Eu sempre acreditei que estava no controle. Dinheiro, poder, contatos. Uma ligação minha bastava para mover tropas, calar bocas, sumir com provas. Mas naquela noite, percebi que não era eu quem guiava o tabuleiro. O celular vibrou em cima da mesa do gabinete. Número desconhecido. Eu já sabia quem era. O peito travou, mas atendi. — Alô. Do outro lado, a voz áspera do tal Coringa. — Tá na hora, deputado. Meia-noite, galpão da Brasil. Tu leva as meninas, a gente leva os documentos. E se tentar gracinha, a bala vai cantar. Engoli em seco, a boca seca. Tentei parecer firme. — Quero os documentos. Inteiros. Uma outra voz entrou na linha. Charada. Fria, calculada. — Certo. Vai ser feito. Desliguei. O silêncio do gabinete parecia me esmagar. Os diplomas na parede, as estantes cheias de li

