O silêncio na sala de espera era angustiante. O tique-taque do relógio na parede soava mais alto do que o normal, martelando os segundos como se zombasse da ansiedade que tomava conta de todos. Flávia estava sentada em uma das cadeiras de plástico rígido, as mãos entrelaçadas com tanta força que os dedos estavam esbranquiçados. Rodolfo caminhava de um lado para o outro, roendo a unha do polegar, inquieto, olhando vez ou outra para a porta que levava à ala pediátrica. Quando a médica retornou, segurando uma prancheta contra o peito, o coração de ambos parou por um instante. O homem de jaleco branco, de semblante sério, respirou fundo antes de falar. — Precisamos conversar. Há algo importante que precisam saber. Flávia se levantou primeiro, como se já estivesse esperando por más notícias.

