O amanhecer chegou sem que Selena percebesse. Os números, as pastas e os relatórios se amontoavam na tela do computador, mas o que doía não era o cansaço — era o pressentimento. Desde a madrugada anterior, sentia que algo se movia à sombra. O império Moreau nunca dormia. E, naquele lugar, quem ficava acordado demais acabava vendo o que não devia. Levantou-se para pegar café. A copa do andar estava deserta. O som do líquido caindo no copo era o único ruído. Quando voltou à sala, o monitor piscava — uma nova mensagem. Sem remetente. Sem assunto. “Você não pertence a este lugar.” A mão dela tremia levemente. Apagou a mensagem, respirou fundo, e forçou a razão a falar mais alto: paranoia. Mas no fundo, sabia — ninguém mandava recados no império sem motivo. E ninguém ousaria fazê

