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1187 Palavras
Lídia Olhei o relógio, já eram 15:30. Dei um beijo na testa da minha mãe e, mentalmente, pedi para ela me desejar boa sorte, porque eu não sabia o que esperar. Chamei um Uber e vim direto para a casa da Sara. Tô aqui, a campainha tocou e não demorou muito para ela vir abrir. Ela estava de pijama e me olhou com um sorriso lindo. Ela me deixou entrar e eu me sentei no sofá. A casa dela estava linda, toda reformada, parecia até a casa de gente rica. Pelo visto, esse bagulho dá dinheiro. Sara: Bom, eu sei que você deve estar com muitas dúvidas, mas eu vou ser bem clara com você. Vamos lá: nós vamos para uma festinha no presídio e, quando a gente chegar lá, vão ter vários homens. Tem mulheres que transam com um só, mas tem mulheres que transam com mais de um. Se você tiver a sorte de ser escolhida por um chefe, bagulho alto, você vai ganhar muito dinheiro. Mas se você for escolhida por um preço aleatório, que seja gerente, algo assim, patente mais baixa, você vai ganhar menos dinheiro. Eles pagam muito bem; geralmente, eles pagam entre 5 a 10 mil por programa. Eu não sei se é o que você precisa, mas nesse momento é o que eu posso te oferecer. Se você sair com mais de um preso em uma noite, você com certeza vai fazer o dinheiro que precisa para poder salvar sua mãe. Lídia: Mais de um? Sara: Você está precisando de 30.000 e eu nunca vi nenhum deles pagar R$ 30.000 para sair com uma mulher. Eu acho que vai ser muito caro. Tem mulheres muito bonitas lá, mas, para sua sorte, você também é linda e com certeza vai conseguir uma proposta alta. Você não deve falar nada, não deve fazer perguntas. Não interessa se eles são casados ou solteiros; você estaria lá para fazer o seu trabalho e tudo o que acontece lá dentro fica lá dentro. Você não pode comentar com ninguém, senão um dos caras pode acabar te mandando de arrastar para cima. Nós vamos sair daqui mais ou menos às 21:00 da noite, já está tudo no esquema. Eu já fiz isso várias vezes e não se preocupe, não vai acontecer o que aconteceu na novela com a Bibi Perigosa. Ninguém vai pegar a gente lá dentro; nós vamos entrar e vamos sair tranquilamente. Lídia: E se um desses caras cismar comigo, o que eu faço? Sara: Então, eu quero te mostrar uma coisa. Vamos lá para cima, no meu quarto. Subi para o quarto dela com o pé atrás e, quando cheguei, tinham várias perucas em cima da cama, tinham lentes de contato e outras coisas. Ela me encarou sorrindo e falou: Sara: Você pode escolher a peruca que achar que vai ficar melhor em você, que eu vou te ajudar a colocar. E se você quiser colocar uma lente para esconder os seus olhos, você também pode usar. Eu sempre vou disfarçada para eles não me reconhecerem na pista, até porque eu não quero ficar conhecida como p**a na boca desses caras, né? Aí eu broto em um baile de favela e um deles me reconhece e pronto, fodeu. Não é isso que eu quero para minha vida. Eu estou fazendo isso por diversão e por dinheiro, claro, porque eu confesso que me dá um friozinho na barriga. Fazer job dentro da cadeia é muito melhor do que ficar pela pista dando de graça. Eu sei que para você parece muito estranho, mas eu garanto que você vai gostar. E quando você sentir o friozinho na barriga porque está correndo perigo de sair com presidiário, vai te dar t***o, eu te garanto. Agora vamos começar a sua transformação, porque depois eu vou fazer a minha para a gente ficar pronta na hora, porque a van vai passar e eles não ficam esperando a gente, não, gata. Eu escolhi uma peruca ruiva, mas não quis mudar a cor dos meus olhos. Achei que iria combinar castanho mel com ruiva, vai dar certo. Ela começou a trançar meu cabelo e me ajudou a colocar a peruca. Depois eu fui tomar um banho, aquele banho demorado para poder ficar no talento, como ela falou. Quando eu saí, ela já estava irreconhecível, estava com um cabelo loiro e os olhos claros, parecendo outra mulher. Eu tomei um susto. Ela me deu um vestido vermelho, curto e colado no corpo, para eu colocar, e um conjunto de lingerie novo. Ela disse que era para eu chamar a atenção de alguém que pudesse me dar o dinheiro que eu ia precisar. Quando terminamos de nos arrumar, já eram 20:30 da noite. Olhei no espelho e quase não me reconheci. Ela fez uma maquiagem linda e eu estava parecendo um mulherão da p***a. Não que eu não seja, mas eu estava chamando mais a atenção do que costumo chamar no dia a dia. Nós descemos para o portão dela e, às 21 horas em ponto, a van chegou. A Sara estava espalhando toda e falando com todas as meninas. Ela foi me apresentando uma por uma e elas foram contando histórias que aconteceram com elas dentro dos presídios. Eu fiquei apavorada. Teve uma que falou que fez uma suruba e saiu do presídio com mais de 70.000 em uma noite. Eu perguntei com quantos homens ela tinha transado e ela falou que com uns 12. Eu fiquei apavorada porque eu não quero t*****r com dois caras em uma noite. Quando a van parou, me deu um frio na barriga. Um agente penitenciário saiu para fora e fez sinal com a mão. Elas foram andando na direção dele e eu fiz a mesma coisa. - Vocês já sabem como funciona o esquema: é proibido celulares lá dentro, é proibido cigarros ou qualquer coisa de metal. Todas vocês têm que se comportar e todas têm que estar do lado de fora exatamente às 4 horas da manhã. Todas elas balançaram a cabeça e deixaram a gente entrar. Nós chegamos em um corredor e as celas foram abertas. Vários homens foram saindo e o meu corpo começou a ficar todo arrepiado. As meninas começaram a encostar na parede e eu fiz a mesma coisa, sem saber o que fazer. Eles ficaram parados esperando alguma coisa e eu não sabia o que, até que a última cela se abriu e um homem forte, alto, tatuado e n***o saiu. Ele tinha uma cara de m*l que me fez tremer toda. A Sara me encarou e falou: Sara: Esse é o chefe da facção. Ele paga muito alto para as meninas que transam com ele. Ele foi olhando uma por uma e, quando chegou em mim, ele me olhou de cima a baixo. Ele se aproximou de mim e a minha perna ficou bamba. Ele me encarou novamente e falou: Pantera: Eu quero você. Ele falou e saiu andando. Eu fiquei paralisada até a Sara me empurrar e falar: Sara: Vai, maluca! Eu fui andando atrás dele e ele entrou na sala. Eu entrei logo atrás, nervosa.
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