Frank
O meu temperamento explosivo já me prejudicou de muitas maneiras. Nunca consegui ser de outro jeito e, acho que devo isso ao meu pai, seu jeito nada gentil de ser, me fez ver que: todos obedeciam suas ordem e abaixavam a cabeça perante a grosseria daquele velho italiano. Infelizmente morrera há dez anos, quando eu tinha vinte e cinco anos de idade e estava iniciando na polícia.
Na maioria do tempo eu pensava sempre em ser o melhor, que prendia mais ou ajudava na resolução de mais casos, e eu sempre fui bem sucedido nisso, por muitas vezes, confesso, nunca me importei com ninguém, eu tinha ódio pelo desgraçado do bandido e queria vê-lo morto ou preso, apenas isso. E eu não estou entendo agora essa merda na minha cabeça, de o porquê do rosto bonito daquela garota estar causando tanto impacto em mim.
E da mesma forma de antes, eu tentei resisti, falei para mim mesmo que aquilo não era problema meu, usei da minha rebeldia e orgulho para dizer a mim mesmo que eu não estava curioso para saber o porquê dela estar ali. Quis mandar um f**a-se, cazzo!
Portanto, concentrei-me na mulher que se encontrava ao meu lado, focando nas curvas deliciosas e na b****a apertada que eu acabara de f***r com força, queria que meu p*u ficasse duro novamente e eu conseguisse tirar aquela menina da minha mente, metendo na bocetinha de Charlote.
Mas nada disso deixa a minha mente descansar, nunca estive tão atormentado e agora ainda deitado eu sinto uma raiva louca subir dentro de mim. Inferno!
Terei de voltar lá ou não ficarei em paz!
"Disgrazia!" Levanto enfurecido, xingando aos quatro ventos o fato de eu não conseguir deixar para lá a pobre garota.
"O que foi, querido?" A mulher se cobre, olhando assustada para mim.
"Lembrei que preciso resolver algo." Tiro algumas notas de dinheiro do bolso, e deixo em cima de um móvel ao lado da cama king size onde ela está encolhida.
Desço as escadas, varrendo o olhar pelo local tentando avistar James. Não o encontro em lugar algum e minha paciência em procurá-lo é zero. Decido mandar uma mensagem quando estiver a caminho da igreja e saio.
Vim todo o caminho me perguntado a mesma coisa o tempo todo: o que diabos eu tenho a ver com isso? Entretanto, meu instinto policial me diz que devo sim saber o porquê daquela menina estar ali. O motivo que me fez parecer que estava escondida e assustada.
Ao parar o carro, pego a arma de dentro do porta luvas e salto para fora. Caminho lentamente, sempre olhando ao redor. p***a, estou me arriscando muito vindo aqui depois de hoje. Mas sei que não conseguiria dormir em paz se não a visse outra vez.
Forço a fechadura da igreja e consigo entrar com facilidade, me pergunto que p***a de porta é essa. Qualquer um que quiser assaltar terá acesso fácil. Não me admira terem conseguido guardar drogas e armas no armazém sem levantar suspeitas.
Fecho a enorme porta, tomando cuidado para não fazer muito barulho. Acelero os passos em direção ao confessionário e não sei se ela ainda está aqui. O lugar está silencioso, não existe uma cama ou algum lugar para que alguém possa descansar aqui, pelo que pude perceber. Afastando esses pensamentos inúteis agora, franzo o cenho ao ver a porta do confessionário escancarada e alguém caído. Acelero os passos e sinto o coração estranhamente querer saltar para fora da garganta, em seguida eu paro diante de uma cena um tanto curiosa...
A garota está deitada no chão, olhando para mim com um misto de medo e curiosade no olhar... Deixando sobressair o medo ao olhar para o revólver na minha mão e tremer assustada.
"Por favor... Não me mata." Pede com a voz arrastada.
"Já disse que não vou te matar, menina!" Meu tom de voz é alto e grosso. Me recrimino minimamente pela grosseria que sai de forma natural.
Ela tosse e então se senta, apoiando as costas na parede, leva uma mão até a garganta e geme de dor.
"O que está fazendo aqui sozinha? Cadê sua família?" Questiono.
Ela soluça.
"Sou sozinha, não tenho ninguém aqui." Diz baixinho.
Sigo o olhar pelas suas roupas, ela está usando um vestido branco, sujo, e há um colar em seu pescoço que, estranhamente parece custar uma boa grana, e nos pés uma bota de couro marrom. Franzo o cenho novamente quando ela me parece ser uma garota rica, tirando toda a sujeira, sua postura mesmo um tanto caída, me faz pensar que se trata até mesmo de uma princesa, a voz suave, gentil e sedosa que penetra os meus ouvidos deixa-me estranho. Algo me diz que ela não é nenhuma sem teto.
"Será que você pode me explicar? Não estou entendo garota."
"Eu não consigo... falar." Força a voz, ela está rouca e não sei onde diabos posso encontrar água aqui.
"Vamos sair daqui, é perigoso." Me abaixo em sua frente.
Ela me lança um olhar assustado, quase me fazendo rir quando pego seu braço para apoia-lo no meu pescoço, mais precisamente em volta dele. A garota geme e tenta resistir da maneira que pode.
"Como é seu nome?" Indago.
"Eve." Sussurra.
"Pois bem, Eve, preciso que coopere para podermos sair daqui e assim eu possa te ajudar. Sou policial e esse é o meu trabalho. Confie em mim." Peço.
Pego-a no colo sem mais resistência, com a sua mochila em um ombro e ela nos meus braços, eu saio da igreja sentindo o vento frio em meu rosto. Eve se encolhe, escondendo o rosto em meu peito e sem mais demora acomodo-a no banco do passageiro, apertando bem os cintos.
Eve
Minha garganta está tão seca que as palavras m*l saem, faz horas que eu não bebo água, e estou a um dia inteiro sem comer nada, eu já sou magra e se eu ficar sem comer e sem beber desse jeito, vou morrer desidratada e desnutrida rapidamente.
Eu ainda não sei se isso realmente está acontecendo ou se estou no meio de alguma alucinação. Primeiro foi um homem armado e com ar arrogante que me apareceu dentro do meu local de dormir na igreja, depois foram os barulhos de tiros que não saem da minha mente, me deixando aterrorizada até agora. O medo foi tão grande que eu não ousei me mover de dentro de uma caixa na qual me escondi, e de repente ele volta, com uma arma menor desta vez, e decide me levar com ele.
E eu estou indo, ainda não sei o motivo de eu estar me deixando levar, ele disse que era da polícia, vai me prender será? Ele disse para eu confiar nele e há algo dentro de mim que de alguma forma quase confia, mesmo sendo um completo estranho. Portanto, com a voz cansada e um tanto falhada, eu tento fazer perguntas.
"Para onde está me levando?" Murmuro baixinho, estou encolhida no banco com um sinto de segurança me prendendo no banco.
"Para a delegacia." Responde secamente e de repente sinto-me apavorada com as possíveis consequências disso.
Ele pode pesquisar sobre mim, descobrir que não sou daqui, talvez até tenha recebido algum aviso na polícia sobre uma moça fugitiva da Grécia, meu pai não pode me encontrar! Ele está furioso com o que fiz, eu desonrei o nome dele, o envergonhei no meio de toda a elite grega, no meio de toda a nobreza, se ele conseguir pôr as mãos em mim, eu estou morta.
"Por favor... Não..." Imploro sentindo a garganta apertar, quando estou tão fraca até mesmo para segurar algumas lágrimas.
"Não, o que?" Questiona em tom duro.
"Não me leve para a delegacia. Eles não podem me encontrar." Soluço com vontade de chorar.
"Eles quem?" Indaga de forma impaciente.
"Eu... Só não quero que me prendam." Sussurro e tento produzir alguma saliva para molhar minha garganta.
"Você por acaso cometeu algum crime? Matou alguém? Escondeu drogas? Ou algo do tipo? É alguma vítima de tráfico de muheres?" São tantas perguntas.
"Não!" Me defendo sem pestanejar e nesse momento ele pondera por um momento com o maxilar rígido.
Observo seus dedos ficando branco em volta do volante, ele está apertando-os com força, sua postura demonstra como ela está estressado ou impaciente, pode-se notar que ele deve ser um homem não muito gentil. Entretanto, ele não parece ser do mau, eu posso ver nos olhos de alguém quando essa pessoa é r**m, dom herdado da minha mãe e nesse homem eu posso dizer que acredito ser alguém que não me fará m*l.
Aliás, a forma como ele move os lábios para falar, seu tom duro e grosseiro, trás-lhe até algum charme, e quando ele olha para mim agora, sei que não estou na minha melhor forma, mas eu continuo olhando-o e então é ele quem desvia o olhar, sinto um formigamento estranho na barriga e meu coração acelerar levemente.
Fecho os olhos e viro a cabeça para a janela.
"Vamos combinar o seguinte, Eve, eu vou levá-la para minha casa, e lá você terá de me contar quem é você, o que estava fazendo naquela igreja no dia de uma operação da polícia e o porquê de você ter tanto medo de ir para a delegacia. Caso contrário, terei que prender você por ser suspeita."
Não digo absolutamente nada. Temo que se fizer ele poderá reconsiderar a ideia da delegacia.
***