capítulo 19 Coringa

1107 Palavras

Ela ainda sorria. Como se nada. Como se não fosse filha do mesmo verme que riu falando do garoto jogado no lixo. Como se a pele dela não tivesse o mesmo sangue da mãe que ele chamou de v***a. Como se ela fosse só uma boneca bonita no meu braço, e não uma serpente com batom francês e língua afiada. A música diminuía, mas o teatro dela não. — “Amanhã à noite…” — disse com aquele tom casual de quem não tem vergonha de existir — “...podemos sair pra um drink. Só nós dois. Que tal?” Senti o cheiro do perfume caro se misturar com o fedor moral que ela nem sabia que exalava. Sorri. De leve. O suficiente pra manter o teatro. — “Tenho uma parada de manhã. Visita em umas comunidades que tão no projeto de contenção. Quer ir comigo?” Ela deu uma risadinha baixa. — “Ai, Deus me livre. Favelado

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