A cidade não tinha mudado muito do que lembrava, no caminho de casa, ela percebeu algumas casas que haviam sido construídas após sua partida e um mercado na rua principal que parecia novo.
A casa da família Hutton é mais afastada do centro da pequena cidade. A estrada que dá acesso à entrada da propriedade é cercada por vegetação, a frente um grande portão de ferro com as iniciais HT na cor dourada, anuncia aos que chegam quem a residência abriga.
O pátio de entrada continua o mesmo desde a infância de Helena. Ela tinha saudades mesmo, do outro lado da casa, que construída à beira-mar tinha dava acesso a uma faixa de areia onde Helena tinha passado a maior parte de seu tempo. Ela sentia falta do mar.
A alegria pela chegada deles podia ser ouvida por todos que estavam na casa no volume da voz de Afrodite. Em momentos felizes, o volume da voz da irmã mais velha de Helena sempre se elevava, muito.
Alguns minutos depois, os dois foram levados ao quarto que ficariam durante a estadia na cidade, o antigo quarto de Helena.
Henrique logo saiu com a tia Afrodite para recolher algumas conchas na praia, enquanto Helena terminava de organizar a bagagem dela e do filho.
“Definitivamente um filho aumenta a sua bagagem em quatrocentos e noventa e nove por cento.” Ela pensou colocando os brinquedos de Henrique em um canto do quarto.
Kira e Afrodite logo saíram para acertar alguns detalhes do casamento de Afrodite e Felipe que aconteceria em algumas semanas, Helena decidiu não acompanhar e acabou ficando em casa com o filho que dormia exausto da caminhada na beira do mar.
“Anotação mental: Afrodite é tão elétrica que cansa crianças. Lembrar disso quando Henrique não quiser dormir.” Pensou, segurando o riso.
Aproveitando o silêncio abriu o notebook sobre a escrivaninha de seu quarto, procurando nos principais portais de notícias um assunto que rendesse uma coluna no jornal em que ela trabalhava.
Helena sempre quis ser escritora, colunista de jornal não era exatamente o seu emprego dos sonhos, mas pagava as contas e agora que ela era responsável por outra vida, era o suficiente. O cansaço da viagem a impedia de pensar de forma clara e desenvolver qualquer tipo de argumento, após algumas tentativas frustradas de iniciar um texto e duas idas a cozinha para procurar algo para comer, ela resolveu deixar tudo para o dia seguinte.