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1004 Palavras

MANU NARRANDO Eu juro que eu quase fiz xixi de tanto rir vendo o Caio empurrando aquele carrinho de mercado como se fosse um tanque de guerra. A cara dele era impagável. Emburrado, com aquela cara de quem preferia estar tomando tiro do que decidindo entre sabão líquido ou em pó. O pior? Ele não escondia não. Andava pelos corredores com a mão na cintura, outra no carrinho, vigiando todo mundo com o olhar desconfiado como se estivesse na contenção. Ele tenta, sabe? Eu vejo. Ele se esforça. Mas ele não consegue. Ele é dali. Ele é do outro lado. A vida dele é outra. Ele é feliz de outro jeito. A paz dele não tá no mercado, no frango congelado, nem no pacotinho de biscoito recheado que ele botou no carrinho sem nem olhar o preço. A paz do Caio é no controle, no rádio, na responsa, no grito. M

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