Lorena Havia enlouquecido de vez ou havia escutado certo?, penso, à medida que sustentava o olhar de Marcel. Um traficante acabara de me dizer que gostava de mim. Diante da inesperada declaração, meu corpo parecia congelado, imobilizado por um misto de choque e desconforto. Não houve gritos, não houve movimentos bruscos para me afastar, apenas uma paralisia silenciosa que me deixou estática, sem saber como reagir. Enquanto ele expressava seus sentimentos, uma parte de mim desejava gritar, afastá-lo com veemência, deixar claro que suas palavras eram inadequadas e indesejadas. Mas outra parte, mais frágil e insegura, me segurava, sussurrando que eu não sabia o que dizer, como agir, que não era como Luíza, capaz de lidar com situações assim com tanta desenvoltura.

