Do outro lado, o médico não informa a ninguém sobre seu erro, pois sabia que aquilo acarretaria em sua demissão da clínica e ele perderia sua CRM, então apenas dá a inseminação por concluída, tomando cuidado para não haver qualquer registro oficial que indicasse aquele erro. Para ele, era mais um evento em sua carreira, um que deveria ser enterrado com ele, e esquecido.
Enquanto isso, Hannah se instalava na casa. Ao entrar pela enorme casa, Hannah se deparou com uma enorme sala de estar, havia 3 sofás bem grandes, inclusive um deles, era sofá cama. A princípio ela sabia que demoraria um tempo para se adaptar dentro da casa de pessoas que não faziam parte de sua classe social, mas principalmente por saber que eles nunca entenderiam como era passar por dificuldades, então manteria um silêncio sobre suas origens.
— Você pode deixar suas coisas aqui, por enquanto. — disse ele apontando para uma mesa de canto, perto da porta. — Os quartos ficam no andar de cima.
— Tá bem. — falou ela.
Hannah segue Rodolfo para o andar de cima onde dá de cara com um extenso corredor, com muitas portas.
— Seu quarto é esse. — diz ele, parando em frente à penúltima porta. — Aquele ali é o meu e de Flávia, e o do bebê será o que fica a frente do nosso quarto. — ele explica e Hannah assente, entrando em “seu quarto”.
Ao entrar, ela não ficou nada surpresa, pois o quarto não tinha decoração nenhuma, as paredes eram brancas e era um quarto simples. Se perguntava se os outros quartos também eram assim, ou se Flávia tinha alguma coisa a ver com aquilo, não permitindo que fosse decorado, por Hannah ficar pouco tempo ali. Se sentiu um pouco incomodada, mas não se pronunciou sobre, pois sabia que não teria esse direito.
— Espero que você possa criar boas memórias aqui. Agora vou ter que dar uma saída, então vou te deixar aqui pra você ter um tempinho de se adaptar. — disse ele.
Ela assentiu e Rodolfo saiu do quarto a deixando sozinha.
Hannah se sentou na cama, e automaticamente sentiu a maciez do colchão, mas logo se levantou, sabendo que não deveria deixar suas coisas à mercê de Flávia, caso ela chegasse em casa e mexesse em seus pertences.
Ela desceu apressadamente para o andar debaixo e estranhou o fato de uma casa como aquela não ter uma empregada ou serviçal que ajudasse a realizar as tarefas. Pegou suas coisas com muito cuidado e levou para o quarto, se instalando.
Hannah se deita na cama e enquanto encara o teto, decide que irá aproveitar tudo que tiver direito dentro daquela mansão. E acaba adormecendo.
Do outro lado, Rodolfo chega na empresa, para começar os trabalhos do período da tarde, mas assim que ele entra, sua secretária, Michele, vem ao seu encontro com um sorriso.
— E então? Como ela é? — perguntou com uma curiosidade evidente.
— Ela é uma pessoa mais na sua, discreta. Ainda vamos ter que conversar e se conhecer melhor, saber as origens dela vai ser bem importante. — disse ele.
— Espero que dê tudo certo. — diz.
— Obrigado! O senhor Tito já chegou? — perguntou Rodolfo.
— Já sim. Está na sala de reuniões. — ela informa.
— Obrigado, Michele. — diz e vai caminhando em direção à sala de reuniões.
Hannah acorda assustada, com o celular vibrando embaixo de si. Pegou o aparelho com dificuldade para abrir os olhos, ainda sonolenta e viu que o nome de sua amiga Beatriz estava sendo exibido na tela.
— Oi Bia. — respondeu quando atendeu a ligação.
— Oi Hannah, como você está, amiga? — perguntou ela. — Já está se adaptando bem aí?
— Bom, não muito. Ele é uma boa pessoa, mas a esposa nem se deu ao trabalho de me receber. — disse ela um pouco chateada.
— Sei. Imaginei mesmo que ela era difícil. — disse Beatriz.
— Mas aqui é bem grande, a cama é bem macia. — diz rindo. — Eu vou aproveitar tudo que eu tiver direito enquanto eu estiver aqui.
— Sei que vai, e quando terminar o prazo. Sua casinha vai estar te esperando, pode continuar a contar comigo para te ajudar, tá? — Beatriz falou num tom de voz tranquilo.
— Tá bom. Obrigada amiga. — falou Hannah.
— Imagina! Eu vou desligar então, que daqui a pouco chega uma carga de tomates aqui. Tenho que ficar de olho, mas qualquer coisa você me liga, tá bom.
— Tá bom, eu ligo. Obrigada mais uma vez amiga. Tchau.
— Tchau. — diz a amiga.
Hannah encerra a ligação e fica meditando no rumo de sua vida.
Mas de repente, Hannah ouve um barulho de porta se abrindo nos corredores, ela levanta da cama bem devagar para não fazer barulho, e vai até sua porta para espiar o que estava acontecendo. Ela então vê Flávia, com um conjunto de roupas de academia, uma garrafa de água na mão e uma toalha pequena sobre os ombros.
Hannah pôde observar bem a mulher, com uma postura impecável, passando uma imagem de autoconfiança bem palpável, ela não parecia alguém que deixava nada ao acaso. Parecia valorizar muito a aparência. Então Hannah voltou a se sentar em sua cama e refletir que deveria ser devido a estética que Flávia não tinha o desejo de engravidar, valorizando sua aparência acima de qualquer sonho, tanto próprio, quanto de seu marido.
A noite chegou, e Hannah decidiu ficar um pouco mais no quarto, assistindo a um filme na TV. O ambiente era silencioso, com apenas o som baixo vindo do aparelho. A tranquilidade durou até que Rodolfo chegou. Ele entrou na casa com uma expressão cansada e foi direto ao escritório antes de se juntar aos outros para o jantar. Quando todos finalmente se reuniram à mesa, o clima permaneceu silencioso. Havia um certo desconforto no ar, como se cada um tivesse seus próprios pensamentos ocupando suas mentes. Hannah observou as interações discretas entre Flávia e Rodolfo, tentando entender a dinâmica daquela casa. Parecia haver algo não dito entre eles.
O jantar seguiu com poucas palavras, apenas o barulho dos talheres quebrando o silêncio ocasionalmente. Hannah comeu em silêncio, sentindo-se uma espectadora naquele ambiente onde as aparências pareciam valer mais do que as palavras. Depois do jantar, ela voltou para o quarto, pensando no que viria nos próximos dias. m*l sabia que aquela casa guardava segredos que mudariam sua vida para sempre.