Selena deixou o galpão sentindo o mundo girar. As palavras ditas ali — minha irmã, sua assinatura, você me destrói — ainda queimavam sob a pele. Mas ela precisava de distância. Precisava pensar. Precisava se lembrar de que Dante era o inimigo. Mesmo que, naquele instante, ele não parecesse um. Ela entrou no carro e dirigiu sem destino por alguns minutos, tentando recuperar o fôlego. O volante parecia mais pesado nas mãos. Os músculos, tensos. A mente, um campo minado. Só percebeu que estava sendo seguida quando virou a terceira esquina e o mesmo carro cinza dobrou junto. Devagar demais. Perto demais. Silencioso demais. O estômago dela afundou — mas ela manteve o rosto impassível. Ninguém jamais pode ver seu medo. Ela acelerou. O carro atrás acelerou também. Virou à direit

