Controle

4979 Palavras
Pov Lauren Jauregui Eu não estava nenhum pouco afim de enfrentar meus irmãos e muito menos Michael, já que minha querida irmã fez questão de contar a nossa conversa da tarde para ele. Eu não desmenti para minha família que estava interessada em Camila. Afinal tinha como esconder isso deles ou muito menos mentir? Quem não estaria? Uma beleza extremamente encantadora e ainda por cima exalava poder, como não me interessar? Creio eu, que isso é impossível de acontecer, pelo menos para uma vampira normal. Que Mani não me mate se descobrir o que eu penso. Mas minha irmã pode até ser linda, porém Camila é a perfeição em pessoa, ela pode até ser um pouco irritada ou impaciente, no entanto suas qualidades supre qualquer tipo de defeito que tenha. Fazendo qualquer um esquecê-los completamente. Quando estava próxima a hora de sair de casa, tomei um banho rapidamente e me vesti. No momento que desci as escadas meus irmãos estavam me esperando, e meu pai estava me olhando atento como se esperasse falar alguma coisa. "Quer conversar, filha?" pensou ele. - Não, obrigada. - Eu fui educada. - Por quê? "Não sei, falar sobre Camila..." ele deixou a frase no ar. Eu não entendi o problema da minha família, por que todos estavam curiosos sobre ela, melhor dizendo sobre o que eu penso. Ninguém se meteu na minha vida antes, nas relações que eu tive com outras vampiras, agora era diferente. Boa parte da noite vi minha família questionando sobre o envolvimento que eu posso ter ou tenho com Camila. - Eu não tenho nada a falar. - Me prontifiquei. Minha mãe estava ao lado dele me observando, ela sabia o que ele estava falando. - Filha entenda, nós só queremos ajudar. - Ela estava preocupada. Clara tinha essa qualidade quando nos acolheu como seus filhos. Ela tinha um amor materno incondicional por mim e por meus irmãos. - Ajudar em que? - Perguntei sem parecer rude com minha mãe. Se tem alguém que eu mais respeito acima de tudo são eles. Para mim são as pessoas que eu mais valorizo quando dão suas palavras. Jamais faltaria educação. - Nos seus sentimentos. - Ouvi a voz de Troy no andar de cima. Franzi o cenho. Eu não tinha entendido o que ele quis dizer, afinal o que tem demais eu me interessar pelo corpo de Camila? Ora, não tinha como ignorar isso nunca. Como iria ignorar o fato dela me atrair sexualmente? Isso era impossível a atração que ela exerce sobre mim é forte demais. Dinah e Normani não estavam em casa. Tentei ler a mente delas, mas não os encontrei em lugar algum. O casal devia estar bem longe de casa provavelmente caçando ou coisa pior. Não demorou muito tempo Ally aparecereu prontamente ao meu lado, essa abriu um pequeno sorrisinho. Troy continua um sorrisinho i****a no rosto. Olhei para meu irmão esperando uma explicação dele. - Seus sentimentos com ela, estão diferentes. - Ele começou a dizer. Tentei ler sua mente, mas ele me bloqueava. Meu irmão provavelmente queria falar na frente de todos sobre essa conversa, não gostei disso, porém não havia segredos entre nós então não me importei muito. - Exatamente no que você está se referindo? - Encarei-o séria. Eu não queria ter essa conversa logo de manhã, só que eu não escaparia das perguntas da minha família. - Você nunca teve esse comportamento antes com qualquer pessoa que esteve, posso ver a mudança de humor constante quando está perto dela. E você tem sentido sentimentos que antes nunca vi vindo de você, como o ciúmes. - "E quando Camila esteve aqui em casa, você estava se sentindo culpada e frustrada por algum motivo durante a nossa conversa na sala, não sei pelo quê, mas depois que Ally disse sobre seus momentos com a Mila as coisas foram se encaixando." ele terminou por pensamento. - O que quer dizer? "Você está criando sentimentos por ela..." ele parecia hesitante em falar, "Sentimentos como eu tenho por Ally, Shawn por Sofi e Dinah por..." eu não deixei-o terminar. Esse tipo de sentimento era impossível de existir dentro de em mim, nunca senti isso antes não seria agora que eu sentiria ainda mais por ela, ou sentiria? Essa dúvida me corroeu por dentro, para falar a verdade fiquei assustada. Veja por exemplo Troy, era um soldado que só vivia para lutar e matar. Depois que encontrou a baixinha seu mundo virou por completo. Ele deixou de ser aquele soldado destemido para ser um protetor em relação a minha irmã. Apaixonou-se por ela e seu mundo só existe nela. Se minha vida mudar assim completamente por causa da Camila, no que eu me tornaria? Eu valorizo isso sim, mas não é para mim, pelo menos não para o meu estilo de vida. - Você não sabe o que está falando Troy! - Me exaltei não podia acreditar nas palavras do meu irmão. - Eu não sinto nada! - Filha, eu sei que talvez pareça difícil, pois esse é um sentimento novo para você. Depois de tanto tempo sozinha é compreensível que você esteja confusa. - Michael falou como se soubesse exatamente sobre o que meu irmão estava falando. - Só estamos preocupados, não sabemos muita coisa sobre a Camila, e principalmente não sabemos se ela pode ter alguém já na vida dela. Esse pronunciamento do meu pai me deixou desconfortável, como assim Camila já tem alguém? Isso não era possível, quero dizer se ela tivesse um companheiro ele estaria com aqui ela, não estaria? E se ela tivesse eu não teria nenhuma chance. Não pode ser possível, mas se bem que... Aquele primeiro dia de aula Camila falou com um tal de Christopher e ela falava com uma emoção forte vindo dentro dela, pude saber disso através do meu irmão. Será que esse Christopher era o companheiro dela? Só de pensar nessa possibilidade fez meu peito doer, por que eu me importava com isso? Droga! Isso não era bom. - Eu acho que você está errado pai, se Camila tivesse alguém realmente, esse alguém estaria com ela agora. - Ally argumentou seu ponto de vista igual ao meu. - Você pode até estar certa Ally, mas ainda sim, não temos certeza. Não sabemos quase nada sobre ela. Se caso ela tem um companheiro ele no momento pode estar ocupado fazendo outras coisas para depois encontrá-la. - Michael disse. Meu pai não era contra eu sentir algo por ela, só estava preocupado. Ele não queria que eu me ferisse, quando finalmente conheci alguém que é importante para mim, como ele acha que ela era? - Por que você acha que se ela tem um companheiro ele não está com ela agora? Por que ela o deixaria sozinho? Ally não via como isso era possível. - Não sei, não quero desencorajar, minha filha. Mas se ela foi capaz de se afastar de Sofi por uma semana, por que não poderia acontecer a mesma coisa com o companheiro? - Ele disse. Ally não tinha argumentos contra isso. Ela tentou ver o futuro de Camila para ver se aparecia alguém, mas ninguém apareceu. Talvez ela não tivesse mesmo alguém ou realmente meu pai estava certo, mas e se aquele Christopher fosse mesmo seu companheiro e só estivesse ocupado no momento e consequentemente não dá para ficar perto dela. O que eu faria? - Lauren? - Troy tentou falar algo. Ele sentiu o meu sofrimento. - Eu não quero falar sobre isso. - Falei seca. - Já está na hora de irmos para a escola. Sai dali sem falar com ninguém. Fiquei dentro do carro esperando meus irmãos aparecerem. - Como ela está se sentindo, meu filho? - Ouvi a voz de Michael preocupado. - m*l. Ela ainda está no estado de negação, não quer acreditar nos seus sentimentos. - Meu irmão respondeu. - Depois de tanto tempo sozinha, é compreensivo. - Meu pai sussurrou. - Só espero que ela abra os seus olhos diante daquilo que está na sua frente. - E vamos torcer que o sentimento de Camila seja reciproco. Eu ouvi uma leve risadinha da baixinha. - Está tudo bem, filha? - Ouvi a voz de Clara preocupada. - Está sim, só que se eu fosse vocês não ficaria me preocupando com esse assunto. - Pela mente da minha mãe vi um sorriso largo no rosto da baixinha. Tentei ler os pensamentos da anãzinha, mas ela me bloqueava cantando uma musica qualquer. Minha família ficou em silêncio por alguns minutos curiosos pelo que ela disse, mas ninguém falou nada. Meus irmãos levaram alguns minutos para vir até a garagem para enfim darem as caras. Provavelmente para me deixar pensar um pouco, mas não foi nenhum pouco bom, pois não consegui pensar em nada a não ser naquela dor no meu peito. Senti a dor sumir prontamente, percebi que meu irmão tinha me ajudado. Mani e Dinah entraram no carro tranquilamente eu nem tinha notado o momento que elas tinham chegado em casa. Estava tão submersa nos meus pensamentos que não prestei atenção em mais nada a minha volta. - Irmãzinha, que cara é essa? - Dj perguntou assim que viu minha cara pelo retrovisor. - Não é da sua conta, Hansen! - Falei ríspida. - Ui. - Ela levantou as duas mãos e acenou com elas. - Acho que tem alguém aqui com TPM. Ouvi um tapa na nuca da minha irmã. - Não fale besteiras, Dinah. - Mani brigou com ela. - Ai, ursinha essa doeu! - Ela esfregou as mãos atrás da nuca. - É a Lauren que está com TPM e é você quem toma as dores por ela? Mani fechou a cara para ela. - Estou brincando amorzinho, vem cá e me dá um beijinho. - Ela fez biquinho se aproximando dela, mas Mani colocou a mão na cara dela e a empurrou para o lado de Troy. - Não se aproxime, Dinah! - Ela falou furiosa. - Se você tentar se aproximar mais uma vez, te jogo para fora desse carro. - Dinah, caramba! - Troy se exaltou. - Você não consegue ficar de boca fechada, não? Agora sou eu quem estou tomando suas dores. Troy reclamou quando foi prensado na porta pelo corpo da loira. Ele fez o mesmo que a Mani, empurrando Dinah para o lado dela. - A esposa é sua Manibear, então segura ela aí. - Troy falou. Normani começou a brigar e os três começaram a discutir atrás do carro. Ally não perdeu tempo e entrou dentro da discussão para defender Troy. Como ela estava sentada do meu lado virou para trás quase me fazendo beijar sua b***a magricela. - Já chega os quatro ou irei deixa-los aqui! - Rugi furiosa. Suspirei aliviada quando todos me obedeceram e ficaram em silêncio. Pelo menos não teria que escutar mais nenhuma reclamação vindas dos meus irmãos. Não demorou muito para chegarmos à escola, mas chegamos em cima da hora. A conversa que eu tive com minha família nos rendeu alguns bons minutos e quase um atraso para a aula. Vi de relance quando seguia para dentro da escola o carro de Camila estacionado. Ela geralmente estacionava o carro um pouco afastado, próximo da floresta. Ally me acompanhou até a sala, mas não disse nada. Ela era uma ótima irmã, soube respeitar meu espaço e não quis me encher de perguntas, por outro lado ficou reclamando dos meus irmãos quando soube o que aconteceu no que aconteceu no carro. Procurei pelas mentes dos alunos e fiquei acompanhando Camila o tempo todo. As aulas foram passando e eu não me concentrei na matéria. Eu estava perdida ora em pensamento, ora nas ações de Camila. Na hora do intervalo fui a ultima a chegar à mesa sentando-me ao lado da baixinha. Eu vi Ally mexendo empolgada no embrulho do celular novo que Camila tinha dado a ela, e pelo que eu li na mente dela, Camila já tinha gravado seu número no celular da minha irmã. Essa não sai da minha cabeça. Eu agora não estava tão m*l como antes, mas estava imersa nos meus pensamentos pensando tudo relacionado a ela, eu me desliguei para o mundo prendendo-me as minhas memórias. Até que escutei a cadeira a minha frente sendo arrastada, olhei desinteressada para quem tinha sentado nela e arregalei os olhos surpresa ao ver Camila e Sofi se sentando na mesma mesa que a minha e da minha família. O que elas estavam fazendo ali? Li a mente dos meus irmãos e vi: Ally tinha chamado as duas para se sentarem conosco e eu perdida em meus pensamentos não vi nada acontecendo a minha volta. - Ah, obrigada por aceitarem se sentar aqui. - Ally quase quicava no banco. Eu nem prestei direito atenção no que a baixinha falava, meu foco no momento era Camila. Meu rosto logo se iluminou com um largo sorriso, não acreditei que Camila estava aqui, era bom demais para ser verdade. Por um breve momento seus olhos se encontraram com os meus, porém foi bem rápido. Entretanto, enquanto Camila conversava com Ally ela estava com os lábios levemente encurvados pra cima. Então ela gostou? Isso é bom. Estava ficando satisfeita, quando um pensamento surgiu lembrando do suposto cara que pode ser seu companheiro. O sorriso no meu rosto foi sumindo aos poucos, essa ideia não me agradava nenhum pouco. Fiquei olhando fixamente para minha bandeja e comecei a brincar com a comida. "Ela está te encarando". Ouvi Troy me dizer. Quando eu levantei meu olhar para cima, Camila estava mesmo me fitando com a testa franzida. Estava estampado na sua cara que ela estava curiosa me olhando atentamente. - Então, Lauren? - Normani chamou minha atenção. - Hum? - Sobre o que ela estava falando? Olhei para ela esperando saber sobre o que se tratava. - Estou te chamando há um tempo, só que você não me responde. - Minha irmã falou. - Desculpa, eu não prestei atenção. - Falei desinteressada não me importando com o assunto. - Onde estava com a cabeça? - Ela ia começar, mas parou rapidamente. Ela quase me dá um furo sobre meu suposto pensamento estar sendo referente à Camila. Estava tão evidente assim para meus irmãos? Olhei-a seriamente e a mesma mordeu os lábios para conter o riso. Antes que ela pudesse continuar a falar o sinal soou a impedindo de dizer o que fosse. - Depois conversamos, já deu a hora. Vamos, DJ. - Ela puxou minha irmã pelas mãos e caminharam em direção as salas. Não demorou muito para que os restantes da mesa se levantassem e caminhassem em direção à saída do refeitório. Sofi, Camila, Troy e Ally estavam mais à frente, e eu fui caminhando um pouco mais atrás deles. Antes que eu percebesse os cinco se despediram de Camila e seguiram rumo ao prédio diferente ao nosso. Nessa aula de agora, Sofi e Ally estariam na mesma turma e Troy como sempre acompanharia Ally até sua sala. Vi Camila caminhando tranquilamente para a mesma sala que eu. Aproveitei a oportunidade e corri até ela. - Camila, espera! - Eu disse em um tom audível para qualquer um quando estava próximo dela. Camila parou de andar até eu chegar a ela, a vampira virou me encarou com uma sobrancelha arqueada esperando eu falar. - Posso acompanhá-la, já que estamos indo para mesma sala? Ela esboçou um meio sorriso. As mentes dos humanos estavam gritando em minha cabeça, com a cena de nós dois juntos. - Claro! - Ela aceitou e voltou a andar. - Então está tudo bem com você? Não tinha entendido sua pergunta, mas mesmo assim respondi: - Sim, por quê? - Não sei, me diz você. Estava no mundo da lua na hora do intervalo... - Ela falou despreocupada, mas quando eu olhei em seus olhos e não sei por que mais eu senti que ela sabia exatamente o que se passava comigo minutos atrás. Conforme íamos caminhando até a sala vários alunos nos olhavam chocados e sussurravam entre si sobre nós duas. - Não é nada demais, só pensando um pouco. - Tentei soar como se não fosse nada de importante. - Entendo, se eu puder ajudar em algo é só me avisar. - Camila piscou para mim com um sorriso atrevido no rosto. Observei-a surpresa, será que se eu pedisse a ela o que realmente queria ela me ajudaria? Uma pontada de esperança surgiu em meu peito. Dei um sorriso largo com a ideia. Nós tínhamos acabado de chegar em frente a sala. Eu parei na entrada para responder a ela. - Talvez só você possa me ajudar. - Dei um sorriso galanteador. Aproveitei para me aproximar dela, mas antes que eu pudesse tocar em sua cintura com minhas mãos escutei um pigarro atrapalhando o meu momento. Na hora tive vontade de matar o infeliz. Me virei furioso para xingar a pessoa e acabei dando de cara com o professor que me olhou assustado por me ver assim. - É... Se vocês não entrarem agora... eu não vou deixar entrar depois. - Ele passou a mão na gola da sua camisa como se o ajudasse a respirar melhor. Eu iria falar que não íamos entrar, mas Camila foi mais rápida. - Desculpe, Mr. Banner, já estávamos entrando. - Ela deu um sorriso amarelo. - Assim espero. - Falou com o queixo erguido assim que se recompôs. Eu ia questionar, mas Camila me olhou séria impedindo que qualquer palavra saísse da minha boca. Camila foi se sentar ao meu lado como sempre. O professor se sentou na sua mesa e começou a folhear alguns papeis. Eu estava em silêncio e acabei prestando atenção nos pensamentos dos humanos, algo que chamou minha atenção me deixou tenso na hora. Pelo que eu lia na mente de alguns dos alunos eu soube que o professor ia fazer tipagem sanguínea na aula. Eu não acredito como fiquei tão distraída a ponto de não ver nada? Eu tinha que achar uma maneira de sair daqui com a Camila. - Camila? - Ela virou para me olhar. - Temos que sair daqui agora. - Por quê? - Ela estreitou os olhos formando uma pequena ruga entre suas sobrancelhas. Ela ficava linda assim, sacudi a cabeça não era momento pra pensar nisso. - O professor. - Respirei fundo para me concentrar em uma desculpa para sair daqui. - Vai fazer tipagem sanguínea. Ela me olhou e um sorriso enorme surgiu em seus lábios. - Isso é ótimo. - Ela disse entusiasmada. Eu franzi o cenho, eu acho que ela não tinha entendido o que isso significava. - O que? Não podemos ficar aqui. Você escutou o que eu disse? - Eu perguntei um pouco nervosa. - É claro que escutei, não sou surda. - Ela falou um pouco entediada, mas logo voltou com um sorrisinho no rosto. - Está na cara que eu não vou sair daqui... - Olhei-a boquiaberta, ela ficou louca? - E perder a variedade de cheiro desses aperitivos magníficos que vai ter na sala? Mas nunca mesmo. - Você só pode estar brincando! - Eu falei alterada. - Ainda mas você que se alimenta de sangue humano, não vai conseguir se controlar. Ela revirou os olhos e virou para frente de novo me ignorando completamente como se eu não tivesse dito nenhuma palavra. - Camila, por favor. - Tentei mais uma vez não podia nos arriscar e deixá-la aqui sozinha. - Eu estou falando sério! - Falei angustiada. Ela me olhou atentamente. O professor já havia começado a explicar sobre a aula e pediu para que cada um pegasse seu material. - Você não vai aguentar sentir o cheiro? - Ela perguntou tranquila como se para ela não fizesse diferença o efeito do sangue que ia causar, tá bom! - Exatamente. - Deixei de lado, talvez ela não quisesse confessar que também não aguentaria. - Agora vamos, vou dar um jeito de nos tirar daqui. Eu segurei no seu pulso, para tirá-la daqui, porém ela me impediu permanecendo fixamente no seu lugar. Para minha sorte o professor saiu da sala para pegar mais alguns materiais que faltava, essa era nossa chance, depois eu daria um jeito de explicar a saída repentina. - Você pode ir Lauren, mas eu vou ficar. - De jeito nenhum vou te deixar sozinha. - Ela tinha que entender o perigo das minhas palavras, num ato impensado e repentino para mostrar a seriedade do que eu dizia puxei-a para perto de mim deixando seu rosto a centímetros do meu. Ela me olhou surpresa. Camila não esperava esse gesto meu e para falar a verdade nem mesmo eu esperava. Era para eu dizer algo, mas ela estava perto demais. Eu encarei profundamente seus olhos de chocolate e ela me olhava na mesma intensidade, nesse momento esqueci-me de tudo a minha volta até mesmo sobre o que estávamos discutindo. Com a mão livre segurei sua cintura e fui aproximando meu rosto do seu, seus olhos ainda pareciam estar perdidos nos meus. Bem ao longe escutei alguns ofegares, mas para mim nada mais importava. Eu tinha Camila nos meus braços isso sim era a única coisa que me interessava. A sensação de tê-la aqui era incrível, fazia todo o meu corpo se arrepiar e a minha respiração acelerar. Quando meu nariz tocou o dela eu escutei uns gritinhos irritantes e esse barulho parece ter trazido Camila a tona, pois ela piscou os olhos algumas vezes como se ajudasse a esclarecer seus pensamento, e seus olhos se tornaram furiosos. - Saia. De. Perto. De. Mim. - Ela disse pausadamente. Camila se soltou de mim numa forma abrupta e se afastou. Eu não tinha entendido sua reação para agir assim. - Você é maluca? - Perguntei exaltada. - Olha o jeito que fala comigo garota! - Ela disse ríspida. - Garota. - Enfatizei essa palavra. - Se é que você percebeu temos praticamente a mesma idade. - Sorri debochada. - Estamos longe de ter a mesma idade. - Camila ironizou. Isso me chamou atenção, uma coisa que eu nunca parei para pensar. Quantos anos ela tinha? Pelo seu jeito de falar parecia ter muitos anos, talvez séculos. No mínimo uns cento e cinquenta anos, pois essa era a idade aproximada de Troy, e ela o conheceu nas guerras do sul. Eu fiquei curiosa, mas agora não era momento para isso, ela não me responderia mesmo. - Por que está de mau humor? - Perguntei. Camila demorou um tempo para me responder como se talvez procurasse as palavras certas a dizer. - Se é que você não percebeu estamos dentro da sala de aula. - Ela respondeu, mas no fundo não achei que era isso... Então um estalo deu na minha cabeça. Nós estávamos na sala de aula, eu me esqueci completamente de onde nos encontrávamos. O que me fez lembrar de que alguém interrompeu o nosso quase beijo. p**a que pariu, só agora minha ficha caiu. Eu quase beijei Camila Cabello! Eu não acredito! Maldito seja aquele que interrompeu meu quase beijo, se eu descobrir quem é o infeliz eu vou matá-lo. - Eu acho melhor você sair daqui agora, o professor está quase voltando. - Ela sussurrou. Lembrei-me que o professor ainda não tinha chego. - Eu não vou deixá-la sozinha aqui, não depois de um quase beijo nosso. - Fechei a boca na hora que falei isso. Ela me olhou com olhos um pouco arregalados, mas logo sua expressão se suavizou e um sorriso pervertido surgiu em seus lábios. - Pelo menos dessa vez, você não virou uma estatua. - Camila piscou para mim. Da outra vez eu tinha mesmo bancado a i****a, mas dessa vez não. - Seu tempo está acabando Lauren, Mr. Banner está chegando. - Eu não podia deixá-la. - Não se preocupe eu não vou atacar ninguém, mas já não posso dizer o mesmo por você. - Olhei-a incrédula, não tem como ela não atacar ninguém se ficar na aula. Se bem que se tratando da Cabello eu não duvidaria do que ela diz, mas ainda sim... Ainda sim não iria sair sem ela, balancei a cabeça irredutível. - Pois bem, é melhor se controlar. - Ela deu de ombros e virou para frente. Passou só alguns segundos e o professor chegou na sala. Eu fiquei tensa pela roubada que me meti, Camila podia estar falando mesmo a verdade e conseguir se controlar, no entanto eu não seria capaz disso. Tive que trancar a respiração. O professor passou mesa por mesa entregando as agulhas descartáveis. - Podem começar. - Ele falou alto. Então os alunos começou a furar seus dedos. O monstro dentro de mim rugiu implorando pelo menos um gole. Mesmo sem respirar estava difícil de controlar a vontade que sentia. Olhei para o lado e vi Camila respirando profundamente de olhos fechados, porém assim que abriu-os estavam escuros de desejo. Os meus não deviam estar diferentes. Ela virou lentamente o rosto para seu lado direito e encarou sobre seu ombro alguém atrás dela, eu só não fazia ideia de quem era já que não conseguia ver seus olhos para saber quem ela encarava. A vontade de tomar sangue estava sendo mais forte quando olhei para o lado e vi a pequena gota de sangue escorrendo pelo dedo de um aluno, aquilo foi tentação demais. Segurei firme na ponta da bancada e escutei uma leve trincada da madeira que minha mão apertava. Não demorou muito e Camila virou para frente com um sorriso satisfeito no rosto, pelo visto ela encontrou alguém apetitoso para si. Ela me olhou ainda mantendo o sorriso presunçoso. - Que tal você inalar, aposto que vai encontrar algo saboroso. - Ela sugeriu. Como ela conseguia lidar tão facilmente com uma situação dessas? Eu estava perdendo cada vez mais a força de vontade era agonizante ficar parada assim num lugar e não fazer nada, eu não podia decepcionar minha família. O que eles fariam se eu atacasse alguém aqui? "Não se mexa Lauren, eu vou te ajudar!" Escutei os pensamentos agitados de Ally. Eu não me mexeria nunca, um movimento a mais e eu provavelmente colocaria tudo a perder. A vontade de tomar sangue dessa vez, não foi nada comparado quando Camila estava se alimentando de Mike, aqui a vontade era intensa demais. Se eu perder uma única respiração, eu sei que não teria mais volta e exporia minha família inteira, provavelmente a Camila e Sofi também. - Eu avisei que você deveria ter ido quando teve chance. - Ela sussurrou. "Eu sei que sim, mas sou uma i****a com medo de deixá-la sozinha." pensei. Ela me observava atentamente. - Eu acho que deve estar sendo bem doloroso para você se segurar, você é bem resistente muitos já teriam desistido no primeiro segundo. Revirei os olhos e fechei-os tentando me manter calma. Ouvi os pensamentos alarmantes de Ally enquanto se aproximava. Eu tive medo que ela não conseguisse se controlar e colocá-la nessa mesma situação. Escutei um suspiro profundo vindo da minha parceira ao meu lado. - Lauren? - Mila me chamou mais eu não abri os olhos. - Lauren, respira. - Abri os olhos encara-a chocada. Essa garota ficou doida de vez só pode ser. - Vamos, você não vai ficar mas se torturando se fizer isso. Eu neguei levemente, ela não faz ideia do que vai acontecer se eu fizer isso, ela devia estar mesmo querendo ver um m******e dentro dessa sala. "Lauren, faça o que ela diz." Ally pensou "Não sei como, mas isso vai ajudar! Você não vai atacar ninguém". Eu não poderia me arriscar. As visões da Ally são subjetivas vai se minha vontade muda e eu acabo causando uma loucura. - Vamos logo! - Camila pediu. Eu ainda não tinha coragem, a dor ficava cada vez mais forte parece que jogaram ferro escaldante na minha garganta. - Você confia em mim? - Ela perguntou me encarando profundamente. Essa sua pergunta me pegou de surpresa. Eu confiava nela? Era uma pergunta importante e muito valorizada. Eu confiava nela? De novo essa pergunta me atingiu. Eu olhei dentro dos seus olhos e pude perceber que ela estava atenta demais, posso dizer que talvez até estivesse ansiosa pela minha resposta, mas foi apenas olhar para aqueles olhos castanhos achocolatados que eu soube a resposta. -Sim. - Sibilei entredentes. Ela esboçou um pequeno sorriso nos lábios. - Então faça o que eu disse. - Ela pediu calmamente. Eu fechei os olhos apreensiva. Fosse o que fosse eu faria o que ela disse. Relaxei o corpo e soltei a respiração lentamente, assim que eu inalei o primeiro lufada de ar que invadiu meu pulmão abri os olhos abruptamente, para ter certeza se eu não tinha ficado louca. Respirei profundamente e me surpreendi com o cheiro. Eu não estava sentindo a intensidade dos sangues, sim ainda era cheiroso, mas era como se fosse o mesmo cheiro do dia a dia. Tentador, mas possível de ser ignorado. Talvez um pouco mas apetitoso, mas era pouca diferença. Eu não estava acreditando nisso. - Como isso é possível? - Perguntei em choque. - Você devia estar colocando na sua mente algo tão impossível de ser ignorado que estava se auto torturando. - Ela deu de ombros. - Não, não pode ser isso. - Eu neguei desacreditada ainda. - Então o que seria? - Ela ergueu suas sobrancelhas pedindo uma explicação. - Eu não sei. - Falei confusa, não fazia ideia do que poderia ser. - Eu só sei que eu não teria um autocontrole ótimo assim. - Acho que você está se desprezando mais do que devia. - Camila comentou. Não devia ser isso. - Vocês já terminaram? - O professor passou perguntando. Droga eu tinha até esquecido dessa tipagem sanguínea que não sei como vou explicar para ele que isso é impossível de ser feito, pelo menos para nós vampiros. - Já terminamos sim. - Olhei para a bancada quando Mila estendeu um papel com duas lâminas por cima que continham sangue para o professor. Eu não acreditei no que eu vi. Como ela conseguiu fazer isso? - Muito bem. - Foi a única coisa que ele disse antes de sair. - Como você conseguiu isso? - Perguntei olhando para as duas lâminas. O professor nem ao menos tocou na folha apenas tinha olhado por cima. - Às vezes quando fechamos os olhos, muita coisa pode acontecer. - Ela explicou. Fiquei em silêncio tentando entender o que ela quis dizer, ela sabia o que fazia. Certo? Não demorou muito e o sinal tocou, Camila saiu da mesa sem se despedir de mim e eu não me movi ainda tentando entender. Uma coisa eu tinha certeza aquele tal de Christopher não era o companheiro dela. Se fosse ela não estaria tendo esses momentos comigo, porém isso não quer dizer que eles não têm algum envolvimento juntos. No entanto, só de saber que eles não são companheiros já é grande coisa, pelo menos para mim.
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