A moto subiu a ladeira do Coroa n***a com o motor roncando baixo, o vento da tarde já começando a esfriar o ar quente do morro. Marcela estava sentada na frente de Sombra, no tanque da moto, como ele sempre fazia quando a levava pelas vielas. Os braços dela estavam cruzados, o corpo rígido. Diferente de outras vezes, ela não falava nada. Sombra percebeu. Desde que tinham saído da padaria, ela estava quieta demais. Ele parou a moto em frente à própria casa, no alto do morro. Desligou o motor e por alguns segundos nenhum dos dois se mexeu. — Chegamos — ele disse. Marcela desceu da moto sem olhar para ele. Entrou na casa primeiro. Sombra tirou o capacete e entrou logo atrás, fechando a porta com calma. A sala estava silenciosa, iluminada apenas pela luz amarela da cozinha. Marcela cam

