CAPÍTULO 02 (CRISTIANE)

861 Palavras
Mesmo não estando em um conto de fadas tudo poderia ter sido bom, só que ele bebia demais, eu já não gostava mais disso, eu não era oque eu queria pra mim, não era aquilo que tinha sonhado, esperado, eu chorava e só desejava minha vida de volta, minhas festas, minha infância, minha liberdade. E o estresse tomou conta então tudo começou a ficar cada vez pior, comecei a brigar, ele não tava nem aí e já mostrou o lixo que era, me xingava e fazia oque queria, sem o mínimo respeito, saia e sempre voltava bêbado, foi quando eu grávida de uns 5 meses levei o primeiro tapa na cara… Chorei, falei que era pra ele ir embora, ele chorou, se ajoelhou, implorou, pediu perdão, falou que não ia se repetir e como sempre teve mais e mais juras de amor, e eu, boba acreditei, mas poxa eu era uma criança, só uma criança! Por anos me culpei por isso mas hoje não mais, hoje eu tenho orgulho, é, orgulho. Porque comi o pão que o d***o amassou mas dei a volta por cima, quando foi mais uns 2 meses numa discussão ele bêbado me bateu muito, me afogou com cerveja, subia na minha barriga enorme, e não tava nem aí pro próprio filho. Aquela situação foi horrível mas eu não tinha forças pra sair daquilo. Então, chorei, perdoei, e ele como sempre, pedia perdão, chorava também, e eu acreditava, passei poucas e boas, ele não gostava de trabalhar, quase nunca tinha dinheiro pra nada, eu já fazia uns b***s desde os 12 anos mas não dava pra nada sempre minha mãe bancando nós, quando faltava 15 dias pro meu filho nascer a gente ia fazer o chá de bebê, que os outros ia ajudar pois eu nem tinha condições de nada só que ele nasceu antes, não tínhamos nem uma fralda, nem uma peça de roupa, nada mesmo, minha mãe trabalhava só pra pagar aluguel e por o básico na mesa, na época eu estudava e fazia uns b***s e curso de modelo, só que larguei tudo quando engravidei, meu filho saiu do hospital enrolado em um lençol que eles deram lá, chegamos em casa, nada do vagabundo ir atrás de nada pro filho, minha mãe conseguiu ganhar umas roupinhas bem velhas pra quebrar o galho, banho ele tomava em uma bacia velha que a gente usava pra amassar pão, fralda pegava pacote de arroz e botava camiseta velha rasgada, e depois lavava e usava de novo. As brigas, os espancamentos não pararam, ele infernizou pra eu ir morar com a mãe dele e eu odiota fui, só que piorou tudo, quando meu bebê tinha 20 dias ele pegou a filha dele mais velha e deu a maior surra que já vi, arrastou a menina pelos cabelos de cara no asfalto machucou toda ela, eu só chorava apavorada e com pena da menina e então ele entrou dentro de casa bufando e cheio de raiva e bateu também, e eu nem sei o porque, o argumento foi de que eu não cuidava direito da filha dele, e num desses tapas e ofensas aí que falou que ia me matar, matar as crianças e depois se matar. Chorei muito eu e a menina que tinha uns 4 anos na época, depois de horas trancados os vizinhos na porta implorando pra ele soltar a gente ele passava a faca no nosso pescoço, do bebê também, até que ele desistiu e fugiu pro mato, eu tinha só 15 anos, não sabia nem oque fazer, e nem pra onde correr. Minha mãe era uma boa pessoa, mas não se envolvia em nada, também culpei ela por anos e agora simplesmente perdoei, ela, e eu. Bom, aceitei tudo isso por mais uns 2 anos, então ele começou também a me trair até na nossa cama levava mulheres, vivia sempre bêbado e me batia toda semana, meu filho só mamava no peito, mamou até quase 3 anos, era o jeito que dei pra ele não passar fome pois a gente praticamente passava fome, só tinha o básico do básico pra comer, foi quando eu também comecei a sair e trair ele, aí virou uma bagunça, eu saia sozinha pra balada, ele sozinho também, com 17 anos me separei de vez, tirei coragem de onde até hoje não sei. E então ele ameaçou me matar por um bom tempo, foi uma ainda mesmo separada uma época de inferno. Ele começou a receber um salário e não ajudava em nada com meu filho, eu os b***s e faxina que fazia não dava conta, implorava muito pra ele dar pelo menos leite só que ele sempre me humilhava muito, dizia pra eu ir até a cidade dele, eu andava a pé mais de duas horas até lá, quando chegava, ele fazia eu chupar ele, me deixava pelada a força, me jogava na rua sem roupa, ou as vezes quando eu chegava ele tava com outra mulher pra me fazer ciúmes, aí depois de muito me humilhar comprava um leite, um iogurte, uma bolacha, tudo não passava de 20 reais. Eu saia a pé de volta pra minha cidade
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR