Quem sou eu? Julia, Renan e Clara.

1847 Palavras
Sou a Julia, tenho Dezessete anos e estou terminando o ensino médio. Namoro escondido desde os 13 anos com o Renan (filho do Paulo e da Maria, amigos do meu pai de longas datas), temos a mesma idade. O tempo passou e crescemos, porém, nosso relacionamento não evoluiu em nada. Hoje tenho um corpo de mulher que atrai vários olhares, menos o do meu namorado, que por algum motivo tem evitado tocar em mim. Saio da escola e como de costume, escuto assobios e as cantadas baratas dos meninos na porta do colégio. Ignoro os idiotas, pego meu celular e ligo para o Renan. Ligação on: — Oi, pode falar! — atende seco. — Oi amor, estou com saudades, posso passar na sua casa? — Não custa nada tentar — só tive dois tempos de aula. — Acho melhor não amor, meus pais saíram, mas estou com sono. — boceja. — Melhor ainda! Eu te desperto. — me animo. — Ju, você… Ligação off. Desligo antes do meu namorado terminar de falar, senão, seria aquela mesma ladainha de sempre, minha mãe pode chegar e nos pegar aqui sozinhos, não teremos como explicar e blá blá blá… No início quis o namoro escondido, porque moro com o meu pai desde que minha mãe nos abandonou para ir viver em outro estado, então não sabia como falar com o meu pai sobre garotos. Na época tinha 13 anos, agora estou com 17 e penso que não teria problema algum, meu pai conhece o Renan e adora a sua família, mas o medroso insiste que não tem coragem de encará-lo. Chego na casa do Renan, antes que fale qualquer coisa, me penduro em seu pescoço e o beijo com vontade. Meu namorado até tenta reclamar, mas logo desiste e se entrega ao momento que vai ficando mais quente. Ele pressiona nossos corpos, sinto sua ereção e um leve arrepio que faz meu pêlo se eriçar. Toco seu abdômen com as pontas dos dedos e desço até sua i********e, mas o i****a para o beijo. — Como foi o seu dia, amor? — vira-se de costas. — Você só pode estar de brincadeira, Renan? É sério isso? — olho descrente. — Vamos com calma, já te disse que nossa primeira vez não precisa ser assim de qualquer jeito, tem que ser um momento especial — beija a minha testa. — Entretanto, esse momento especial nunca chega! — fechei o semblante. — Vem aqui, gostosa! — me abraça rindo — Você precisa se controlar, amor! Aqui não é lugar para isso, e se alguém chegar? — As coisas ficariam mais fáceis, se você assumisse que sou sua namorada! — bufo. — Ah, Julia, você de novo com isso! O que importa é o que sentimos um pelo outro! Você sabe como o Tony é todo protetor, ele vai me matar. — Menos, Renan! Meu pai não está me criando para si, e já temos idade o suficiente para assumir um relacionamento, um que seja de verdade! Estou cansada desse acende e assopra! Tenho meus desejos e quero você por completo! Independente de onde seja, sei que será especial porque será com você! — Aponto meu dedo indicador em seu peito. — Julia, se você veio aqui para ficar fazendo cena, preferia que não tivesse vindo! — Renan altera a voz. — Ok Renan, vou embora! Faça-me o favor de me esquecer! — Pego minha mochila. — É óbvio que não irei te esquecer, você é minha namorada! — debocha. — A partir de hoje não sou mais! — abro a porta da sala — Na verdade, nunca fui! — Julia, por favor, sem infantilidade! Seja mais madura. — me acompanha até a saída. — Tudo que busco é um relacionamento maduro, onde o meu namorado me assuma e não invente desculpas na melhor parte! — Saio batendo o portão. Saio da casa do Renan me sentindo a psicopata do sexo! Não deveria estar brigando com o meu namorado por sexo.Como pode um cara de 17 anos não querer se relacionar sexualmente com a namorada? Antes eu pensava que o problema era eu, porém sei que sou bonita e muito atraente. Quando estou na rua, noto os olhares masculinos sobre mim e sinto o desejo do Renan, só não sei o porquê de sempre travar. *********** Renan A pergunta é, porque entrei nessa furada? Cada dia está mais difícil esconder o meu segredo da Ju, às vezes sinto vontade de contar a verdade, mas não quero magoá-la. Sei que errei em esconder isso, mas a amo e não quero perdê-la. Por esse motivo, não quero contar aos nossos pais sobre o nosso relacionamento, porque quando o meu segredo vier à tona, corro o risco dela não querer olhar mais na minha cara. Hoje após ela ter saído brava, vi que não tenho outra alternativa, preciso contar a verdade ou perco a minha namorada de vez. ************** Julia Chego em casa e meu pai está na sala vendo tv. — Paizinho! Chegou mais cedo hoje? — Me jogo ao seu lado no sofá. — Sim, minha princesa! Vim passar a tarde com você, lembrei que você disse que sairia cedo. Amanhã viajo a trabalho e ficarei três dias fora. — franzo a testa. — Poxa, pai! Sentirei saudades, não quero ficar sozinha aqui — elaborei uma carinha triste que sei que ele não resiste — me leva com o senhor, por favor? — Bem que queria te levar, filha. Você sabe que odeio ficar longe de você, mas dessa vez não poderei, infelizmente. — ele me abraça. — Pai o senhor sempre dá um jeito e me leva. — me aconchego em seu colo. — Mas dessa vez não dá mesmo, o lugar que vou é turístico, e quando te levo seus gastos saem do meu bolso, os custos lá são bem altos e a nossa grana está curta. — Te entendo, pai. — Fiquei realmente triste, mas sorri para o Tony não perceber, pois ele é um ótimo pai e sempre faz tudo por mim. Enquanto minha mãe nos abandonou para brincar de casinha com outro e já tem 2 filhos que nem fez questão de apresentar-me. — Mas, já falei com a Clara e ela aceitou ficar com você esses dias, caso você se sinta sozinha — a Clara é nossa amiga, ela mora no mesmo condomínio. — Ah Pai, que vergonha! Não sou mais um bebê, consigo me virar sozinha. — Negativo, Você é o bebê do papai! — me faz cócegas e retribuo, entre gargalhadas. — Vem, vamos almoçar. Sei que, como de costume, a senhorita foi para a escola sem almoçar! — Não gosto de comer sozinha, pai! — faço bico. — Você tem é preguiça de fazer! — sorrimos. Amo o meu pai, ele é o melhor presente que a vida me deu. Almoçamos juntos e passamos o dia vendo filmes. Mais tarde fui até a casa da Clara, ela tem 27 anos e se separou do marido há 2 anos e mora sozinha. — Oi, Clara! Vim ver como você está. — percebo que ela está de saída — Está bonita, sairá com algum boyzinho? — Quem me dera! Sairei com o chato do meu irmão para comprar algumas coisas. Ele retornou a pouco tempo e ainda não se situou por aqui — o irmão dela está morando aqui recentemente, não o conheço ainda — amanhã te quero aqui comigo, nada de ficar sozinha em casa! — Você e meu pai, são dois chatos! Fico em casa mesmo, talvez venha para dormir. Estou indo, não quero atrapalhar sua saída. — Te acompanho, já estou de saída, o Carlos está lá fora me aguardando. — ela pega as chaves sob a mesa Descemos falando coisas aleatórias, ao abrir o portão, um homem de estatura alta estava encostado e quase cai, me deixando sem reação. — c*****o, Clara! Assim que você me recebe? — seus olhos verdes e penetrantes caem sobre mim. — O portão foi feito para ser encosto por acaso? — a Clara responde rindo — Quem abriu foi a Julia, minha amiga, Ju esse é o chato do meu irmão mais velho. — Oi! — ele toca minha cintura de leve e beija meu rosto me fazendo arrepiar. — Oi! — mantenho a calma — Desculpa pelo portão. — Desculpa pelo palavrão! — ele sorri sem jeito. ************* Clara Vi que meu irmão comeu a Ju com os olhos então tratei de arrastá-lo, já basta a minha queda pelo Tony, o pai dela. — Tira o olho, seu safado, ela não é para o seu bico! — falo ao entrar no carro. — Ah para Clara, você nunca teve problema em me deixar pegar suas coleguinhas! — ele liga o carro. — Seu pervertido, ela tem 17 anos! — coloco o cinto. — Hum, que delícia! Julgo que vale a pena ir preso. — Dou um tapa em sua nuca. O Carlos é um galinha que adora se gabar de seus casos, modéstia à parte meu irmão é um gato! Estamos na loja comprando algumas coisas, vou para a fila do caixa enquanto meu irmão pega outras coisas. Impaciente com a demora vou atrás dele. Sai da fila e o avistei de longe. O canalha está conversando com a Beatriz, minha vizinha insuportável que vivia dando em cima do meu ex marido. Agora fica arrastando asas para o Tony, concluindo, uma quenga! Como meu irmão conhece a Bia? Só pode ser azar. — Ei, Carlos, eu te esperando na fila e você aí! — falo demonstrando todo meu mau-humor. — Mana, é que encontrei uma amiga da faculdade, essa aqui é a Beatriz. — Oi, Clara! — ela me disse com cara de nojo — já nos conhecemos Carlos, sua irmã é minha vizinha. — Sim, já tive o desprazer de conhecer a Bia, agora vamos que a nossa vez já está chegando! — Carlos me olha incrédulo por conta da minha falta de gentileza. — Já vou indo Bia, nos vemos por aí! — se despede com um beijo no rosto dela. — Quando for visitar sua irmãzinha, passa na minha casa para matarmos a saudade. A vaca sai desfilando como uma gazela, rebolando sua enorme b***a. — p***a, mana que falta de educação é essa com a garota? Já sei, rincha de vizinha. — Bem mais que isso, mas não vem ao caso, esquece essa quenga e fique bem longe dela! — Aí será difícil, viu como ela estava me dando mole? — Os olhos do safado brilham. — Tu não presta, pode arrumar outro r**o de saia! — falei apontando meu dedo indicador para ele. — Pode ser a Julia então? — Carlos sorri. — Vou te bater! — Belisco meu irmão. Passeamos pelo bairro para relembrar a nossa infância, depois de muita nostalgia e conversas, ele me deixa em casa e adivinha quem está no portão o esperando? Sim, a quenga! O Carlos se despediu de mim com um sorriso safado no rosto. Essa noite ele jantou um peixe carnívoro com certeza!
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