O Sopro e o Corpo

1226 Palavras

Clara A casa respira diferente quando o amor se aproxima. O vento muda de direção, o fogo se ergue sozinho, e as paredes parecem pulsar, como se guardassem um coração vivo. Desde a noite em que Miguel dormiu aqui, nada mais voltou a ser silêncio. O ar vibra. O chão murmura. O mar, lá fora, canta o nome que eu não sabia que tinha — um nome que parece ser meu e, ao mesmo tempo, de outra que me habita. Passei a manhã andando pelos cômodos. Cada passo ecoava em mim como se a casa e eu fôssemos uma só coisa. O diário continuava aberto sobre a mesa,as páginas em branco, mas quentes. Toquei a capa e senti o calor subir pelo braço,como se o livro tivesse um pulso. — Helena… — murmurei. — Está aí? O vento soprou por uma fresta da janela, passando sobre meu rosto com suavidade, quase u

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