Dante Desde a morte de Viktor, o mundo parece quieto demais. O mar não ruge. O vento não canta. Nem mesmo o inferno respira. Mas é exatamente esse silêncio que me atormenta. Porque o inferno nunca fica quieto sem motivo. Ele espera. Observa. E, às vezes, aprende a falar na nossa voz. As marcas no meu corpo se apagaram, mas o calor continua. Sob a pele, sinto um pulso lento — como se o fogo dormisse, sonhando comigo. Às vezes acordo à noite e acho que ele ainda está lá, me olhando de dentro, testando o quanto de mim ainda pertence a ele. Selena tenta fingir que tudo voltou ao normal. Faz café, abre as janelas, fala de reconstruir o telhado da casa. Mas, quando pensa que não vejo, ela se senta na varanda e olha o mar — aquele mesmo mar onde Viktor apareceu — com medo de que o

