A ligação com Lúcifer tinha terminado, mas minha cabeça não. Eu fiquei sentado no sofá da sala, o celular ainda na mão, encarando a tela apagada como se ela fosse me dar resposta pra alguma coisa maior. Lá fora, o morro estava em silêncio parcial — aquele silêncio que só quem mora em favela entende. Não é ausência de som. É ausência de ameaça imediata. Mas dentro de mim, o barulho continuava. Eu repassei cada palavra que o Corvo tinha mandado. Cada frase carregada de posse. Cada tentativa de colocar medo. Ele não estava só testando ela. Estava testando território. Eu levantei e fui até a janela. Do alto da minha casa dava pra ver parte da principal. A luz de um poste piscando, um vapor mais abaixo trocando turno, uma moto subindo devagar. Eu sempre gostei dessa vista. Me dava sensaçã

