - Depois desde dia, quando colocava os meus olhos em você, eu sabia que você foi feito para mim, que você me pertencia, meu anjinho. - ele disse suavemente, eu apertei os meus lábios em desgosto. Eu me mantive em silêncio, tentando entender e ele começou a se aproximar, eu me virei rapidamente. - Já chegamos? - eu perguntei de repente. Distanciando-me do que ele estava querendo fazer. Liam era realmente muito estranho e irritante com a sua mania de me perseguir e tudo mais, mas ele realmente era apaixonado por mim e, eu não pude deixar de achar bonitinho as suas palavras, talvez ele não fosse o mostro que eu pintava na minha cabeça. Mas agora eu estou com Romeo, e eu realmente o amo. Suspirei. Liam ligou o carro e voltou a dirigir. Com os seus olhos outra vez presos a estrada. *** - Chegamos - anunciou Liam quando estacionou o seu carro num daqueles cinemas ao ar livre, onde as pessoas vão para assistir filmes dentro de seus carros. Embora o lugar fosse encantador, eu não conseguia me sentir à vontade com Liam. Os carros se amontoavam em frente a uma enorme tela branca, enquanto um filme de romance antigo e clichê tocava alto o suficiente para que todos pudessem ouvir. Pensei em como eu queria que esse momento fosse com Romeo, em vez de Liam, para poder abraçá-lo. Enquanto assistíamos ao filme, Liam quebrou o silêncio perguntando: - O que achou daqui? - ele explicou que a ideia de montar esse cinema ao ar livre veio da sua mãe, que era apaixonada por esse tipo de entretenimento. Ele queria ter algo que o lembrasse dela depois que ela morreu, e o seu pai permitiu que ele realizasse esse sonho. - Eu adorei este lugar. O cinema ao ar livre é realmente charmoso. - comecei, escolhendo as minhas palavras cuidadosamente para criar um ambiente amigável. Eu não sabia que a sua mãe havia falecido. Talvez isso explique a sua necessidade de atenção e instabilidade emocional. - Sinto muito pela sua mãe. - eu acrescentei com empatia, pressionando os lábios juntos enquanto expressava as minhas condolências. - Tenho certeza de que ela estaria muito orgulhosa de você. - eu concluí. - Espero que sim. - ele respondeu com um sorriso torto. Eu devolvi o sorriso, apreciando a sua a******a emocional. Virei-me para encarar a tela grande, absorta no filme. Eu estava distraído quando Liam se aproximou de mim, mas eu permiti a sua presença, percebendo que ele estava precisando de atenção e cuidado. Ele encostou o braço no meu e deitou a cabeça no meu ombro, e eu ofereci conforto a ele naquele, deixando-o descansar ali. Quando o filme terminou, Liam ficou olhando as recomendações finais do filme enquanto a chuva começava a cair. Eu suspirei, sabendo que trovoadas e relâmpagos me assustavam. E eu não pude deixar de lembrar com carinho de quando Nathan dormia comigo para me acalmar quando éramos crianças. O pensamento me fez sorrir. Depois de voltarmos para a estrada, Liam estava me levando para casa. E tudo o que eu podia fazer era agradecer silenciosamente por isso não ter virado um desastre como eu imaginei que seria. Agora eu percebia que Liam não era um monstro, eu apenas tirei conclusões precipitadas demais. De repente, Liam parou o carro no meio do caminho outra vez, me surpreendendo com uma pergunta: - Julian, você gosta de mim? - Como assim? - eu virei-me para ele, atordoado. - Liam, agora eu vejo que você é um cara legal, mas... - ele me olhou fixamente, iluminado pela luz amarelada da cabine, e franziu as suas sobrancelhas, como se esperando por mais. - Mas? - ele repetiu, parecendo incomodado. - Depois de tudo, você ainda não me ama? - as suas palavras me assustaram e o seu tom só intensificou o meu desconforto. - Julian, o que há de errado com você? - Comigo? Talvez você devesse se perguntar isso. - eu disse, apertando os lábios. - Você pode me levar para casa agora? - Então me beije e diga que me ama. - ele insistiu, virando-se completamente para mim. Eu engoli em seco, assustado com a sua movimentação rápida. Quando ele tentou agarrar a minha mão, eu a puxei para longe dele, mas ele agarrou o meu pulso com força. - Diga, Julian! - ele gritou. Eu tremia com o medo que sentia na sua voz. - Não. - eu disse. Ele avançou para cima de mim, me puxando pelo pulso e aproximando os nossos corpos. O seu aperto me fez gemer de dor. - Liam está me machucando. - eu gritei, mas ele me ignorou Liam soltou o meu pulso quando ele abriu o seu cinto de segurança e, imediatamente depois, pegou o meu rosto com uma mão de forma ríspida, me forçando a encará-lo. Eu não conseguia conter as lágrimas que começaram a escorrer pelo meu rosto. E então ele me beijou à força, a sua língua molhada e salgada pelos meus lábios chorosos. Eu não correspondi ao beijo. Em vez disso, eu tomei coragem o suficiente para morder a sua língua com força. Ele parou o beijo abruptamente e levou uma mão à sua boca. - Eu jamais te amaria! - eu disse a Liam antes de abrir a porta do carro e sair correndo apressadamente. Na minha boca, eu ainda podia sentir o gosto metálico do seu sangue. Enquanto eu corria pela rua escura sob a forte chuva, eu pude ouvir Liam gritando coisas como "Você ainda vai ser meu!", mas eu só decidi ignorá-lo. Nathan estava certo sobre ele, Liam não era uma pessoa confiável. Olhei para trás e vi as luzes do carro de Liam desaparecerem ao longo da rua. Eu me abriguei debaixo de algumas árvores no acostamento, me sentindo péssimo, irritado e assustado. Liam não tinha o direito de fazer o que ele fez, e a pior parte era não saber como eu voltaria para casa ou mesmo onde eu estava. Peguei o meu celular e enviei uma mensagem para Nathan, pedindo ajuda e compartilhando a minha localização. Julian - 21:15PM Nathan, pode vir me buscar, algo aconteceu e preciso de ajuda, por favor, vem rápido :( Não demorou muito para Nathan responder. Nathan - 21:17PM O que aconteceu, Julian? Que merda, olha onde você está. Liam fez alguma coisa? Por Deus. Vou matar ele. Os meus olhos ainda estavam marejados enquanto eu lia a sequência de mensagens que ele mandou e eu apenas podia me sentir pior. Julian. - 21:23PM Vem logo. Nathan - 21:24PM Indo. Quando Nathan chegou, ele parou o carro com os faróis em minha direção, iluminando-me. Eu estava totalmente encharcado pela chuva torrencial. Nathan saiu do carro com um guarda-chuva e correu para me abraçar apertado. Não dei uma palavra enquanto o agarrava, me sentindo seguro novamente, assim que entramos no carro, ele me encheu de perguntas sobre o que havia acontecido e por que eu estava naquele lugar sozinho. Eu apenas encarei a estrada. Quando nós chegamos em casa, os meus pais já estavam na cama, o que eu agradeci, porque eu não queria ter que explicar o motivo de estar chegando tarde e totalmente encharcado. Estava no meu quarto agora, já havia tomado um banho quente e trocado de roupa. - Você não vai mesmo me dizer o que aconteceu? - pediu Nathan, sentando ao meu lado na cama. - Você sabe que pode contar comigo. - Eu sei. - murmurei. - Só preciso descansar. - eu pedi. Ele entendeu o recado e assentiu enquanto se preparava para sair do meu quarto. - Nate? - O quê? - Dorme aqui comigo hoje. Você sabe, os trovões. - eu disse suavemente, ele sorriu. - Como nos velhos tempos. - ele deitou do meu lado e eu coloquei a cabeça no seu peito, sentindo-me seguro outra vez.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR