Início de tudo: Sol e Lua II

2564 Palavras
Estava terminando de fazer a estrela dentro do circulo com o sal. O sol estava ao pino. O livro já estava em minhas mãos e a faca ao meu lado. Christopher posicionou as velas em cada ponta da estrela. Assim que terminou. Olhei pra ele e perguntei: - Pronto? - Sim. - Deu um beijo no meu rosto. – Dará tudo certo minha irmã. - Eu sei. Só consigo fazer porque tu estas do meu lado ajudando. Obrigada! Ele apenas sorriu e ascendeu as velas. Entrei no centro do circulo e comecei a proferir as palavras do encantamento. Depois de ler tudo ajoelhei-me e peguei a faca ao meu lado cortando minha mão. Apertei-a com força deixando um filete de sangue escorrer dela até o solo da terra. Fechei meus olhos e Proferi as últimas palavras agradecendo por fim. Assim que abri-os novamente um vento forte passou pela campina me fazendo tremer dos pés àcabeça. Meu irmão estava sentado a minha frente sem dizer uma palavra, mas sei que ele estava tão nervoso quanto eu. Apaguei todas as velas e sai do circulo. - Hum... és só isso? – Meu irmão perguntou meio em duvida. - Sim a primeira parte foi concluída agora à noite terminaremos. - Então bruxinha se sentindo poderosa? - Claro, sou capaz de fazer um feitiço que apenas com um chute em sua b***a você irá parar nas terras de Akhenaton. – eu disse presunçosa. Ele gargalhou alto. Limpando uma lagrima que saia do seu olho esquerdo. - Beijarei seus pés se tu fizeres isto. – Arregalei os olhos com suas palavras. - Por quê? – Questionei incrédula. - Se fizeres isto, me jogaras diretamente aos braços da sua filha Ankhesenamon. Ouvi dizer que ela és linda.– Seus olhos perderam foco. Estremeci só com a ideia do que poderia estar passando pelos seus pensamentos. -Argh, esqueça as minhas palavras. - Tudo bem irmã. – Suspirei aliviada. – Por enquanto. Fiz careta, mas nada disse. Não voltaria mais nesse assunto. Fomos para casa e passamos o resto do dia por lá. Eu faria de tudo para salvar meu irmão, e eu também tinha que me salvar para encontrar as pessoinhas mais importantes que tudo nessa minha vida, esse era o motivo que eu tinha para me manter viva. Eu precisava ficar bem para reencontrá-las. Fui deitar em minha cama. Descansei um pouco para relaxa e depois me concentrei para preparar a última parte do feitiço não poderia fazer nada de errado. Eu estava nervosa, mas tudo havia dado certo não seria agora que mudaria. Pensando nisso a sensação r**m que tive outro dia voltou. Será que vai acontecer algo de m*l? Essa possibilidade me deixou assustada. Fiquei em duvida se deveria continuar. Se algo atrapalhar ou interferir o encantamento não sei quais seriam as consequências só torcia para que desse tudo certo. -Mila, Mila! Estás tudo bem contigo? – Meu irmão me chamou trazendo de volta a realidade. Olhei para ele piscando algumas vezes aturdida e balancei a cabeça tentando espantar os pensamentos. - Eu não sei. Eu... eu estou com uma sensação r**m. – Olhei desesperada para ele. – E se algo acontecer? E se algo der errado? Estou com medo meu irmão. Abracei-o forte deixando as lágrimas escorrerem por sua blusa. -Shiii... Estas tudo bem irmã. Nada dará errado. Estarei lá contigo. – Ele dizia palavras tranquilizadoras enquanto acariciava meus cabelos com seus dedos. – Tu achas que não conseguirá terminar? - Não és isso sei que sou capaz de concluir com êxito, mas não sei dizer o que é. - Então irmã não se preocupe não deve ser nada. Tu deves estar nervosa fazendo sua imaginação ir longe. Não falei mais nada deixando o assunto de lado. Já havia escurecido bastante tempo à lua cheia estava linda e se encontrava sobre nossas cabeças. Fomos para a campina e nem precisávamos ascender uma fogueira a luz do luar iluminava o lugar por completo. Uma linda visão nos rodava. Respirei fundo me acalmando com a paisagem. Dessa vez seria o meu irmão a entrar no circulo. Estávamos completando o circulo novamente já que o vento durante a tarde tinha retirado boa parte do sal. Ascendi às velas e me posicionei a sua frente, mas desta vez estava fora do circulo apenas meu irmão se mantinha dentro. Olhei para ele esperando por algo que dissesse, mas ele apenas assentiu. Dei um meio sorriso e abri o livro na página certa. Suspirei profundamente e mais uma vez comecei a proferir as palavras. Meu irmão fez exatamente como eu fiz hoje de manhã. Depois que terminei as palavras ele se ajoelhou e pegou a faca ao seu lado. Cortou a palma de sua mão deixando o sangue escorrer caindo sobre a terra. Terminei de dizer as últimas palavras à única coisa que faltava era agradecer. Minha mãe me disse que em todo o ritual você sempre deve agradecer para encerrar o feitiço. É o jeito já que eles nos davam o seu poder como desejávamos. Antes que eu dissesse as últimas palavras para encerrar o feitiço. Algo me chamou a atenção do outro lado da campina. Estreitei os olhos para ver se conseguia melhorar a visão, meu irmão vendo que parei, me encarou e depois seguiu o meu olhar. Foi então que eu vi, era o povo do vilarejo estavam com tochas em suas mãos e à medida que se aproximavam observei suas caras misturadas entre raiva, choque, medo e determinação. Aquela sensação r**m surgiu novamente e percebi tarde de mais que eu e meu irmão estávamos em grande perigo. Um desespero tomou conta de mim. Eu voltei meus olhos para meu irmão e vi em seu rosto transmitido o mesmo medo que devia estar no meu. As pessoas ali estavam apenas alguns metros de nós. E um deles que reconheci entre todos. Thomas, o pastor do vilarejo. Ele era um homem moreno e alto a cor dos seus cabelos eram pretos e os olhos uma cor de mel, seus corpo magro eram claramente visto atrás da camiseta. Ele deu um passo a frente e sua expressão de surpresa olhando tudo passou para furiosa quando seus olhos pousaram em mim, estremeci um medo tomando conta de todo o meu corpo. Não adiantava fugir, muitos eram mais rápidos que eu e meu irmão estava se recuperando de um forte resfriado. - Bruxa maldita, como ousas praticar sua magia n***a em nosso vilarejo. – Sua voz era ríspida. - Esperem! Vós estais entendendo tudo errado... Nós n-n-não fizemos nada para prejudica-los. – Tentei explicar. - Espera mesmo que eu acreditarei em qualquer palavras de um monstro como ti? Estava aflita não conseguia raciocinar direito. Foi então que ele avançou em minha direção, mas meu irmão o segurou antes que colocasse suas mãos em mim. - Não ousas encostar um dedo sequer em minha irmã. – Ele disse esbravejando as palavras. Thomas furioso empurrou meu irmão. - Vós sóis os filhos das trevas, praticando essas coisas odiosas em nossas terras. - Não estávamos fazendo nada que interferisse além de mim e minha irmã. – Tentou convencê-lo. - Fostes vós, não fostes? – Outro homem se aproximou tão enfurecido quanto Thomas. Não entendi o que ele queria dizer. Só que quando completou sua frase tudo mudou. – Fostes vós que fizestes as terras tremerem semanas atrás, fostes vós os causadores de todas aquelas mortes e o desastre de nossa vila. – Gritou Issac em plenos pulmões. Fiquei surpresa com suas palavras jamais imaginaria que eles pensariam tal atrocidade de mim e de meu irmão, digo eu nasci aqui! Conheço todos a minha vida toda. E mesmo assim só por terem visto algo já nos acusavam sem ao menos verem a razão. Todos a nossa volta começaram a gritar nos chamando de “Bruxos”, “Filhos das trevas”, “Pragas malditas”, “Demônios” entre outros nomes horríveis. Lágrimas grossas já molhavam meu rosto. - Não! Nós não temos nada haver com aquilo, jamais faríamos isso a vós. – Tentei dizer alarmada. – Vós nos conhecestes a vida toda. - Mentirosos. – Varias pessoas falaram ao mesmo tempo. - Pensávamos que conhecíamos, mas não conhecíamos. Só agora descobrimos que são bruxos. Deus não permitirá que criaturas assim como vós permanecestes nesse mundo, por isso deu vossa graça de nos mostrar quem realmente são.– Thomas respondeu o que eu disse. - Demônios, merecem queimar no inferno! Então tudo aconteceu muito rápido todos os homens que estavam presentes ali no momento avançaram para cima de mim e de meu irmão. Com a confusão deixei o livro cair de minhas mãos e tentei correr até Chris, mas uma mão puxou-me com tudo para trás e só tive tempo de sentir um tapa em meu rosto. Caí no chão com a força e gritei com a dor. Um gosto de sangue tocou minha língua. Meu irmão olhou para mim assustado e tentou chegar até mim. - Soltem-na seus monstros. – Apesar dele ser forte três homens foram para cima dele. - Não nos compare a ti. – um dos homens cuspiu as palavras. - Christopher. – Gritei empurrando inutilmente a pessoa que me segurava para livrar meu irmão daqueles homens que davam soco e chutes nele. Estava tão concentrada em arranjar um jeito de salvar meu irmão que nem prestava mais atenção às pessoas a minha volta. Fomos arrastados até o vilarejo. Eu e meu irmão tentávamos nos soltar, mas nada adiantou. Quando olhei em volta meio desnorteada ainda. O povo do vilarejo se encontrava todos aglomerados em certo ponto, mulheres, crianças e idosos seus rostos demonstravam vários sentimentos, mas um sentimento que sabia identificar em todos era raiva. Empalideci no momento que vi onde eles estavam em volta. Naquele momento meu coração perdeu uma batida. Senti minha pele gelar e paralisei em choque. Nunca senti um medo tão grande como estava sentindo. Ali se encontrava uma árvore que ficava quase no centro do vilarejo. Nela continha duas cordas amarradas, só desejando nossos pescoços ali. Eu não podia morrer, ainda tinha pessoas que dependiam de mim. Que estavam a minha espera em outro lugar. - Por favor, parem! Vós precisais saber que não faríamos nenhum m*l. – Tentei pedir. A minha visão estava embaçada por conta das lágrimas. - Cale-te, bruxa. – Thomas me deu mais um tapa. - Largue-a seu covarde. – Meu irmão ainda se debatia no braço dos outros. - Vós tereis o que merecem, na verdade és o mínimo que merecem por tudo que fizestes, pelas mortes que causaram. Aquilo... – Apontou para a forca. – Aquilo és as suas sentenças e Deus os julgará como merecem. - Esperem. – Eu precisava pelo menos salvar meu irmão. – Meu irmão não tem culpa, eu quem estava praticando magia, não ele. Não o condene! – Me ajoelhei aos pés de Thomas e segurei suas mãos. – Condene a mim. Eu fiz aquilo que viram na floresta, meu irmão não fez nada. Não condene um inocente. - Karla Camila, não digas isso. Estou envolvido nisso tanto quanto tu. – Exclamou meu irmão. Thomas me encarou sério, seus olhos pareciam perfurar minha pele, ele me empurrou jogando-me no chão. Foi então que ouvi uma voz conhecida. - O que está acontecendo aqui? – Olhei em direção a voz e no meio das pessoas surgiu o meu tio Simon. Meus tios Heitor e Carlos não estavam com ele, provavelmente ficaram preocupados em deixar suas famílias sozinhas ou ainda não foram informados do que estava acontecendo. Só esperava que todos estivessem bem. - O que estão fazendo com meus sobrinhos? – Vociferou tio Simon. - Esses bruxos. – Apontou para mim e meu irmão. – Foram pegos em flagrante praticando magia. Eles são causadores daquele acidente de semanas atrás, a terra não se meche sozinha foram eles que fizeram aquilo. – Thomas argumentou. Ouvi murmurinho em minha volta. - Não sejas t**o, eles jamais fariam uma coisa dessas. Vós conhecem esses dois a vida toda. – Falou para todos ali presentes com o semblante nervoso e preocupado. – Os pais deles também morreram ainda mais ajudando muitos de vós presentes aqui nesse momento. - Tio. – Chamei-o entre as lagrimas. -Solte-os agora. –Ele gritou nervoso. Mas pelo jeito muitos ali presentes não queriam ouvir, queriam apenas condenar. - Não! Tu estás cego, pois são da tua família. Eles estão os enganando. – Jessé se pronunciou pela primeira vez. - Não pense asneiras, homem! Eles são minha família sim e não deixarei que façam nada com eles. Se quiserem terão que passar por mim.– Gritou tio Simon. Thomas me puxou para cima com tudo. Segurando com uma de suas mãos o meu cabelo e o outro prendendo as minhas mãos em minhas costas. Deixando-me imóvel impedindo de sair do seu aperto.Tentei me soltar mais desisti percebendo que era impossível. - Que sejas, mas a sentença deles já está tomada conforme a escolha de nosso pai. – Dito essas palavras começou me arrastar para a árvore, arrastavam também meu irmão logo atrás de mim. - Não! – Escutei meu tio gritar e tentou correr em nossa direção, mas fora impedido pelos homens ali presentes. Estavam brigando entre socos e chutes mais a quantidade de gente foi o suficiente para derrubá-lo. Tio Simon não conseguia mais se levantar depois de uma surra que levou ele ainda estava consciente, mas estava tão desorientado que não conseguia ficar em pé. Já eu estava em frente à árvore. A forca estava bem no alto. Aquele seria meu fim, meu e de meu irmão. Procurei ele atrás de mim e assim que o encontrei ele me olhava. Os olhos cheios de lágrimas. Dei um sorriso fraco para ele. - Desculpa. – Eu disse - Eu te amo, Camila. – Foi o que simplesmente disse. Eu também ia dizer, mas me empurraram para a escada improvisada encostada na árvore. Fizeram-me subir e o medo voltou a surgir. Eu já sabia o destino que nos aguardava e esperava que todos me perdoassem por partir sem ter chance de lutar. Assim que me colocaram no galho Heitor um garoto um pouco mais velho que eu, começou a amarrar a corda em meu pescoço, aquele cretino sempre tentava me cortejar e agora estava aqui ajudando na execução de minha morte sem se importar. Olhei um por um daqueles que estavam presentes, aqueles que diziam serem amigos, que me conheciam a vida toda. Jugou a mim e ao meu irmão sem se importar, como se fossemos aqueles sanguinários que um dia invadiram nosso vilarejo. Senti uma raiva e ódio profundo como nunca senti antes, sentimentos desconhecidos por mim até então. Porém como poderia sentir o contrario sem eles estavam tirando minha família de mim. Queria que todos sofressem por seus atos, desejei que morressem e seus sangues fossem derramados. Vi a dor nos olhos e resquícios de lágrimas dos meu tio, agradeci mentalmente por sua esposa e filhos não estarem ali. Por último encontrei o olhar de meu irmão ele agora estava ajoelhado. Acho que eles queriam que ele visse minha morte. Por um segundo apenas um segundo suspirei aliviada. Não suportaria ver meu irmão morrer, fiquei m*l por ser ele a ver. Dei um sorriso confortador como se dissesse "Está tudo bem"e sibilei as palavras: - Eu te amo! Ele se agitou mais uma vez lá e conseguiu se livrar apenas por segundos das mãos de um rapaz que o segurava correndo em minha direção. Ao longe escutei baixinho um leve rinchar de cavalo. - Vá para o inferno. – Escutei Thomas sussurrar no meu ouvido sentado no galho ao lado contrário onde se encontrava Heitor. - Te esperarei por lá. – Sorri irônica. Então suas mãos me empurraram com força. Derrubando-me do galho. - CAMILA! – Ouvi o grito desesperado do meu irmão antes de cair na profunda inconsciência e a morte me acolhendo em seus braços.
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