Dante O motor do jato corporativo ronca baixo, quase sereno. Por dentro, nada em mim é sereno. As últimas setenta e duas horas foram um campo minado: rastros falsos, ameaças anônimas, o rosto de Luca em cada sombra. Agora vou para Genebra fechar um contrato que deveria salvar a fusão. Selena Duarte vem comigo. O destino tem um humor ácido. Ela entra na cabine com passos medidos, pastas nas mãos e o mesmo ar de quem dorme menos do que sente. — Senhor Moreau — cumprimenta, sem olhar muito. — Doutora Duarte. O avião decola. A tensão sobe junto. Lá fora, nuvens densas. Aqui dentro, o silêncio que só existe entre dois que se conhecem demais sem terem se tocado. Quatro horas depois, quando pousamos, o aeroporto parece vazio demais. Antony, meu assistente, devia estar ali. Não está.

