Quinze dias haviam se passado desde aquela madrugada no hospital. Quinze dias de silêncio, de tensão e de um equilíbrio delicado que parecia prestes a se romper. No morro, a boca continuava funcionando, mas a ausência do Charada era sentida em cada canto. Ele sempre fora a mente por trás da organização, o homem que pensava dez passos à frente. Agora, quem segurava as rédeas eram Coringa e Naipe, dividindo o peso entre manter as ruas sob controle e dar conta das pressões externas. Coringa passava os dias entre reuniões com os meninos, revisando contas, conferindo entregas, conversando com os soldados. O semblante estava sempre carregado, mas não podia demonstrar fraqueza. Já Naipe assumia a linha de frente, cuidando das rotas, do armamento e garantindo que ninguém de fora ousasse se aprox

