Mel narrando A clínica está agitada neste final de tarde. A chuva de tiros que caiu sobre o Tuiuti trouxe um pouco de pânico. Não só para quem estava lá fora, mas também para quem estava aqui dentro. Minhas mãos ainda estavam trêmulas, e a respiração parecia presa no peito. Tudo o que aconteceu com Alexandre me persegue como um eco incessante. Depois que vi que Mateo estava bem, me retirei, indo para uma das salas da clínica. As palavras de Samira ainda estavam frescas na minha mente, como farpas cravadas na carne: "Proteger de quê?". Essa pergunta rodava na minha cabeça o tempo todo, como se ela desconfiasse que eu pudesse fazer algo com o pequeno. Samira apareceu na porta da sala, me fazendo respirar fundo e sair dos meus pensamentos. Eu já estava procurando uma forma de ir atrás dela.

