📓 NARRADO POR LÍVIA Simone respirava fundo, os olhos correndo por cada detalhe do morro, como se absorvesse tudo pela primeira vez. Crianças jogando bola descalças, uma senhora vendendo bolo no portão, um cachorro magro correndo atrás da sombra. — “Nunca imaginei que uma favela fosse assim…” — ela soltou, a voz entre surpresa e alívio. Apertei o braço dela contra o meu, rindo de leve. — “Nem eu, Si. A gente cresce ouvindo que aqui só tem tiro, mas a verdade é que também tem vida. Só que é vida com regra, vida que lateja.” Descemos mais um beco, o sol batendo forte nas costas, e de repente três mulheres surgiram na frente, bloqueando a passagem. Pedro, que vinha logo atrás, deu um passo à frente na mesma hora, a mão já indo pro cabo da pistola como reflexo. Levantei a mão rápido, corta

