Capítulo 4

3206 Palavras
— Se você é rico, por que não contrata uma babá fixa? — perguntei para o Finnick enquanto passávamos pela recepção do seu apartamento. Era sábado, estava tendo uma festa na fraternidade onde meu irmão é m****o, Finnick iria nessa festa e eu ficaria de babá para sua irmã. O que me deixa frustrada, porque eu queria ir nessa festa, agora que não estou mais com o Nate, eu só queria ter algo para me distrair. Passei essa semana inteira fugindo dele com o d***o foge da cruz. Ignorei suas mensagens e ligações, evitei ir em lugares que eu sabia que ele estaria e quando ele ia até meu dormitório eu me escondia embaixo da cama já que mesmo minha colega garantindo que eu não estava ali, ele fazia questão de entrar no meu quarto para me procurar. Ele incomodou meus amigos e até mesmo meu irmão querendo saber meu paradeiro, mas eu implorava para eles não contarem. Eu ainda não havia criado coragem para falar com ele e sinceramente nem sei se vou. A imagem dele me traindo me atormentou a semana inteira, quantas vezes ele havia dormido com ela? Com outras? Há quanto tempo ele me trai? Eu sinceramente não quero saber, não agora, ainda não estou cem por cento recuperada dessa descoberta. Mas queria muito encher minha cara hoje para esquecer dele, estava quase começando a me arrumar para ir nessa festa quando o Finnick me ligou, eu nem sei como esse stalker conseguiu meu número, e me falou que precisava de mim essa noite e cá estou eu, entrando no elevador de luxo do seu apartamento. Seu pai realmente é bom da grana. — Meu pai não quer. — o garoto resmungou dando de ombros enquanto a porta do elevador se fechava após o garoto indicar o 8° andar — E eu não sou rico. — E eu não sou mulher. — caçoei enquanto apertava a alça da minha mochila. Quando o Finnick me viu com ela, estranhou e eu apenas revirei os olhos mostrando que estava trazendo meus produtos e não várias armas. Hoje era meu sábado de spaday, precisava urgentemente fazer minhas unhas e minhas sobrancelhas e como a irmãzinha do Finnick provavelmente não vai ficar acordada a noite inteira, eu vou poder cuidar um pouco de mim. Depois de levar um chifre, percebi que realmente comecei a cuidar menos de mim desde que comecei a namorar o Nate. Ele sempre me falava que eu era bonita ao natural e que não precisava me produzir tanto já que ele só tinha olhos para mim... Babaca mentiroso. Quando foi que deixei minha vaidade de lado só porque o garoto queria? Eu nem lembro qual foi a última vez que fiz uma maquiagem elaborada para sair e olha que eu sempre gostei de maquiagens, sempre gostei de definir meu cabelo ouvindo minha playlist duvidosa... Nate havia tirado isso de mim e eu ao menos notei. Eu era vaidosa antes de o conhecer, só a ideia de sair bagunçada na rua me apavorava. Queria muito poder ser como aquelas garotas que colocam a primeira roupa que acham pelo quarto, mas eu cresci assistindo as patricinhas de Beverly Hills e sem contar que meu desenho favorito era Moda e magia da Barbie, então sair desarrumada não era uma opção. Até o Nate aparecer na minha vida, ele tentava sempre me convencer que eu não precisava daquela produção toda, que o natural era bonito, e talvez até seja, mas qual o problema de querer realçar ainda mais a beleza? Eu sei da minha aparência e sei que ela fica ainda melhor quando uso produtos e roupas adequadas para a valorizar. Uma coisa era certa, eu jamais vou deixar de ser quem eu sou por causa de homem de novo! Eu me recuso! Por isso hoje pretendo voltar a minha rotina, passei essa semana toda chorando pelos cantos e me perguntando o que tinha de errado comigo sendo que o único errado da história é o Nate. Ele que me traiu! Então ele que fosse para o inferno! Eu não vou continuar me rebaixando desse jeito. Preciso dar a volta por cima, mostrar que ele não me destruiu... Embora eu sinta que sim. — Eu tenho minha dúvidas a respeito disso. — Finnick falou atraindo minha atenção para ele. Vai começar, que garoto chato! Ele não perde uma oportunidade de torrar minha paciência. — E eu as minhas a respeito de você ser um garoto. — alfinetei dando uma olhadinha nada discreta para seu quadril e consegui o que queria já que o garoto me olhou com fogo nos olhos. Homens são tão previsíveis quando o assunto é sua "masculinidade". — E eu não sou um garoto. — Finnick falou sério e eu abri um sorriso debochado para ele, que fechou ainda mais sua expressão pra mim. Não tenho medo de cara feia, i****a. — Sou um homem. — Sai fora. — ri alto escorando minhas costas na parede do elevador enquanto olhava para o letreiro acima da porta, será que isso não vai mais rápido não? Estamos ainda no quinto andar. — Está rindo por que patricinha? Arregalei os olhos quando o Finnick se posicionou de repente na minha frente. c*****o, o que esse i****a pensa que está fazendo? E espera aí! Ele me chamou de patricinha? Se eu fosse uma patricinha não ia precisar estar aqui fazendo "serviço" para não ter que pagar o concerto do seu carro, ele que é o mauricinho aqui, o cosplay quase que perfeito do Chuck Bass. — Se enxerga garoto! Vai ver a patricinha quando eu acertar um tapa bem dado nessa sua cara esnobe. — exclamei erguendo a cabeça para o olhar com ódio mas para minha surpresa, minhas palavras pareciam divertir ele que riu me examinando de cima a baixo debochando totalmente da minha pessoa. — Se enxerga você garota. — me imitou e eu soltei uma suspiro aliviado quando a porta abriu atrás dele. Ainda bem, mais um segundo com ele aqui dentro e eu o enforcaria. — Sai da minha frente. — tentei empurrar colocando minhas mãos em seu peito mas ele segurou meus pulsos e bateu com eles na parede ao nossa lado. Mas que merda ele esta fazendo? — Qual é a p***a do seu problema, seu i****a?! — Por que você e o Nate terminaram? — perguntou parecendo realmente curioso e eu puxei com força meus braços me soltando das suas mãos. Ele está achando que é p***a do Christian Grey para me segurar desse jeito nesse elevador? — Você não deve ter tentado quebrar o carro dele do nada, algo aconteceu. Decidida em ignorar ele porque esse assunto não era da conta dele, eu tentei passar ao seu lado, mas novamente seu braço me impediu. c*****o, qual o problema desse homem com toque? Ele não sabe conversar comigo sem precisar me tocar? — A porta, Finnick! Ela vai fechar. — Por que? — insistiu me ignorando. Mauricinho metido! — Não é da sua conta. — resmunguei e pisei no seu pé e quando ele se afastou gemendo de dor, eu notei que a porta do elevador iria fechar — E não me toca assim de novo! Babaca. Exclamei enquanto passava por ele e por um triz consegui sair do elevador antes que a porta de fechasse com o Finnick lá dentro. Sorri aliviada por me livrar da presença dele e peguei meu celular notando que havia uma mensagem do Drake ali. Sunshine♡: O traidor está na festa. Engoli em seco bloqueando o celular sem responder ele. Que ódio! Nate ao menos está m*l por eu estar o ignorando, pelo contrário, ele está na droga dessa festa! Provavelmente enfiando seu p*u em outra garota, que ódio! Tomara que esse i*****l pegue clamídia. — Você é insuportável. — ouvi a voz do Finnick quando o elevador voltou a abrir e eu sorri para ele quando notei a carranca em seu rosto. — E você é um barato. — debochei e ele revirou os olhos se aproximando de mim — Por que seu pai não quer contratar uma babá? — Ele não confia em babás. — Finnick falou começando a caminhar ao meu lado e eu o olhei curiosa — Ele nem sabe que você está aqui. — Por que ele não confia? — Quando eu era criança, eu tive três babás e todas elas foram pegas roubando algo, então meu pai desistiu de contratar mais alguma, já que eu já estava grande o suficiente para cuidar de mim mesmo. — E depois começou a cuidar da sua irmãzinha? — adivinhei quando ele parou em frente ao apartamento 412. — Isso. — Queria que meu irmão fosse assim, ele nem liga para a minha existência. — ri sem humor ao lembrar do meu irmão. Ele sempre ignora a minha existência, lembro que por anos isso foi algo que me incomodou muito, ainda mais quando eu via séries e filmes onde o irmão mais velho sempre era protetor, enquanto na vida real, meu irmão m*l se importava comigo. É capaz de eu contar para ele sobre a traição do Nate e ele achar motivos para ficar do lado do garoto. — Ele liga, só não demonstra. — Finnick resmungou abrindo a porta, ele deu um passo para trás sinalizando para eu entrar primeiro e eu quase ri disso. Agora quer dar uma de cavalheiro? — Como tem tanta certeza? — Porque tenho uma irmã, e sei que irmãos são assim. — Finnick falou como se fosse óbvio fechando a porta atrás de nós — Eu não preciso dizer a ela milhares "eu te amo" todos os dias, para ela saber que eu a amo. — O que? Você ama algo que não é você? Que surpresa. — debochei rindo e o Finnick revirou os olhos. Ele fazia isso com frequência? Ou só quando estava comigo? Ele parece que está sempre de mau humor. — O que? Você não sabe o que é amor porque nunca conseguiu ganhar isso de alguém? Agora eu estou surpreso. — ele retrucou com um sorrisinho nos lábios e foi a minha vez de fechar a cara pata ele. Touché. — Você é um babaca escroto. — xinguei erguendo o rosto para encarar seus olhos, Finnick apenas sorriu sem humor e se aproximou de mim sem quebrar nosso contato visual. — E você, maníaca, quebrou meu carro. — Nossa, supera isso. — resmunguei dando um passo para trás para me afastar dele. Ele realmente não tem noção de espaço! — Esse seu rancor todo é por falta de amigos? — Vamos logo, sua insuportável. — ele resmungou e me puxou pelo pulso para começarmos a andar pelo seu apartamento. Apartamento esse que era enorme, inclusive, havia uma parede de vidro que dava uma vista linda para a cidade. Ele realmente é um mauricinho de primeira classe. — Muito tolerável que você é. — resmunguei e franzi o cenho confusa quando ele me guiou ao que eu imaginei que era sua sala de estar — E cadê a criança? — Tá ali ó. — Finnick apontou para um amontoado de cobertas que havia na ponta do seu sofá, um sofá enorme, imagina tirar um cochilo ali? Já quero. Me inclinei um pouco para ver a criança que o Finnick estava apontando e arregalei os olhos quando uma garota de bochechas gordinhas e óculos quadrados, usando fones de ouvido me olhou com uma careta, como se estivesse tentando entender o que eu estava fazendo ali. Mas que merda é essa? O Finnick só pode estar de s*******m com a minha cara! — Você está me sacaneando? — encarei séria o garoto ao meu lado que pareceu confuso com a minha hostilidade — Essa menina tem o que? 15 anos? — Ela tem 13 na verdade. — Finnick falou e eu olhei para a garota que tirava seu fone e me olhava agora com curiosidade. Ele quer que eu fique de babá para uma pré adolescente? Eu não sei lidar com adolescentes! Eu m*l sei lidar com jovens adultos como eu! Por isso prefiro crianças, elas não são tão difíceis de conviver, fora que é muito fácil fazer com que crianças gostem de vocês... Agora adolescente te odeiam só por odiar, de graça as vezes. — Com a idade dela, minha ancestral já tinha até neto. — resmunguei e me virei para o Finnick que estava de braços cruzados apenas me observando — Ela não precisa de uma babá com essa idade, passar bem. — Ah, precisa sim. — deixei um gritinho escapar quando do nada o Finnick empurrou meu ombro direito me fazendo cair para trás, para a minha sorte eu cai em cima do sofá — Eu já estou atrasado por sua causa, então trate de ficar sentadinha aí e de olho na minha irmã. — Seu bruto! — exclamei o olhando com ódio mas ele me ignorou, apenas passou ao meu lado e se aproximou da sua irmã que apenas nos olhava. — Já volto. — deixou um beijo na cabeça dela e me olhou sério. Eu que fui agredida e é ele que me olha feio? — Não roube nada. Ele só pode estar zoando com a minha cara! i****a metido a insuportável! — Eu tenho cara de ladra? — Quer minha resposta sincera? — Cretino! — xinguei pegando a almofada ao meu lado e joguei nele. Finnick desviou dela e eu fiquei confusa quando ouvi ele rir, sério mesmo que esse i****a está achando essa situação engraçada? Ele é mais i*****l do que eu imaginei. — Volto tarde. — ele gritou enquanto ia até a porta e logo me deixou sozinha com sua irmã. Respirei fundo notando que eu não tinha escolha alguma, tirei a mochila das minhas costas e coloquei ela no chão ao lado dos meus pés. Olhei para o lado e notei que a menina já havia colocado seus fones novamente e parecia entretida jogando algo no celular. Céus, ela não vai falar comigo? Bom, aparentemente eu sou a adulta aqui, então preciso tomar a iniciativa... Seria tão mais fácil se ela fosse uma criança de 4 anos, não sei puxar assunto com pessoas que já sabem fazer cálculos com tabuada... Até porque até hoje eu tenho dificuldade em fazer essas contas. — E aí. — falei me sentando mais ao seu lado no sofá e a garota me olhou por cima do seu celular, ela estava toda enrolada no cobertor e eu encarei minhas pernas nuas por causa do short que eu usava. Será que ela sente tanto frio assim ou eu que estou com muito fogo? — Quer brincar? — Acorda tia. — ela riu e voltou sua atenção para o celular. Espera aí! Tia? Ela me chamou de tia?! — Como é que é? — Eu estou jogando roblox. — ela avisou como se fosse óbvio e eu fiz uma careta para ela não entendendo. Será que isso é algum código adolescente? — Que diabos é isso? — Não conhece? — a garota me olhou chocada, parecia até que eu tinha três olhos. — Deveria? — Deveria e muito! Mas isso não é problema, eu te ensino tudo sobre esse jogo. — ela falou parecendo animada e saiu debaixo das cobertas para se sentar ao meu lado me mostrando a tela do seu celular. Senhor, ela ainda está usando um moletom! Moletom e cobertor! Está um calorzão e ela está até com meia nos pés... Será que ela não sente calor não? — Seu irmão falou sobre mim para você? — perguntei me sentando melhor ao seu lado erguendo meus pés no sofá. Agora que aquele i****a não está aqui, eu não preciso agir como uma robô. — Sim, ele disse que você é uma louca surtada que quebrou o carro dele porque não superou o ex. — a garota falou simples e eu a olhei abismada — Ele disse para eu não tirar os olhos de você, porque você é meia maníaca. — Ele disse isso? — perguntei chocada com a audácia dele — Não acredite no que seu irmão fala! Ele é um i****a que só sabe me irritar! Eu não sou maníaca e nem surtada. — Você não é muito fã do meu irmão né? — ela perguntou e eu notei que ela tentava esconder um sorriso, ela parecia estar se divertindo com o ódio que eu sentia pelo seu irmão e vice-versa. — Você seria se um garoto falasse isso de você? Se te chamasse de maníaca? — Eu não sei dizer. — a garota deu de ombros e arrumou os óculos em seus rosto — Os garotos ao menos sabem que eu existo. — Isso não deve ser verdade. — falei a olhando séria e a garota riu enquanto apontava para seu corpo. — Qual é, tia, olha pra mim. — Mel. — falei e ela me olhou confusa — Me chama de Melanie ou Mel, mas não me chama de tia. — Foi m*l. — a garota se encolheu e eu apenas sorri fraco para ela — Eu fui criada pelo meu irmão e pelo meu pai, não sou muito feminina, ou seja, invisível a olhos masculinos. A propósito, meu nome é Hae-won. — Ah para, isso não deve ser verdade. — falei a examinando, ela era bonita, mas as roupas cumpridas e visivelmente masculinas pareciam engolir a garota, seu cabelo estava preso em um coque bagunçado — Você é bonita Haewon, mas se esconde embaixo disso tudo. — Infelizmente é verdade. — ela deu de ombros — Os meninos me chamavam de Maria macho na escola, mas hoje eles só fingem que eu não existo, ou talvez eu realmente não exista para eles. Como sempre os engraçadinhos de plantão fazendo uma garota se sentir m*l. — Bom, para sua sorte eu achei que você era uma bebê ranhenta então eu trouxe meu kit beleza para fazer meu spaday quando você estivesse dormindo, mas já que você está aqui. — me abaixei para pegar a mochila no chão e a garota acompanhou todos meus movimentos me olhando curiosa — O que me diz? — Acho que meu irmão vai ficar louco. — ela riu encarando minhas coisas na mochila — Pode fazer minhas unhas também? — Garota, a gente vai se dar bem. — garanti ganhando uma risada dela. Acho que não vai ser tão r**m assim ser babá de uma pré adolescente. — Eu tiro os óculos também? — ela perguntou e eu neguei com a cabeça achando graça da sua pergunta. — Não sei porque as pessoas acham que ser míope é um motivo para se sentir feia. — falei ao me lembrar das transformações em filme, onde a mocinha tira os óculos e de repente é a mulher mais linda do mundo — Eles te dão um charme e tanto Haewon. — garanti empurrando seus óculos pelo seu nariz e a garota riu fraco com as bochechas vermelhas. Bom, eu sempre quis uma irmã mais nova para fazer essas coisas para ela. Será que o Finnick me odiaria ainda mais quando descobrisse a minha ideia de afeminar a irmã dele que há anos ele a encheu com masculinidade? Bom, ele que lute.
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