A manhã havia nascido pesada no morro. Depois da execução de Milena, a sensação era de que um passo em falso poderia custar tudo: os documentos que tinham em mãos e, principalmente, a vida de Laura, Letícia e Bianca. A boca funcionava em silêncio, quase automática, como se todos soubessem que os três chefes estavam mergulhados em algo muito maior do que o tráfico, do que o cotidiano de vendas e vigias. Coringa estava sentado na ponta da mesa da sala da boca, os cotovelos apoiados, as mãos trincadas em frente ao rosto. O olhar fixo em nada, mas a mente fervendo. Charada estava ao lado, mexendo no notebook, enquanto Naipe andava de um lado para o outro, inquieto, como se fosse explodir a qualquer segundo. — Isso tá me matando, mano… Não consigo parar de pensar na Bianca presa naquelas mãos

