7. SOFRIMENTO

1343 Palavras
Minha avó entrou no quarto e fechou a porta após meu primo sair, para minha sorte Bruno ainda finge que respeita ela ou eu estaria perdida nessa casa, ele faz o que quer aqui, e quando meu avô não está ele se acha o homem da casa. Não sei o que é pior ele ou meu avô, pelo menos meu avô se dedica a manter-se longe do meu quarto e da Léa, já o Bruno faz questão de entrar e sair quando bem entende. Eu estava frustrada com a ligação ao Miguel, queria saber o que está acontecendo, e o porquê da sua mãe falar tudo isso, ela sabe de nós e sempre foi contra assim como o meu avô que soube no susto, mas a mãe dele… diria que ela me odeia, e faz questão de manter o Miguel bem longe de mim. Mas agora estou aflita com o que ouvi dela, só se passa em minha mente que o meu avô tem algo a ver com o sumiço dele, meu deus, será que meu avô pôde fazê-lo algum m*l mesmo sabendo que a sua família tem muita influência na cidade? — O que foi Lia, por que está com essa carinha de preocupada? — Minha avó me tira dos meus paranoicos pensamentos que estão a mil por hora. — Olha a Larissa aqui, ela veio te ver e você aí em devaneios. — Minha avó chama minha atenção para Larissa que estava em minha frente, parece ainda se assustar com as atitudes do Bruno. — Vó Louise, a Lia precisa falar com a senhora… — Larissa fala me fazendo a repreender com os olhos e com a cabeça em negativo, mas ela continua — Lia, por favor amiga, não tem jeito, vai se dar m*l, fale logo. — ela me incentiva a me abrir com minha avó que me olha atenta. m*l sei como olhar para minha avó, fico calada e cabisbaixo, penso no tanto que meus pais ficariam decepcionados comigo nesse momento, mas se eles estivessem vivos seria tudo diferente. — Você está grávida não está Lia? — minha avó me olhou decepcionada, vejo os olhos do meu pai nela já que eram muito parecidos, ali eu via o olhar do meu pai decepcionado, mas nos olhos dela também percebo o quanto está aflita pela minha situação. — Não… não posso estar, ainda não tenho certeza de nada. — Falo nervosa. — Penso que posso estar sofrendo novamente de ansiedade. — falo a ela que se n**a. — Deus me livre filha, você quase morreu quando passou por isso, não me lembre. — Ela abraça minha cabeça, e afaga meus cabelos com seus dedos. — Me dá o celular Larissa. — Minha avó se mostra mais esperta que eu minha amiga juntas, me pergunto como é que ela sabe do celular. Sem jeito, Larissa retirou o celular de dentro da blusa e entregou a minha avó, ela me olhou com o celular em mãos. — Sabe o que seu avô fará com você se souber que entrou em contato com o Miguel. — Ela me repreende calmamente, só está preocupada, ela também sofre nas mãos do meu avô, sabe como ele pode ser r**m. — Liguei vó, e ele não atendeu, a mãe dele atendeu e me perguntou onde ele estava, me falou absurdos… A senhora sabe de algo? Por favor, me fale, o vovô matou o Miguel? — pergunto a ela que se n**a, por mais que minha avó esteja há tanto tempo casada ela se n**a a entrar nos assuntos do meu avô, só sabe do casamento por que meu avô me envolveu nisso. — Filha sabe que nem tenho em vista saber de nada que seu avô faça da vida, não me meto nos assuntos dele, e te aconselho a fazer o mesmo quando se casar, mas posso te dizer que se o Miguel está sumido ele pode, sim, ter algo com isso, sabe que não minto a você, infelizmente conheço bem o velho que tenho ao lado. — O cão de guarda dele sabe de tudo. — resmungo lembrando que Bruno sempre está por dentro dos assuntos do vovô. — Não procure saber de nada filha, já temos problemas demais. — Minha avó respira pesado, tenho pena dela, sua vida não é nada fácil, mas ela sempre tenta amenizar as situações. — Em breve estará casada, pense em você. Pedi para Léa comprar um teste para você, sem o seu avô saber, logo ela chega e veremos se está grávida ou não. — ela fala em tom baixo demonstrando descontentamento. — E se eu estiver? — Olho para ela atenta, minha avó se n**a e uma lágrima cai dos seus olhos. — Não sei filha, sinceramente… mas penso que seu avô acabará comigo e com você se isso acontecer. — Minha avó abraça-me forte, suas mãos tremem, sinto o pesar do que fiz, ela sofre de pressão alta, tenho medo de perdê-la. Que burrada fiz, sim, eu amo o Miguel, mas poderia ter prevenido, afinal nem tínhamos condições de criar um filho no casebre e na situação que estávamos vivendo, meu deus olha só como estou prejudicando a pessoa que mais amo na vida. Não posso estar grávida, meu deus, por favor, isso não! Louise Penso que nunca vivi, sempre sobrevivi ao longo da minha vida. Ao completar os meus 15 anos de idade me achava dona do mundo e da minha vida, conheci e me casei com Rubens, me pergunto como era tão nova e tão boba, inocente, m*l sabia o que queria da vida, mas fui adiante, na verdade, fugi de casa para ficar com ele que me prometia amor eterno. Me lembro até hoje das palavras do meu pai, dia após dia ele repetia que eu me arrependeria dessa diversão de adolescente que poderia ficar traumas para o resto da vida, hoje sei bem do que ele estava falando. Mas estava cega pela paixão, não enxergava um palmo a minha frente graças a esta, a minha realidade era um conto de fadas, para mim Rubens era o amor da minha vida, o homem que Deus colocou em minha vida para me livrar do cárcere que eu vivia em casa. Era filha única, meus pais sempre foram protetores demais, eu não saia de casa, nem ao menos para comprar pão, tinha tudo na mão e saia só para escola, mas sei que faziam isso por temerem em perder a única filha, eles me conceberam já em idade, meu pai tinha 57 anos quando nasci e minha mãe 54, era improvável que eles teriam filhos, mas a persistência não os deixou desistir. Minha mãe dizia que foram várias gestações interrompidas, mas ela queria ter filhos e o meu pai também, hoje vejo como fui decepcionante para ambos que acima de tudo sempre me amaram, até quando eu os decepcionei, afinal fugi deles sem ao menos olhar para trás, sem pensar em como eles me desejaram a vida inteira, e penso hoje em como fui ingrata, mas quando somos jovens e privados de muitas coisas vemos o mundo como um livro fantástico a ser lido e descobrir os acontecimentos, se eu pudesse voltar no tempo e tê-los de volta faria tudo diferente, curtiria os momentos juntos, ficaria ao lado na velhice e cuidaria de tudo para vê los feliz, hoje vejo o quanto fui amada e desejada e por isso não desisti da vida após ter me casado, por eles. Após fugir com Rubens fui ver os meus pais novamente quando tive o meu primeiro filho, foi tudo muito rápido, muito invasivo, meu mundo girou de ponta a cabeça, fui mãe cedo demais, tinha apenas 15 anos e posso dizer que daí em diante foi só ladeira abaixo. Rubens era o homem dos sonhos até então, ele tinha os seus 19 anos, mas não demorou para eu descobrir que ele era infiel, eu era ciumenta, e como era, achava mesmo que eu era seu mundo e quando descobri a traição o meu mundo veio abaixo. Continua...
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