LUCIFER - ENTREGA

1054 Palavras

A porta do quarto se fechou com um cuidado quase reverente, como se o menor ruído pudesse quebrar algo sagrado demais para ser nomeado. Helena ficou alguns segundos parada, a mão ainda pousada na madeira, respirando devagar, sentindo o coração bater forte demais para aquela hora da madrugada. Murilo dormia. A casa, enfim, estava em silêncio. E, ainda assim, havia um barulho dentro dela — um eco antigo, um chamado que nunca tinha ido embora de verdade. Quando virou, Lucifer estava ali. Não encostava nela. Não dizia nada. Apenas olhava. A luz fraca da sala desenhava sombras no rosto dele, marcava a barba por fazer, as tatuagens que subiam pelo braço, o cordão dourado que repousava contra o peito nu. Havia algo quebrado naquele homem parado à sua frente. Algo contido à força. Helena sentiu

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