-E carregou sozinha o peso dessa decisão. Você é forte, deveria se orgulhar disso.
Como se saísse de um transe ela ela se virou para Richard e sorriu:
-Eu sei.
Nunca se abrira com alguém em pouco tempo de amizade. Não lembrava da última vez que tinha se abrido com alguém. Até mesmo a tentativa de um terapeuta fora um fracasso. Richard havia se afastado, dera a ela um tempo para pensar sozinha.
Perdendo a noção do tempo ela se deixou levar. Algum tempo depois decidiu voltar para a festa. Não havia prestado atenção em todos os presentes, e nem estava com vontade. Procurando se mover rapidamente e sem chamar a atenção ela não percebeu que um convidado usava o mesmo caminho dela. O choque foi inevitável, iria cair no chão se o envolvido no pequeno evento não a tivesse amparado. Quando os olhos dos dois se encontraram qualquer indicio de cor fugiu do rosto dela, era frederico.
-Ouh, moça cuidado por onde anda! Você pode machucar esse rostinho bonito.
Ela não conseguia pensar em uma frase muito menos formula-la. Apenas encarava frederico com uma cara de boba.
Richard que observava a alguns metros fez uma observação mental “definitivamente existe algo entre os dois”.
Afrodite salvou helena de um constrangimento maior, puxando-a para um lado com uma desculpa que ela não entendeu direito. Ela definitivamente não estava bem. Encerrando o dia mais cedo pegou o filho e voltou para casa. A ausência dela foi notada por pouco tempo.
Mais forte que o pensamento de escolhas diferentes, era o pensamento da paternidade do filho ser descoberta, o pior pensamento que lhe ocorrera era perder a guarda do filho, não duvidava que frederico fizesse isso apenas por vingança.
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Kira, a mãe de helena passava a maior parte do dia do estúdio, era o seu refúgio pessoal. Entre os materiais de trabalho, seu computador e a televisão ela trabalhava e se escondia. Se escondia de tudo, das pessoas, da família, do mundo em geral, não que ela tivesse escolha, ela só não conseguia mais lidar, não sabia o que dizer, desde Allan ela só não sabia mais.
A Tv estava ligada em um daqueles programas sensacionalistas que passam dias atrás de polêmicas e ela desconfiva que eles até inventavam algumas, quando uma chamada chamou a atenção:
“O que teria acontecido a família MC Allein depois de todos esses anos? Como estariam Kira, Afrodite e Helena os membros remanescentes desse clã desfeito pelos atos do patriarca? Em breve nós contamos tudo.”
Era como se o sangue tivesse fugido do corpo dela, como assim? Quem contaria? Quem saberia? A família? A famila sabia que não podia tocar no assunto principalmente na frente de Afrodite e helena, helena saberia? Não podia ser, ela teria falado, como certeza ela teria falado. Não podia deixar que descobrissem. Esconder coisas, aparentemente a família sempre foi boa em jogar tudo para baixo do tapete, sempre preferiram esconder os sentimentos a lidar com eles.
Nenhuma das filhas veria a TV enquanto tivesse preocupada com a organização do casamento, pelo menos ela não teria que se preocupar por isso por algumas semanas. Tinha que haver um espião, alguém de perto que estava ali exclusivamente para reunir informações. Ela deveria ser mais presente, observar mais as pessoas. As pessoas da cidade em sua maioria não assistiam o canal e se assistissem não iriam se importar, em sua mente buscou alguém que pudesse ser de fora, mas se tinha alguém de fora ela não conhecia. Precisava estar alerta e observar, precisava proteger as filhas, como toda mãe faria qualquer coisa para protege-las do mundo se fosse preciso e inclusive da verdade.
A madrugada fora em claro então ela não acordou cedo no dia seguinte. Alguns segundos depois de abrir os olhos, olhou o horário no telefone e se surpreendeu, eram onze horas da manhã.
Após se arrumar desceu ao encontro da família. A sorte dela é que naquela casa todos eram adeptos da política: não explicou, não pergunte. Nenhum parente perguntou ou ousou comentar o que acontecera na noite anterior.
Permaneciam na casa, além dela apenas os parentes que tinham vindo de fora do país.
O encontro havia sido um choque, ela não esperava vê-lo na noite anterior a mistura de fortes emoções a abalaram. Quando saira da cidade, procurou afastar Frederico de sua mente o mais rápido possível, queria achar que o havia esquecido obviamente fracassara. Era óbvio que a situação dos dois estava m*l resolvida mas ela não tinha a menor intenção de resolve-la.
Passando pela cozinha fez para sim um prato de frutas e se dirigiu a antiga biblioteca da família, seu segundo esconderigio de infância, ninguém entrava lá a muito tempo, ela não seria incomodada.
Henrique acordara ao mesmo tempo que ela e logo se entreterá com a tia e a empregada da família. Era bom ter ajudar para cuidar dele.
A irmã a encontrou depois de um tempo e ela não escapou dos comentérios:
-Nossa! Você parece estar de ressaca, ontem realmente não foi seu dia. Quer conversar? –ela brincou.
-Minha cara está tão r**m assim, você é a segunda pessoa que me faz essa pergunta em vinte e quatro horas. –helena respondeu a irmã procurando se animar.
-Assim...tá ruinzinha, mas nada que uma dose de maquiagem não resolva.
Helena deixou espaçar uma risadinha:
-Delicada você hein?
-Não me peça para ser querida e compreensiva, eu tenho um compromisso com a verdade. Vamos por partes: primeiro explique todo o chororô de ontem a noite e porque exatamente você não dispensou Frederico sozinha.
-Já falei sobre o chororô com alguém então me reservo o direito de ficar calada, sobre Frederico, bem...eu não sei explicar, apenas não consegui reagir.
-Você ficou nos braços dele por dois segundos e já estava toda derretida. – Afrodite incomodava.
Uma almofada voou do sofá em que helena estava sentada e bateu no lado direito do rosto de Afrodite.
-ABSOLUTAMENTE NÃO!
Elas não precisavam se preocupar em ser ouvidas.
-Eu me assustei, ele e Henrique no mesmo recinto e a ideia que ele descubra quem é o pai me deixou congelada.
- Porque? –Ela não conseguia entender.