Eu nunca pensei que minha noite ia ser assim. Se alguém tivesse me dito, anos atrás, que eu ia estar dentro de uma casa simples, num morro que nem é meu, com uma criança pequena correndo pela sala, eu tinha rido na cara da pessoa. Ou pior. Mas ali estava eu. Sozinho. Sem arma na mão. Sem rádio chiando. Sem ninguém me chamando de chefe. Só eu… e ele. Murilo. Meu filho. Quando a porta fechou atrás da Helena e o silêncio tomou conta da casa, eu senti um peso estranho no peito. Não era medo. Era responsabilidade. Uma coisa que eu sempre mandei os outros carregarem pra mim. Murilo me olhou, com aqueles olhos grandes, curiosos, como se estivesse avaliando se eu prestava mesmo pra ficar ali. — É nós dois agora, parceiro — eu falei, meio sem jeito. Ele respondeu com um som que parecia um “t

