Alysha caminhava tranquilamente pelo imenso palácio quando foi surpreendida com irritante voz de Suria atrás de si.
— Sua grande ulu, por Alah Alysha, como pôde trair a própria irmã desse jeito?
Alysha não sabia o porque de Suria tê-la chamado de estúpida e tão pouco sabia o motivo de ter-lhe dito que foi traída.
— Namasté Suria. Do que falas?
A princesa permaneceu em sua extrema paz enquanto observava a irmã que faltava pular em seu pescoço, Alysha ainda estava abalada demais com o casamento do homem que amava, não tivera vontade alguma de brigar com Suria.
— Oras, não faça-se de desentendida, sei muito bem que meu noivo agora será seu marido em poucos dias.
Alysha a olhou espantada, não sabia do que Suria estava falando, de onde essa garota havia tirado isso?
— Estás mesmo louca, sim? Não me casarei com ninguém Suria.
— Não é o que todos comentam Alysha, não seja dissimulada. Sei que papa não faria isso sem seu consentimento.
— Pois se for verdade, saiba que fez.
Alysha saiu pisando duro apressadamente em busca de seu pai, enquanto soltava grunhidos nada femininos. O sheik estava sentado pomposamente em sua imensa e confortável almofada.
— Papa, diga-me que o que Suria diz é mentira.
O sheik levantou-se imediatamente enquanto fitava a filha, Alysha conhecia bem demais aquele olhar para saber que Suria não havia mentido, a princesa sentiu seu corpo estremecer diante da possibilidade de ser obrigada a casar-se com um entranho e de nunca ser feliz em seu casamento. Apesar de ter crescido em um lugar aonde a maioria dos casamentos são arranjados Alysha sempre sonhou com o amor, amaldiçoou baixinho Ravi, se não fosse por ele não teria que passar por isso.
— Por Alah, quando pretendia me contar que me casaria com um desconhecido? Estás louco papa? Não podes dar a minha mão a um homem sem que eu saiba disso primeiro, o mínimo que o senhor devia fazer era contar-me.
Alysha falava incontrolavelmente enquanto o sheik lhe observava.
— Suniedy.
Raj deu um grito que Alysha jurou que poderia estrondar todo o palácio, mas obedeceu-lhe.
— É verdade Alysha, Suria casaria-se com ele pois a essa altura você já estaria casada... com Ravi...
Houve uma pausa, o sheik sabia o quão aquele assunto ainda machucava sua pequena e doce Alysha e o que ele menos queria era ter que toca-lo perante sua filha, mas a ocasião não lhe deixou opções, viu a dor presente nos olhos da princesa e se recriminou por isso. Prosseguiu...
— Então ela seria a mais velha depois de você e a próxima a casar-se, mas nenhuma de suas irmãs poderão casar-se se você não se casar primeiro, e esse matrimônio não pode ser adiado Alysha, ter o marquês em nossa família me dará união com os Estados Unidos.
Alysha entendia, e por mais contrariada que ficasse com as normas de seu país sabia que não havia nada que pudesse fazer. Mas como a boa cabeça dura que sempre fora não aceitaria tão calada assim, tentaria até o último momento fazer com que seu pai a ouvisse.
— Não me casarei com esse homem que eu sequer conheço, não me peça para fazer isso, por favor.
Seu amoroso pai a olhou com muita fúria nos olhos, Alysha sabia que ele estava prestes a explodir.
— Não dificulte as coisas para mim Alysha, eu lhe imploro.
— O senhor as facilitou para mim quando deu minha mão a um homem que eu não conheço papa? Por favor, não faça isso.
— Basta Alysha, você será entregue ao inglês.
Alysha chorou quando o pai lhe deu as costas e tudo que ainda estava preso dentro dela saiu como um avalanche.