Capítulo 4

1101 Palavras
Capítulo 04 Mya Taylor Coloco o celular na orelha e já começo a falar, bem empolgada. — Pai… Bom dia! Como o senhor está? Eu estava com saudades de ouvir sua voz… — receber a ligação do meu pai animou o meu dia, eu estou tão ansiosa e nervosa por conta da formatura que tinha até me esquecido que eles viriam. Começo a sorrir, enquanto espero meu pai me responder. — Bom dia, filha… estamos bem, sim, e você? — Assim que ele me responde, senti que havia algo errado, seu tom de voz está diferente, ele parece para baixo, desanimado, ele não é daquele jeito, aquilo me preocupou no mesmo instante. ‘’Hummm, que estranho. Será que aconteceu algo?’ me questiono, levando a mão em meu rosto, enquanto me olho no espelho. — Aconteceu algo, pai? — Pergunto com medo de ouvir sua resposta, de ser uma má notícia, e ele fica em silêncio por alguns segundos, como se estivesse tentando pensar em como dizer. — Bem… tivemos alguns contratempos esse mês… sabe como é… — Ele dá uma risadinha forçada e continua. — Infelizmente sua mãe não vai poder ir até a sua formatura, as contas apertaram e ela precisou pegar um trabalho novo para completar a renda. Quando ouvi aquelas palavras, foi como se o chão se abrisse debaixo dos meus pés. A pessoa que eu mais admirava na vida não estaria presente na entrega do meu diploma. Quase deixo a base cair da minha mão, a seguro com força e então minha mão segura fortemente na beirada da pia, sinto o meu coração acelerar, se apertando, não acreditando no que ele havia me dito. ‘’Minha mãe não poderá vir? Isso é serio?’’ me questiono, não crendo. Nesse momento, me seguro para não chorar, e noto que meu pai permanece calado, como se tivesse mais alguma coisa. “Mas que merda é essa? Por que tudo isso está acontecendo comigo? Perto do dia da minha formatura… O que fiz de errado? O quê?” Eu me pergunto tentando ficar calma, tentando me manter firme, e quebrando o silêncio que paira no ar, eu pergunto novamente se aquilo é tudo. — Tem mais alguma coisa? Por que você tá tão calado, pai? — Minha voz saiu trêmula e meus olhos se encheram de lágrimas, torci para que ele não percebesse que eu estou quase chorando, foi quando eu ouvi sua voz que percebi que as coisas eram piores do que eu imaginava, assim como eu, ele parece estar prestes a chorar. — Me perdoa filha, mas não vou conseguir te ajudar com o aluguel desse mês. — posso ver o quanto ele tenta controlar a voz, fingindo não está chorando. — Fui demitido do trabalho que estava, eles estavam fazendo alguns cortes de gastos, e no final uma grande parte dos funcionários foi mandado embora. — Ele tentou se explicar, e eu permaneci paralisada, ainda tentamos digerir tudo aquilo que havia ouvido. ‘’ Meu pai foi demitido? Ceus…’’ coloco a mão na boca, meio chocada. Minha mãe e melhor amiga não iriam à minha formatura, e agora, eu tinha que dar um jeito para arranjar o dinheiro do aluguel quanto antes, caso contrário, estaria no olho da rua. Meu coração martelou, e ao ver meu reflexo, percebi o quanto meu rosto está rosado, as olheiras fundas e o pior, estou segurando as lágrimas, que ameaçam rolar. Que inferno! Parece que tudo resolveu dar errado de repente. Como se o universo quisesse ferrar comigo, só pode ser isso. Sei que meu pai não tem culpa, mas isso me pegou desprevenida. É uma coisa atrás de outro, só para me derrubar. Isso é … doloroso. E ainda me dói mais, devido a meu pai, penso em como ele deve estar se sentindo . Meu pai estava há muito tempo trabalhando na empresa, e ter sido demitido assim deve ter deixado ele arrasado, não posso deixar ele mais preocupado, não em um momento como esse. Eu preciso ser forte, e ser confiante agora. Respiro fundo, passando uma de minhas mãos em meu rosto, tentando relaxar a minha mente . — Filha? Você está aí? — Ele chama a minha atenção, e eu volto a mim, piscando os olhos algumas vezes, puxo o ar e então, o respondo . — Sim … estou me arrumando para a faculdade. — tento parecer calma . — Está bem pai … não precisa se desculpar, na realidade você nem deveria estar pagando esse aluguel, eu já deveria ter arranjado um trabalho melhor há um tempo . — Solto brincando, e continuo, começando a passar a base em meu rosto abatido . — Me formando agora, irei conseguir um bom emprego logo, tenho certeza que as coisas vão melhorar, eu poderei ajudar você e a mamãe, não quero que fiquem trabalhando tanto, vocês precisam descansar . Meu pai solta uma risada, quebrando aquele clima. O que me faz um sorriso fraco surgir. — Se preocupe apenas com você, minha filha. Procurarei um novo emprego, tá bom? E me desculpe mesmo, minha filha . Termino de ajeitar a minha maquiagem e então o respondo . — Não se preocupe, pai. Em breve vou conseguir um bom emprego . — tento não desmoronar naquele momento, e o meu pai então prossegue . — Eu vou chegar a tempo da sua formatura, minha filha, vou pegar uma carona com um amigo, tá bem? Será o melhor dia da minha vida, vendo você se formar. — ele parece fungar alto, ele com certeza chorou, e isso me quebra, realmente. Uma coisa boa nisso tudo, é que mesmo com o inesperado ter surgido, o meu pai estará presente, no dia mais sonhado da minha vida. O dia em que vou me formar, e isso faz com um sorriso se prolongue em meu rosto, mesmo sentindo algumas lágrimas rolarem sobre a minha face . Mesmo com o coração triste naquele momento, pensar que meu pai virá na minha formatura, faz um misto se sensações surgirem , mesmo estando triste por tudo isso, ter meu pai presente nesse dia, faz com que eu me sinta um pouco melhor . — Ótimo pai, vou estar esperando, obrigada por ter ligado . — falo me olhando no espelho, enquanto sinto sua respiração longa e sua voz logo em seguida . — Bom, minha filha, vou deixar você se arrumar, não quero que se atrase, eu te amo filha, até breve. — ele se despede de mim e acabo sorrindo, mais uma vez . — Eu te amo pai, muito! Se cuide, até mais .
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