Alysha não era capaz de expressar em palavras toda a dor que sentia dentro de si, seguiu calada durante todo o caminho que esteve montada em seu cavalo, Aruna estava logo atrás.
Já próximo do palácio de seu pai Alysha parou rapidamente seu alazão fitando Aruna.
— Fomos dar um passeio, apenas isso, sim?
— Sim senhora.
A voz de Aruna saiu cheia de compaixão.
Alysha não queria que seu pai a visse daquela forma, secou as insistente lágrimas que não paravam de jorrar de seus olhos e novamente seguiu caminho.
Minutos depois a princesa e sua amiga haviam chegado e como se nada tivesse ocorrido, como se não tivesse quebrada em mil pedaços Alysha entrou no palácio sorridente e abraçou seu pai, Aruna observava tudo de longe e inevitavelmente esboçou um leve sorriso, admirou-a, Alysha era um grande exemplo de força.
— Aonde estava Aly? E por que essas roupas?
Raj não tinha dúvida alguma sobre o lugar aonde Alysha estava, mas não a questionaria sobre isso caso ela não quisesse lhe contar, o sheik sabia exatamente como sua filha sentia-se por dentro, e assim como Aruna admirou a força de sua princesa por estar de pé e sorridente bem na sua frente.
— Eu e Aruna fomos dar uma passeio papa, para espairecer a mente. Apenas estava sem vontade de me arrumar.
— Tik, tik, imaginei.
O sheik lhe dedicou seu mais sincero sorriso e após cumprimentá-lo Alysha retirou-se para seu quarto.
— Deixe-me sozinha Aruna, obrigada pela companhia.
Ainda que um pouco contrariada com a decisão de sua senhora a deixou, sabia que Alysha precisaria de um tempo sozinha para que assim pudesse organizar seus pensamentos em perfeita órbita.
Alysha jogou-se em sua imensa cama e quando se viu sozinha deixou que todas as lágrimas presas saíssem de uma vez por todas, ela quis gritar, mas conteve-se, não queria ser motivo da preocupação de ninguém.
E ficou assim até o fim do dia, Alysha adormeceu mais uma vez em meio a suas lágrimas.
Alysha e Aruna partiram para Mágada assim que o sol nasceu, a princesa e sua serva observaram de longe toda a cerimônia entre Emira e Ravi, e Alysha ficou para presenciar o lençol ser exposto contendo o sangue da virgindade de Emira. A consumação havia sido rápida, mais do que costumavam ser, geralmente o lençol era exposto no dia seguinte, mas por alguma razão fora exposto rapidamente, independente disso, não restavam mais dúvidas, Ravi era um homem casado.
Ao vê-los sair de seus aposentos Alysha sentiu a força de suas pernas se esvaírem, soube que não aguentaria ficar em pé diante da cena que vira, Ravi, o seu Ravi estava com as mãos enlaçadas no esguio corpo de sua esposa, e havia um sorriso no rosto de ambos. Sentou-se em meio a areia enquanto passava a mão em sua cabeça retirando o véu, o jogou para longe de si, em um nítido sinal de desespero, seus lindos fios presos em um coque desarrumado estavam infestados por areia, Alysha abraçou-se em suas pernas enquanto lágrimas insistentes rolavam em seu rosto.
— Basta Alysha, vamos embora.
Aruna usou o tom mais autoritário que tinha para que a amiga se reerguesse, mas não haviam dúvidas que Alysha não poderia cavalgar nesse estado, Aruna improvisou uma corda e amarrou o cavalo de sua senhora ao seu enquanto Alysha ainda estava sentada na areia com o olhar perdido em Ravi. Aruna a levantou e a guiou até o cavalo, a serva lhe ajudou a subir e subiu em seguida, pode sentir o firme corpo de Alysha recostar no seu e lágrimas logo chegaram em seu ombro.
Já próximo do castelo as lágrimas tinham cessado e Aruna agradeceu a Alah por isso, desceu de seu cavalo e em seguida ajudou para que sua senhora fizesse o mesmo, Alysha parecia estar em transe, pois não esboçava reação alguma, quis chorar ao vê-la naquele estado, sua senhora sempre fora a pessoa mais alegre que conhecera.
— Venha, deixe-me te arrumar.
Aruna deu leves batidinhas no traje que Alysha usava na intenção de retirar toda a areia, em seguida a cobriu com seu lindo e delicado véu de seda.
— Alysha ...
— Sim.
Pela primeira vez ouviu a voz de sua amiga e enfim pôde respirar aliviada, não havia ficado muda.
— Erga-te, és uma princesa Alysha. Não deve agir como se não fosse, consegue entender?
Aruna segurava o grande e formoso corpo de Alysha, pois sabia que se a soltasse a princesa logo cairia, ainda parecia estar em uma espécie de transe, então sem pensar duas vezes Aruna a sacudiu e inevitavelmente lágrimas rolaram em seu rosto por ver sua senhora daquele modo, pronunciou alguns maldizeres em árabe e a abraçou.
— Temos que voltar, por Alah, se o sheik lhe vê assim ele matará Ravi. Lembra-te que me fizeste uma promessa? Sinto, mas Ravi estás casado, disse-me que seguiria depois disso.
— Certo minha amiga, tens razão.
Alysha esboçou um leve sorriso, Aruna estava certa. Arrumou seu lindo véu e montou em seu cavalo rumo ao palácio.