Aquela noite estava mais fria do que o habitual. A cidade parecia respirar em silêncio, como se antecipasse algo — um presságio oculto nas sombras. Leonardo caminhava sozinho pela sala ampla de seu apartamento, com a cabeça latejando e os pensamentos girando como peças soltas de um quebra-cabeça. Desde o confronto com Sr. Salles e o afastamento de Renata, ele não conseguia encontrar paz. Sua camisa social estava parcialmente aberta, e o copo de uísque em sua mão tremia levemente. Ele observava o reflexo no vidro da sacada. Não era só o homem bem-sucedido e temido que via, mas o garoto que um dia implorou por amor, sem nunca receber nada além de frieza. Foi quando o interfone tocou. — Senhor Leonardo, uma senhora chamada Cecília está aqui. Disse que é urgente. Leonardo congelou. Aquele

